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Hospital e Maternidade Oase respira novamente

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Hospital e Maternidade Oase respira novamente
Direção do Grupo Copervida, fala sobre a nova forma de administração do hospital, sua situação …

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

Foto: CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

TIMBÓ – O Hospital e Maternidade Oase chega aos seus 75 anos de história junto aos timboenses com novidades positivas. Após um período conturbado, quando no início de 2011, a direção do Hospital informava que o mesmo poderia fechar as portas em razão do déficit que apresentava e a falta de recursos das entidades públicas, o hospital entra em 2012 com sua receita equilibrada. Essa mudança deve-se ao fato de que, em abril de 2011, o Hospital passou a ser administrado pelo Grupo Copervida, que remodelou a estrutura de atendimento, cortou despesas e buscou novas parcerias.
Em entrevista a redação do Jornal do Médio Vale, o diretor do Grupo Copervida, Richard Choseki, responde alguns questionamentos e faz um breve relato da atual situação do Hospital e Maternidade Oase.

JMV – Como encontra-se o setor financeiro do Hospital Oase, atualmente?
Richard Choseki – Hoje o Hospital tem sua receita equilibrada, o que apesar de ser um alívio do ponto de vista financeiro, expõe outro grande problema. Há muitos anos não existem investimentos em equipamentos e melhorias na estrutura do hospital e o grande número de internações e intervenções cirúrgicas efetuadas nessa nova fase aceleram o desgaste, provocando um verdadeiro “sucateamento” nos equipamentos e na hotelaria (camas, móveis, aparelhos de televisão, ar condicionado, enxoval, etc.), pois não temos reservas para investimento, além de deixar estafados os próprios profissionais, que muitas vezes, trabalham em condições que não são as ideais.

JMV – De que forma o Grupo Copervida encontrou a entidade e o que fez para contornar o problema e buscar soluções?
Richard Choseki – Fomos convidados para fazer uma análise sobre a viabilidade do Hospital, e encontramos um Hospital fadado ao fechamento, com funcionários desmotivados, sem acreditação junto a comunidade e um Corpo Clínico dividido, mas que, num contexto geral, tomadas as medidas corretas, era uma entidade viável. Diante dessa análise, fomos convidados então a fazer uma proposta para assumir a administração do hospital, o que foi feito, e aprovado pela entidade mantenedora, e assinado em contrato por 15 anos. O grande milagre da virada, tem seu maior crédito junto aos funcionários que acreditaram e abraçaram um projeto audacioso e árduo, rumo ao retorno das atividades. O Corpo Clínico se recompôs e devemos a esses guerreiros a sustentação dos pilares dessa instituição. Outra grande conquista foi a aproximação com o poder público, que é audacioso em seus projetos relativos ao Hospital, eu diria único se comparado a qualquer município da região. Por isso nossa gratidão ao prefeito, Laércio Schuster Junior.

JMV – Diversas entidades públicas e privadas hoje são parceiras do Hospital. Como funcionam essas parcerias?
Richard Choseki – Essas parcerias foram concretizadas antes da nossa intervenção no hospital, mas foram parcerias que trouxeram ao hospital uma renda na ordem de R$ 30 mil mensais. Que infelizmente tiveram o término dos seus contratos, no final de 2011. Em reunião com os membros do Rotary, que sempre acompanharam de perto o desenrolar da questão Hospital Oase, se assinalou positivamente para continuidade da doação desses recursos, inclusive montando uma comitiva para este fim.

JMV – Como encontram-se as obras do Pronto-Socorro e quais os seus benefícios?
Richard Choseki – Ora, o que faz um pronto socorro fora do hospital? Porque o médico plantonista não tem a autonomia por decidir a internação de um paciente? É justo que um paciente precisando de intervenção cirúrgica esteja distante do local onde realmente o procedimento deva acontecer? Ao falarmos de benefícios, acredito que o principal beneficiado é o cidadão (usuário), que irá encontrar atendimento em um Pronto-Socorro, agora no lugar de onde nunca deveria ter saído. Com relação às obras, estão dentro do cronograma, e em fase final, quanto ao ganho do hospital esse vai ser em autonomia em agilidade nos atendimentos, digamos que o Pronto-Socorro é a “porta de entrada” para o hospital. “Não podemos deixar de parabenizar a Administração do município de Timbó por exterminar essa anomalia que envergonhava a saúde do município”.

JMV – Nos últimos dias a direção do Hospital, parceiros, gerente da Saúde da SDR, secretário Regional e diretor geral da SDR estiveram em reunião com o secretário de Estado da Saúde. O que foi pautado nessa reunião e os recursos solicitados já foram encaminhados?
Richard Choseki – No dia 14 de fevereiro, fomos recebidos em comitiva em Florianópolis para tratar de assuntos referentes ao Hospital Oase, desta comitiva participaram representantes do Instituto Vida, do Conselho e Administração do Hospital Oase, da Secretaria Regional de Desenvolvimento, representante da Classe Empresarial, além do deputado Gilmar Knaesel, que nos acompanhou. Fomos acolhidos pelo secretário de Saúde do Estado em seu gabinete e dentre os assuntos abordados, foram apresentados os balanços dos três últimos anos, o que pode mostrar que o Hospital esta caminhando no rumo certo. Dentro do plano operativo, foi demonstrada a necessidade de aquisição de novos equipamentos na ordem de R$ 410 mil, reformas da ala de internação, na ordem de R$ 200 mil, além de um reforço no valor de R$ 150 mil na farmácia do hospital, para que tenhamos uma certa folga financeira. Todos os pleitos foram acolhidos pelo Secretario de Estado, que se mostrou empenhado em dar continuidade ao processo de crescimento do Hospital Oase. Agora, estamos na fase de juntar todos os documentos, o que demanda certo tempo, mas temos certeza que conseguiremos estar com o processo terminado até o final de março.

JMV – Onde serão aplicados os valores que o Governo do Estado irá repassar ao Hospital Oase?
Richard Choseki – A maior parte dos recursos vai para aquisição de equipamentos, principalmente para o centro cirúrgico: “Perfuradores Ortopédicos, Intensificador de Imagens, Monitores Multi-Paramétricos, Aspiradores Cirúrgicos, tudo para que se possam realizar os procedimentos com maior segurança”. Uma segunda parte, vai para a reforma da ala de internação clínica, que precisa ser adequada aos critérios da Vigilância Sanitária, e ainda para a aquisição de medicamentos de alto custo,  que oneram bastante o Hospital.

JMV – Qual a média de internações mês que o Hospital registrou nos últimos meses. E dessas internações, qual  porcentagem é SUS?
Richard Choseki – O Hospital vem realizando uma média de 400 internações mensais, sendo que dessas, pelo menos metade é cirúrgica e mais de 80% é SUS.

JMV – Como encontra-se a ala de maternidade, pois é um dos setores que mais marca os timboenses, por poderem ter seus filhos na cidade de origem?
Richard Choseki – Hoje o Hospital Oase realiza em média 60 partos por mês, vale salientar que o projeto de reforma do atual Centro Cirúrgico e Obstétrico foi paralisado, em função do grande presente que os timboenses irão receber nos próximos meses. Um Centro Cirúrgico e Obstétrico será construído sobre o novo Pronto-Socorro, proporcionando mais segurança e partos humanizados. O projeto contempla um Centro Obstétrico digno de grandes Centros. Mais uma grande obra que talvez leve o Hospital Oase a regionalização. “Outro grande investimento da Administração Municipal, um verdadeiro presente do prefeito Laércio Schuster Junior, no ano em que o Hospital completa 75 anos”.

JMV – Qual a sua análise, sobre o que ainda precisa ser feito, para que o Hospital e Maternidade Oase venha a estar novamente “redondo” em atendimento e manutenção?
Richard Choseki – Como toda entidade filantrópica, os recursos são poucos, de todos os projetos apresentados ao prefeito Laércio Schuster Junior em busca da sustentabilidade, todos estão sendo executados com maestria. O que o Hospital realmente precisa é ser tratado com carinho, respeito, algo que vá além de credo ou convicções políticas. O hospital é de todos e recebe a todos de braços abertos. Dificuldades existem, e não são poucas, muitas vezes as pessoas até deixam de receber a atenção que merecem, mas devem se lembrar de que as mudanças são demoradas, e muitas vezes traumáticas, demandam investimento, tanto em equipamentos quanto no material humano, o que estamos mudando é um conceito, é uma mentalidade já formada de muitos anos, e pode acreditar, a tarefa é árdua e muitas vezes desestimulante. “No entanto, fazemos um convite a todos os timboenses para que abracem o Hospital, criem essa corrente do bem”.
Felizmente, a aproximação do Hospital com o poder público gerou muitos pontos positivos, as portas do gabinete do prefeito estão sempre abertas quando o assusto é o Hospital. A Secretaria de Saúde e Assistência Social, na pessoa do secretário, Elson Marsom, tem cadeira cativa dentro desta instituição, pois não passa um dia sequer que não recebamos sua visita no intuito de ajudar e verificar como andam os atendimentos aos enfermos timboenses. “Grandiosas parceria”. Também deve ter sido percebido pela mídia em geral, que apesar de estarmos aqui já a quase um ano, não usamos os meios midiáticos para autopromoção.
Outro assunto relevante é que em 2011, deixamos de receber duas subvenções Federais, uma do deputado Valdir Colato, na ordem de R$ 150 mil, e outra da deputada Ângela Amim, no valor de R$ 50 mil.
Esses valores seriam utilizados na melhoria da hotelaria do hospital, e na aquisição de um Auto Clave. Se verificarem o Sistema SINCOV, que gera a liberação desses recursos, pode-se perceber que todos os prazos foram cumpridos.
Acontece que em setembro, fomos atingidos pela cheia que afetou a todos. Ficamos isolados, sem água potável para os pacientes, com funcionários sem poder deixar o hospital por até 72 horas, um único médico para atender o Hospital e o Cemur. E em meio a todo esse caos que os timboenses viveram, cumpriu-se o prazo de entrega dos últimos documentos necessários à liberação dos recursos. “Como consta em ata da reunião do conselho do Hospital Oase, e verbalmente como já foi ouvido por muitos e muitas vezes, a última coisa que lembrei naquele momento de angústia, preocupado com o Hospital, funcionários e o bem estar dos pacientes ali internados, foi o prazo do convênio. Realmente me passou despercebido o prazo de entrega dos últimos documentos. Assumo aqui a culpa por tal ato. Arrependimento nenhum, faria tudo novamente, pois se nossa ação de deixar o Hospital aberto tiver salvado pelo menos uma vida, ou aliviado o sofrimento de um enfermo, dormirei tranquilo sem nenhum peso na consciência. Quanto vale uma vida?”.
Com relação aos convênios já estão sendo renegociados e devido aos fatos relevantes, há grande possibilidade de reavermos esses recursos.

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