Com aumento, salário dos vereadores vai custar R$ 2 milhões na próxima legislatura
Não adiantaram as manifestações da opinião pública. Os vereadores timboenses aprovaram, por cin …
EVANDRO LOES/JMV
TIMBÓ – Não adiantaram as manifestações da opinião pública. Os vereadores timboenses aprovaram, por cinco votos a favor e quatro contra, um reajuste salarial de 26,7%, que passará a vigorar sobre os salários dos vereadores que serão eleitos nas eleições de 7 de outubro e assumem os cargos em janeiro de 2013. O reajuste representa 50% a mais que a remuneração percebida pelos vereadores no início da atual legislatura, passando de R$ 2.441,00 para R$ 3.3600,00.
O percentual de aumento supera em mais de 20% a inflação acumulada do período e vai inflar o soldo dos futuros vereadores em mais de R$ 500 mil nos próximos quatro anos, dinheiro que poderia ser aplicado na saúde e educação. A soma dos salários da futura Câmara custará mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos, incluindo os encargos sociais. Acrescenta-se a essa cifra os gastos com a manutenção do Legislativo, que na última década multiplicou por quatro o número de servidores e novas contratações estão nos planos, quando a nova sede ficar pronta.
Também foram aprovados projetos, desta vez por unanimidade, definindo os futuros vencimentos do prefeito, vice e secretários municipais. Os salários do prefeito e vice-prefeito vão permanecer os mesmos praticados no atual mandato. A remuneração do chefe do executivo foi fixada em R$ 13.169,43, enquanto o vice-prefeito receberá a metade do valor, ou seja, R$ 6.584,71.
Os secretários municipais passarão a receber subsídio de R$ 6.400,00. Segundo informações de membros da Câmara, o prefeito Laércio Schuster Junior orientou os vereadores a não reajustar seus vencimentos, que considera suficientes. Os secretários tiveram um aumento de aproximadamente 30%, mas não houve resistência por parte dos vereadores e da opinião pública, pois há o entendimento de que eles exercem função em período integral e de grande responsabilidade.
A sessão
A sessão da Câmara, que decidiu sobre as futuras remunerações no Executivo e Legislativo, foi realizada na última terça-feira, dia 19, em clima ameno, com manifestações a favor e contra o reajuste nos salários dos vereadores. Votaram a favor do amento: Wiegold Starke (PP), Fabrício Dalcastagne (PMDB), Waldir Girardi (PP), Guilherme Voigth Junior – Tutti (PSDB) e Ismael Maas (PP). Votaram contra o aumento: David Busarello (PMDB), José Osmarim Telles – Maninho da Gaita (PP), Rubens Borchardt (PT) e Dediergo Wolter Filho – Dida (PMDB).
Manifestações
Nos dias que antecederam a votação, várias manifestações contrárias ao reajuste dos vereadores chegaram ao conhecimento dos legisladores, cuja a maioria preferiu ignorar. Um desses manifestos, foi encaminhado por um grupo de entidades, que enumeraram uma série de argumentos para que o aumento da despesa pública com os salários dos vereadores não fosse aprovada. As entidades e seus representantes foram as seguintes: Mário Fávero – Presidente da ACIMVI – Associação Empresarial do Médio Vale do Itajaí; Engº Edvaldo Angelo – Presidente do SIMMMET – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Timbó; Geraldo Censi – Presidente da CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas de Timbó; Mauro Sergio Howe – Presidente do CEAAT – Centro de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Timbó; e Valcir Egon Mayer – Presidente da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil – Timbó.
Também nas redes sociais, o debate sobre o reajuste dos vereadores ganhou força nas horas que antecederam e após a votação. A foto dos vereadores que votaram a favor do aumento tiveram mais de 400 compartilhamentos, o que projeto um alcance de dezenas de milhares de seguidores na principal rede social, o Facebook. A imprensa convencional já vinha abordando o assunto com destaque, mas os principais veículos tradicionais a fazer eco às manifestações populares foram o Jornal do Médio Vale e a Rádio Cultura de Timbó, através do jornalista Carlos Henrique Roncálio.
Contra-mão
Enquanto os governos federal, estadual e municipal tentam encontrar formas de continuar investindo em obras e benefícios sociais, os vereadores de Timbó estão na contra-mão da história e caminham para o aumento de gastos. Muitos se perguntam se estes mesmos vereadores aceitariam aumentar a carga tributária que eles pagam para garantir maiores salários para os professores ou para os servidores em geral.



