Um bom dia para deixar de fumar
Apesar de não ser mais veiculado na mídia como sinônimo de glamour, o cigarro ainda está agregad …
Neila Daronco/JMV

TIMBÓ – Ao contrário do que muitos ainda possam pensar, o tabaco é uma droga que causa dependência, porém, lícita e de fácil acesso. O Dia Mundial sem Tabaco, comemorado ontem, 31 de maio, é uma data que tem como objetivo divulgar para população os perigos do uso do tabaco, as estratégias das companhias para seduzir os jovens a iniciar no tabagismo, as ações que a Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolve para controlar a epidemia do tabagismo no mundo, assim como o que a sociedade pode fazer para reivindicar o seu direito à saúde e à vida saudável e proteger as gerações presentes e futuras. A data foi criada em 1987, pela OMS.
Segundo relata a psicóloga do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) da Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social de Timbó, Michele de Almeida Alves, a prática mostra que o trabalho na prevenção do uso de drogas lícitas, como é o caso do cigarro e do álcool, ainda é um desafio. “Apesar de não ser mais veiculado na mídia como sinônimo de glamour, como já foi em outras épocas, o cigarro de alguma forma continua agregado a nossa cultura”, afirma a psicóloga.
Estatísticas mostram que seu uso cresceu nos últimos anos entre mulheres e adolescentes. De acordo com dados do Ministério da Saúde o tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, um bilhão e 200 milhões de pessoas (entre as quais 200 milhões de mulheres), sejam fumantes.
A fumaça do cigarro contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, incluindo arsênico, amônia, monóxido de carbono (o mesmo que sai do escapamento dos veículos), substâncias cancerígenas, além de corantes e agrotóxicos em altas concentrações. “Tais substâncias trazem diversos danos à saúde como diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, impotência sexual no homem, infertilidade na mulher, osteoporose e catarata entre mais de 50 doenças diretamente relacionadas ao tabagismo”, relembra Michele, ao informar que você, leitor timboense, pode não fazer parte destas estatísticas! “Para isso é preciso dar o primeiro passo!”, afirma Michele.
Ela orienta como é possível livrar-se da dependência e que não é uma tarefa impossível. “O mais importante é escolher uma data para ser o primeiro dia sem cigarro. Este dia não precisa e não deve ser um dia de sofrimento! É interessante que o fumante programe algo que goste de fazer, procure distrair-se e relaxar! Afinal este é um dia muito importante e especial”, diz. Segundo a psicóloga do Nasf, o fumante pode escolher duas formas de parar: a primeira e ideal é a parada imediata! Deixa-se de fumar de uma só vez, cessando totalmente de uma hora para outra; a segunda é a parada gradual, em que se verifica a quantidade de cigarros que fuma por dia e vai diminuindo gradualmente a quantidade de cigarros fumados até chegar a zero. “É importante neste período mudar alguns hábitos de vida, praticar alguma atividade física (que lhe traga satisfação, não vale fazer por obrigação), evitar bebidas alcoólicas e o ‘cafezinho’ que geralmente estão relacionados ao momento do cigarro, procurar alimentar-se de forma mais saudável e beber muita água”, orienta Michele.
Segundo a psicóloga, é comum a ansiedade e a irritabilidade aumentar, principalmente nas primeiras semanas. “Caso sentir que está muito difícil aguentar sozinho, você pode procurar auxílio médico e/ou psicológico. Esses profissionais poderão avaliar seu caso e indicar o melhor tratamento, que podem envolver desde técnicas cognitivo comportamentais (psicoterapia), até uso de medicação em alguns casos”, afirma.
O tema tabagismo também pode ser abordado de forma geral em grupos de promoção de saúde existentes nas Unidades de Saúde, quando surge a demanda vinda dos participantes. Existem também iniciativas no que se refere a atividades programadas de forma sistemática, porém, de acordo com a psicóloga, o grande desafio ainda é a adesão da comunidade, principalmente quando se deparam com o fato de ter que existir uma data para parar. Se alguém tiver dúvidas, pode procurar os Postos de Saúde do município que lhes serão oferecidas as alternativas e orientações para deixar o vício.
Os efeitos do cigarro para os ossos
Os problemas pulmonares não são a única consequência do fumo. É por isso que o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into) aproveita o Dia Mundial sem Tabaco para fazer um alerta para os problemas ósseos que podem ser agravados pelo uso do cigarro.
O ortopedista Leonardo Rocha, do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), explica que a absorção do cálcio, mineral essencial na composição dos ossos, pode ficar comprometida na presença da nicotina no organismo. “A nicotina inibe a produção de osteoblasto, célula responsável pela produção óssea. Já o monóxido de carbono, principal substância do cigarro, é extremamente venenoso, pois reduz em até 15% a capacidade do sangue de transportar oxigênio”. A diminuição dos níveis de oxigênio no organismo reduz a densidade dos ossos, tornando-os mais frágeis.
Em decorrência, os fumantes ficam mais propensos à osteoporose, doença caracterizada por ossos mais finos devido à perda de minerais e, consequentemente, mais suscetíveis a fraturas. “A baixa resistência dos ossos prejudica a recuperação depois de uma cirurgia e torna mais lenta a reação do organismo a tratamentos médicos. O fumo retarda a cicatrização afetando toda a cadeia inflamatória. Fumantes que sofrem fraturas ósseas têm tempo de recuperação 60% mais longo do que pessoas que não fumam”, explica Leonardo Rocha.
A deficiência óssea acentua ainda a possibilidade dos fumantes adquirirem problemas na coluna vertebral e os deixa mais sujeitos à amputação de membros, em função de um distúrbio no sistema circulatório que gera coágulos dentro do vaso sanguíneo (tromboembolismo).





