Cultura germânica preservada através da música

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Cultura germânica preservada através da música
Em Indaial, o bandoneon faz parte da vida de oito homens que fazem da música, sua arte de viver …

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

Foto: ARQUIVO

INDAIAL – O bandoneon é um instrumento musical de palhetas livres, semelhante a uma concertina, utilizado principalmente na Argentina, onde é o principal instrumento da orquestra de tango. No Vale do Itajaí, as famílias se reuniam em torno do bandoneon para ouvir o som fantástico deste instrumento trazido por imigrantes alemães em 1850. Importantes grupos vêm se formando ao longo dos tempos no Vale, como os Cinquentões de Timbó e os Bandoneons de Indaial. A Fundação Indaialense de Cultura – FIC, tem os registros dos integrantes da primeira formação do grupo: de Indaial, Otvino, Harri e Harold Fiebes; de Blumenau, Anderson Mandel e Rodrigo Kienen; de Timbó, Leopoldo Teske, Reinwald Viebrantz e Wingando Viebrantz e de Pomerode, Egon Filbrantz.
Segundo relatos escritos na FIC, em maio de 2006, com o objetivo de manter viva esta tradição germânica no municípios e a manutenção do patrimônio cultural do imigrante, algumas pessoas que se dedicavam ao aprendizado desta arte criaram o Grupo Bandoneons de Indaial. A partir de 2008, jovens indaialenses discípulos do grande mestre Alfredo Radloft (in memoriam), se juntaram a alguns remanescentes para nova formação do grupo, como Harri Fiebes, Haroldo Fiebes, Otvino Fiebes, Ivan Robero Voigt e Maicon Morell, que unindo-se aos timboenses Daniel Schubert, Irineu Schubert e Marcos Paulo Westphal (bateria) passaram a integrar o novo conjunto musical.
Nas festas, reuniões e encontros apresentam músicas de natureza folclórica/regional, onde o Bandoneon é base do espetáculo. O Grupo é administrado pela Associação Bandoneons de Indaial, sendo que através de Projeto aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, com verba captada nas empresas do município, realizam duas apresentações mensais em Indaial e região, totalizando 24 apresentações e contam ainda com o apoio institucional da FIC e Prefeitura Municipal de Indaial.
Segundo o músico, Haroldo Fiebes, em Indaial o bandoneon faz parte da vida de oito homens: Otvino Fiebes, Haroldo Fiebes, Hari Fiebes, Ivan Roberto Voigt, Maicon Morrel, Daniel Chubet, Irineu Chubet e Guilherme Purg. O grupo está unido desde 2006, realiza diversas apresentações no município, e em diversas cidades de Santa Catarina. Segundo Otvino Fiebes, que é o presidente do Grupo, a maioria das suas apresentações são gratuitas. As músicas, todas da etnia germânica, são tocadas por sete bandoneons e uma bateria. Questionado se o grupo realiza ensaios periódicos, Fiebes afirma que não. “Tenho 67 anos e assim como os outros, a música faz parte de nossas vidas e todas elas estão gravadas na nossa memória”, destaca Otvino. Ele afirma que em suas apresentações, muitas vezes o tipo da música apresentada depende do público que os assiste. “Já teve uma vez que nos pediram para tocar música brasileira, no estilo de marchinha e, nós tocamos”, conta ele.
Fiebes afirma que o bandoneon produz o som a partir da vibração de palhetas de aço rebitadas em chapas de metal que podem ser zinco ou alumínio. Há vários modelos de bandoneon e layouts de escalas, desde instrumentos com 52 botões (104 tons) até 78 botões (156 tons).

HISTÓRIA DO BANDONEON
O bandoneon foi inventado pelo músico alemão Heinrich Band, em meados de 1850. O nome original alemão bandoneon, refere-se ao sobrenome de Band. Foi criado para ser usado na música religiosa e na música popular alemã, em contraste à concertina, que era considerada um instrumento folclórico. Imigrantes alemães levaram, no início do século 20, o bandoneon para a Argentina, onde ele foi incorporado à música local.
No Brasil, há relatos que em 1930, no cinema mudo, já tocavam bandoneon, e ao final deste ano o bandoneon já era muito conhecido. A difusão da cultura do bandoneon, através de professores, foi relevante, muitos músicos para terem uma vida economicamente viável, passaram a dar aulas e nesta área, como seu objetivo principal, ninguém superou Alfredo Radloff, 95 anos. A cultura do bandoneon no estado de Santa Catarina se deve a ele.
Para tentar não deixar o Bandoneon cair no esquecimento, já foram realizados encontros de tocadores nas cidades de Caxias do Sul, Caçapava do Sul, Passo Fundo, Restinga Seca, Canguçu, Westfália (estado do Rio Grande do Sul) e nas cidades de Joinville, Itapiranga, Cunha Porã, Pinhalzinho, Maravilha, Nova Erexim, Mondaí, Timbó (estado de Santa Catarina). No estado do Espírito Santo, são realizados encontros de tocadores Concertinas. Um fator que contribuiu para a conservação da cultura do bandoneon, foi a vinda dos imigrantes alemães a partir de 1835 no sul do Brasil, e os italianos a partir de 1874 no sul e restante do país.
 

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