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Museu da Imigração

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Museu da Imigração
Projeto e
implantação idealizada pela família de José Tafner será entregue às 20h, de hoje, n …

Clarice Graupe Daronco / JMV

 

RIO DOS CEDROS – A criação de museus está intimamente ligada ao remoto costume de colecionar objetos por parte do ser humano, fato que se mantém ao longo da história da humanidade. Com essas palavras o professor, José Tafner, fala sobre a implantação do Museu da Imigração de Rio dos Cedros e Região, cuja inauguração acontece hoje, dia 2 de junho, às 20h, junto a Praça Padre Aleixo Costa (Praça Matriz). 
Em entrevista à redação do JMV, José Tafner explica que o Museu é uma aspiração inata nas pessoas, ou seja, ele crê que todos buscam o retorno ao passado. “A idéia é a busca das  vivências, das privações e dificuldades e principalmente a lembrança dessas privações e dificuldades das gerações que as antecederam”, observa ele ao destacar que o nome:  ¨Museu da Imigração de Rio dos Cedros e Região¨ se deve ao fato de que  Rio dos Cedros foi colonizado também por outras  etnias, entre elas, alemã, polonesa e portuguesa.
Questionado sobre como surgiu a ideia de implantar o Museu, o professor conta que a ideia do Museu é bastante distante e inicialmente foi pensado em Blumenau, na rua Bahia, posteriormente em Apiúna, depois na estrada de Pomeranos (Timbó a Rio dos Cedros) onde se instalou o imigrante Angello Marcello Tafner e finalmente no centro de Rio dos Cedros. “Este Museu é o resultado de muitos anos de buscas de utensílios e objetos antigos para implantar uma obra que traduzisse as tradições e a cultura dos imigrantes de Rio dos Cedros e Região”.
Na questão da viabilização desse Museu, Tafner afirma que a mesma se deveu portanto à compreensão da Prefeitura, da Igreja e da empresa JM Adminisração de Bens e Participações Ltda, que está sob a sua presidência. “Acredito que é uma parceria que deu certo, pois diante da disponibilidade do terreno para o Museu, a implantação do Museu teve o ponta pé inicial com a assinatura da ordem de serviço, no dia 25 de março de 2016, sendo que as obras começaram efetivamente no dia 4 de abril de 2016, e na data de 2 de junho está sendo entregue à comunidade”.
O professor e idealizador do Museu também aponta algumas dificuldades na busca de material: falta de tempo para localizar e coletar os materiais; custo desse material que, atualmente, salvo raras exceções, se encontra em mãos de terceiros que, mesmo tendo adquirido por preço simbólico ou gratuitamente, o vendem por valores muito elevados; não há informações desse material; não há datas precisas a respeito da origem, data de fabricação, a quem pertenceu, quem construiu, quando foi construído, e quando o material é adquirido de atravessadores, os dados sobre o material praticamente não existem. 

 

O Museu da Imigração de Rio dos Cedros e Região está situado numa área de 2.400 metros quadrados, com  690 metros quadrados de área construída dos quais 80,80 metros quadrados são destinados à parte administrativa, banheiros e área de circulação de 291 metros quadrados;  a  exposição de peças, separadas em ofícios ou áreas de atuação: sapataria, carpintaria, ferraria, esportes, religião, cozinha, produção de alimentos, utensílios agrícolas e temas diversos. 
O Museu tem um auditório para palestras, reuniões,  eventos  e apresentação de filmes com 76 lugares sentados, três lugares para  portadores de necessidades especiais e um tablado de 24 metros quadrados. Também possui uma área de circulação de 204,80 metros quadrados e banheiro masculino, feminino e para portadores de necessidades especiais. 
Segundo Tafner o acervo existente de mais de 250 peças foi adquirido na região, ou seja, Rio dos Cedros, Timbó, Indaial, Pomerode e Blumenau. “Por essa razão esse Museu não é apenas de Rio dos Cedros e nem específico da imigração italiana. Em Rio dos Cedros houve também imigrantes alemães, poloneses e portugueses. Neste museu há lugar também para peças de descendentes de qualquer etnia”, observa ele. 

 

Questionado sobre os objetivos da implantação do Museu Tafner disse: “Em primeiro lugar deixamos aqui o porque não explicitado durante a construção dessa obra. Eu, como qualquer pessoa, tenho a necessidade de resguardar a infância vivida e perpetuar suas vivências; essa é a fonte inspiradora desse Museu. É uma tentativa de reconstruir minha história, de mostrar, através de utensílios e objetos, que ela é verdadeira e de prestar gratidão aos heróis: meu pai e minha mãe: Ermínio e Clara Tafner”.
O professor e idealizador do Museu segue com sua explicação: “Em segundo lugar, tão importante quanto o primeiro, o Museu tem como objetivo uma missão educativa, inerente a sua essência, porque transmite aquilo que é mais importante na vida futura da juventude: valores, ações de humildade e de honestidade, além de competências, de habilidades, de cultura e de tradições que atraem as ações das gerações futuras. Em terceiro lugar o museu transmite às gerações futuras as lições de trabalho, de engenhosidade, de sacrifício, de dedicação, de criatividade e de princípios estéticos e em quarto lugar está o motivo mais importante desse Museu:  render  um justo tributo, uma justa homenagem a Ermínio e Clara Tafner que deram muito mais do que tinham – até a sua despedida – para permitir que todos os filhos construíssem a sua história e de seus descendentes, ou seja, de seus filhos e netos”. 

 

O professor José Tafner explica que no caso da família de Ermínio e Clara Tafner a ascendência vem dos imigrantes Angelo Marcello Tafner e Paolo Mattedi. “Até a terceira geração, quase todos, viveram a experiência do trabalho braçal na roça desde a tenra idade; a enxada e outros utensílios de uso na agricultura de subsistência acompanhavam a todos, exceto no período em que estávam na escola”, relata ele ao afirmar que “Mesmo diante de todas as dificuldades, principalmente com a perda da mãe, sua esposa, no 12º parto, em 1958 aos 41 ano e oito meses, Ermínio não perdeu a calma e continuou com o seu exemplo, orientação e cuidando da família até 1968, 10 anos após a perda da esposa Clara, quando nos deixou aos 61 anos e três meses. Os seus filhos, com o exemplo de trabalho, de ética, de seriedade de cidadania, de caridade, não esquecem essas figuras. Diante disto, nada mais humano que fazer esse tributo, essa homenagem a quem nos dirigiu neste caminho”.

 

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