Solidariedade aos irmãos do Rio
Acostumados a enfrentar tragédias ambientais em várias ocasiões, o povo catarinense está se most …
Evandro Loes
Acostumados a enfrentar tragédias ambientais em várias ocasiões, o povo catarinense está se mostrando solidário com o sofrimento da população que habita a região serrana do Rio de Janeiro, castigada pelo maior desastre que se tem notícia. Já foram contabilizadas mais de 650 mortes, porém, um número ainda maior de vítimas pode estar soterrada em locais que a Defesa Civil ainda não chegou. Esta tragédia no Rio de Janeiro é da mesma dimensão da ocorrida no Vale do Itajaí, em novembro de 2008. A diferença está no número de vítimas. No Rio, a densidade populacional na área atingida é imensamente maior do que a existente em nossa região. Em relação ao volume de chuvas, as situações se equivalem. O mais impressionante é que o fenômeno vem se repetindo por três anos seguidos, embora em áreas distintas, o que deixa a sensação de que possa voltar a qualquer momento. Essa área montanhosa, que compreende a Serra do Mar, vai do Espírito Santo até o Rio Grande do Sul, é alvo de ocorrências desse gênero não só no presente. Estudos geológicos mostram que muitas planícies do Vale do Itajaí, próximas ao mar, são decorrentes de sedimentos levados pelas chuvas ao longo dos séculos e milênios. Para se ter uma ideia, as planícies de Itajaí/Navegantes até Gaspar foram originadas de erosões gigantescas das montanhas da Serra do Mar, no Vale do Itajaí. Pressupõem-se que, no passado, podem ter ocorrido chuvas ainda mais intensas. Assim sendo, pode-se prever que um novo ciclo de chuvas torrenciais possa estar surgindo, ainda mais com o agravamento do aquecimento global. Nesse contexto, só nos resta o planejamento para que possamos evitar os efeitos de tais tragédias em termos de perdas humanas. E, para tanto, é preciso a conscientização de todos. Não basta a vontade política de um ou outro governante, se a sociedade, que elege os políticos, não estiver consciente. Já ficou claro que não são apenas as encostas de montanhas e áreas íngremes que devem ser evitadas para edificações. Áreas localizadas próximos a leitos de rios ou pequenos vales de montanhas são igualmente áreas de alto risco. Neste momento as atenções devem ser direcionadas a emergência no salvamento de vidas e atendimento à população. Na sequência, é necessário discutir formas de prevenção e desocupação das áreas de risco. Isso vale tanto para nossa região como às demais do nosso país.




