Padre: o poeta do Evangelho
Pároco da Paróquia Imaculada Conceição de Rio dos Cedros, Fernando Steffens fala sobre o seu am …
Clarice Graupe Daronco / JMV

RIO DOS CEDROS – No data de 4 de agosto comemorou-se o Dia do Sacerdote, que é celebrado no mesmo dia da festa de São João Maria Vianney, padroeiro de todos os sacerdotes. A data é comemorada desde 1929 e foi instituída por Papa Pio XI (11). Para marcar a data a redação do JMV entrevistou o padre Fernando Steffens que é pároco da Paróquia Imaculada Conceição de Rio dos Cedros.
Em entrevista o padre conta que tem 34 anos e já se vão três anos do dia em que, na Igreja Matriz Santa Terezinha, de Timbó, foi ordenado sacerdote, após 10 anos de caminhada no Seminário Mãe de Jesus, da Diocese de Blumenau. “Venho de família simples, residentes até hoje na Pérola do Vale – pai, mãe e duas irmãs. Desde cedo, a vida cristã foi respirada em nossa casa, por ter pais que mostraram o caminho da fé. No espaço sempre sagrado do lar, não obstante os limites que ali encontrei – e ainda se revelam existentes -, para além deles, Deus encontrou seu lugar e cultivou em mim, como que em segredo, uma semente vocacional para a vida sacerdotal, que em plena juventude revelou-me como possibilidade de um caminho. Foi um padre que, na gratuidade de um fim de dia, lançou o convite: Nunca pensou em conhecer o seminário? E aqui estou eu, padre Fernando, falando contigo”.
Um padre poeta, é isso?
Em entrevista Steffens conta que sempre foi adepto de boa leitura. Nos tempos de Ensino Médio começou os seus primeiros rabiscos. “Versos, alguns deles, guardados até hoje (e permanecerão assim, arquivados… risos). Depois, o estudo da Filosofia alargou horizontes. A reflexão ficou mais refinada, as leituras mais intensas, o linguajar melhorou bastante, a escrita foi sendo aperfeiçoada. Muitas poesias do meu livro são deste tempo (Divagações poéticas, 2013)”.
Segundo o padre, dia após dia, a poesia e a literatura foram ocupando seus espaços em sua estante, em suas horas, em suas preferências. “Em 2012 iniciei os estudos teológicos e a fé e a razão, ambas foram fermentadas ainda mais pela graça, leveza e verdades que podem ser encontradas no polivalente universo poético. Li muitos poetas nesse tempo, o que me ajudou a criar um repertório próprio, um menu de poetas e textos e, mais que tudo, um perfil poético. Gosto de escrever mesclando os dramas da vida humana vividos no terreno da fé, tornando-os mais saborosos, ainda que tantos sejam doloridos. Desta mescla surge, acredito e experimento, um novo olhar sobre tudo. Esse olhar poético é igualmente divino, transcendente”.
Quais os poetas preferidos?
Questionado sobre seus poetas preferidos, o padre afirma: “Mario Quintana tem um soneto que se chama “Se eu fosse um padre”. Um dos versos diz o seguinte: “um belo poema, ainda que de Deus se aparte, um belo poema sempre leva a Deus”. Eu gosto de qualquer poeta, de qualquer poesia, de qualquer texto que me faça experimentar algo maior do que eu, que consiga despertar em mim um sentimento que sem a poesia eu não sentiria. É difícil dizer quais os poetas preferidos. Há os consagrados – Drummond, Pessoa, Quintana, Neruda, Castro Alves. Há os que parecem conhecer a minha alma – Adélia Prado, indubitavelmente, Nicanor Parra, Ferreira Gullar, Manoel Bandeira. E há os que continuo descobrindo e que não estão no panteão dos imortais, mas são tão bons quanto – Ana Cristina Cesar, nosso Lindolf Bell, Tolentino de Mendonça, Thomas Merton e por aí vai. Uma lista infinita”.
Em tempo de pandemia, uma nova missão
Steffens também relata como está sendo a experiência junto à Paróquia Imaculada Conceição de Rio dos Cedros. “Ainda bem que Deus não nos deixa ler a sua agenda, há muitas surpresas nos esperando (risos). Mas qualquer surpresa que venha de Deus não tem como não ser boa. Foi, sem dúvida, inesperada a minha transferência da Catedral para Rio dos Cedros, mas, sabedor de que Deus tem caminhos muito distantes dos nossos, como lembra o profeta Isaías, tudo tem sido uma bonita e significativa oportunidade de ofertar meu sacerdócio ao povo fiel. Estou muito feliz, sentindo-me autóctone daquelas terras, tenho encontrado um povo simples, cordial e afetivo. Por enquanto, as circunstâncias não permitem fazer muito, mas não tenho medido esforços para ser padre para o povo que me foi confiado, contando com a graça do nosso bom Deus. Como diz Adélia Prado: “minha fraqueza me põe no caminho certo.” Tenho procurado trilhar o caminho correto, o mais pertence a Ele”.




