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Aterro Sanitário é alvo de reclamações de moradores

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Aterro Sanitário é alvo de reclamações de moradores
Cheiro forte, grande quantidade de urubus são alguns dos problemas apresentados pelos indaialenses …

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

TIMBÓ – O lixo descarregado no Aterro Sanitário de Timbó, no bairro Araponguinhas, e o seu manejo está sendo objeto de reclamação de moradores do bairro Arapongas, que fica na divisa das cidades de Timbó e Indaial.
Os moradores, que são vizinhos do Aterro Sanitário, entraram em contato com a redação do Jornal do Médio Vale para falar da grande quantidade de urubus que está  dispersa nas propriedades próximas ao Aterro, devido ao cheiro do lixo ali depositado.
Segundo Tânia Stahnke, nos dias mais quentes são mais de 300 urubus, em média, que estão dispersos pela pastagem, que fica nos fundos da propriedade da moradora. A mesma reclama que as penas e fezes das aves causam doenças nos animais que a mesma produz, além de ter galinhas e patos, que são consumidas pelos urubus, durante o período em que os moradores estão trabalhando. “As aves também contaminam as águas do ribeirão que fica nas imediações das pastagens, sem falar no cheiro forte que vem do lixo, principalmente, nos dias em que o tempo está preparado para a chuva”, conta Tânia.
Ao ser questionada se as reclamações dos moradores foram feitas à direção do Aterro, Tânia ressalta que seu marido falou com o prefeito de Indaial, em razão do bairro pertencer ao município e o mesmo se encarregou de entrar em contato com a Prefeitura de Timbó. “Isso acontecia nos meses de verão, quando há muitos dias não era jogado o barro em cima do lixo, e os responsáveis alegaram ao prefeito de Indaial, Sergio Almir dos Santos, que a máquina estava quebrada e tinha ido para o reparo, mas que em breve o problema do cheiro seria amenizado, mas como podem ver o cheiro até que diminuiu mas os urubus continuam por aqui”, afirma a moradora ao comentar que o vereador Rubens Borchardt, de Timbó esteve na sua propriedade e constatou os problemas, assim como também verificou os problemas que a Sociedade, que fica nas proximidades da propriedade da moradora, enfrenta quando da realização de eventos. “O cheiro do Aterro faz com que as moscas se proliferam e nos dias de festas na Sociedade é quase impossível comer”, conta ela.
A moradora conta que quando o Aterro foi implantado não tinha muitos problemas, apesar deles serem contra, pois a sua propriedade faz divisa com a área, mas os problemas com os urubus e com o cheiro aumentou gradativamente nos últimos três anos.
O mesmo afirma o morador e sócio proprietário da Cerâmica Victor Kuehl, Elton Kuehl. Segundo ele, o problema maior é pela parte da manhã, quando o vento vem da área do Aterro e traz consigo o cheiro forte do lixo orgânico que está ali depositado. “Nossos vizinhos que tem animais sofrem com os urubus, pois os mesmos transmitem doenças para o gado que está na pastagem, sem falar do cheiro das aves que é muito forte”, comenta Kuehl ao contar que no início do ano tiveram que solicitar através da Prefeitura de Indaial, a cobertura do lixo, mas que as coisas não se resolveram por completo e o cheiro continua sendo um dos grandes problemas do bairro Arapongas, que afeta também as crianças que estudam na Escola Municipal e na Unidade de Educação Infantil, além de causar desconforto com os clientes da Cerâmica, que são de outras localidades, e quando vêm fazer compras reclamam do cheiro forte.

Contraponto do Aterro Sanitário
A redação do Jornal do Médio Vale, procurou a coordenação do Aterro Sanitário de Timbó, que recebeu a equipe e mostrou o trabalho que é realizado no local. Segundo o chefe da Divisão do Aterro, Ivo Adam, são diversas as reclamações que o Aterro recebe, em especial ,na questão do cheiro, mas o trabalho que está sendo feito está dentro das normas e seguem um cronograma. “Quando o lixo orgânico (domiciliar) é deixado no Aterro é realizado a compactação do mesmo pelo trator de esteira de baixo para cima, formando uma rampa com inclinação de 1:3, no final do dia é feita a cobertura com terra”, destaca ele.
Adam explica que o Aterro conta com aproximadamente 40 hectares, localizado longe de pontos de captação de água e de áreas de preservação permanente, e tem por função receber o lixo doméstico de Timbó e da região que integra o Consórcio dos Municípios do Médio Vale do Itajaí (Cimvi), que são os municípios de: Apiúna, Ascurra, Benedito Novo, Doutor Pedrinho, Indaial, Pomerode, Rio dos Cedros e Rodeio. O projeto do Aterro Sanitário de Timbó tornou-se referência no Sul do Brasil e a expectativa de vida útil do aterro é de aproximadamente 25 anos e atualmente são depositados e tratados no local 2.340 toneladas ao mês de resíduos residenciais dos nove municípios.
Questionado sobre os problemas que o Aterro causa aos vizinhos que residem nas proximidades, em especial no bairro Arapongas, o coordenador do Aterro lembra que o mesmo teve sua construção,em 2002, definido após estudos efetuados por profissionais habilitados. “No iniciou foi indicado uma área de 21 hectares, distante de pontos de captação de água para abastecimento e afastada e reserva de proteção ambiental e da área de preservação permanente, sendo que a obra tem vida útil estimada em aproximadamente 15 anos e agora foi aumentada a área a etambém sua vida útil passou para 25 anos”, relata Adam.
O chefe explica que o Aterro foi construído científica e tecnicamente, dentro de modernos padrões, e possui sistemas de impermeabilização e drenagem. Uma camada de 50 centímetros de argila compactada, uma manta sintética de polietileno de alta densidade de 1,5 milímetros e uma manta de geotêxtil não-tecido (BIDIM) de 400 gramas por metro quadrado compõem o sistema de impermeabilização do solo, que protege a fundação do aterro, evitando a contaminação do subsolo e mananciais.
Sobre o controle ambiental, Adam conta que o mesmo consiste basicamente da apresentação do plano de monitoramento da área de influência do aterro sanitário, visando a seguridade da qualidade das coleções hídricas superficiais e subterrâneas, a ser executado durante e após a operação da planta.
“São efetuadas inspeções periódicas e manutenção em todos os seus elementos de projeto, como nos sistemas impermeabilização, de drenagem, poços de monitoramento, de aqüíferos, balança, acessos e isolamento”, explica o chefe ao comentar que o monitoramento das águas superficiais e subterrâneas visa avaliar, através de métodos diretos e indiretos, a influência do aterro nesses mananciais, principalmente no aqüífero livre, isto é, aquele que tem seu limite superior definido pela superfície freática e, portanto, está sob condições da pressão atmosférica.
A coleta feita nos pontos de monitoramento, explia Adam, visa informar aos profissionais do Consórcio a real situação da área do Aterro. “A cada trimestre é feita a coleta de água nos pontos de monitoramente e verificado também a legalidade do Aterro”, afirma o chefe ao adiantar que o Consórcio está trabalhando na implantação de mais uma Estação de Tratamento de Fluente, que será instalada perto do Galpão de Reciclagem.
Questionado sobre as reclamações sobre os urubus e o cheiro do Aterro, Adam explica, primeiro que os urubus são um mal necessário, pois os mesmos ajudam a eliminar carcaças do ecossitema, pois alimenta-se de carniças e frutas em decomposição. Este modo de alimentação confere-lhes importância ecológica. Já sobre o cheiro forte, ela afirma que o mesmo é resultado do apodrecimento do lixo doméstico, independente se o mesmo estiver com camada de terra ou não, o cheiro será igual.
Adam, também foi qustionado sobre as máquinas que atuam no Aterro, e o mesmo informou que são duas máquinas no total, sendo um trator esteira e uma pá carregadeira, além de um caminhão.

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