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Instrumento histórico será reinaugurado

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Instrumento histórico será reinaugurado
Órgão de 1964, que estava há dez anos parado foi todo restaurado e será tocado na noite de domin …

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

Foto: CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV
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TIMBÓ – A comunidade da Paróquia Evangélica Luterana de Timbó receberá um lindo presente na noite de domingo, dia 2 de dezembro, às 20 horas, durante a realização do Culto a Velas. Na oportunidade, o organista de Rodeio, Heliwtong Pereira, acompanhará o coral da Paróquia, no órgão da Igreja que foi totalmente restaurado. 
Pereira adianta que também tocará uma peça especialmente preparada para o órgão que, por ser composto por apenas cinco tipos de som, a peça precisa ser pensada para ele, com o objetivo da comunidade conseguir apreciar o som que ele produz.
De acordo com informações do pároco da Paróquia de Timbó, pastor Romeu Hoepfner, o órgão foi adquirido em setembro de 1964, pela direção da Paróquia ao valor na época de CR$ 4 milhões de cruzados.
“Para ajudar na aquisição, cada membro ajudou com seis mil cruzados sendo que primeiramente o órgão foi usado para animar os cultos na igreja antiga e depois foi transportado para a igreja nova, sendo que há aproximadamente 10 anos está parado, sem uso”, relata Hoepfner ao contar que, quando chegou em Timbó há dois anos, sentiu-se muito infeliz ao perceber que uma obra de arte que tem o dom de alegrar as pessoas, estava parada e com sérios problemas de manutenção.
“Também sou organista e não consegui me acomodar e deixar que este instrumento histórico se deteriorasse”, conta ele.
O pastor explica que assim que soube que tinha um organeiro que havia
realizado o restauro do órgão da Igreja de Blumenau, logo entrou em contato com a direção e foi informado sobre o profissional que tinha feito o trabalho.
“Na mesma semana entrei em contato com a firma Sonoridade Organi, de Rodeio e, entramos na fila de espera para a realização do restauro”, relata Hoepfner ao destacar que o restauro do órgão, que foi em sua totalidade, teve um custo de R$ 77 mil, valores estes recolhidos através de doações de empresas, famílias timboenses, pessoas que num mutirão buscaram recursos para custear a restauração.
“Ainda necessitamos de algumas doações para chegar ao valor total, mas temos a certeza que a reutilização deste instrumento histórico trará muitos benefícios não só para as famílias de Timbó, como também para toda a região, pois o mesmo servirá para promover a cultura musical tão importante para todos nós”, frisa o pastor ao destacar que o órgão quanto mais ele é tocado, mais ele se mantém.
 
Restauro do órgão
O trabalho de restauro do órgão foi coordenado pelo mestre organeiro, Georg Jann, que  já construiu mais de 209 órgãos, somente na Alemanha e em Portugal, chegou ao Brasil em 2006 e, já tem muitas histórias para contar.
Desde 2009, Jann e sua esposa, Gergild, estão trabalhando em Rodeio, na empresa Sonoridade Organi. O mestre, como é chamado pelos profissionais que trabalham na firma, não fala brasileiro, então é necessária sempre a presença do frei ou da sua esposa, para fazer a tradução.
Em entrevista a redação do Jornal do Médio Vale, durante a realização dos trabalhos de restauro do órgão na Igreja Evangélica do Centro, foi possível conversar com ele tendo como tradutor o organista Heliwtong Pereira, que também está apreendendo o ofício de organeiro.
O mestre conta que o órgão precisou ser todo ele reformado, pois estava com sérios problemas. Foi modificada a fachada, ganhou um novo registro, ou seja, mais uma nota musical, e também recebeu um motor novo, que faz menos barulho.
“Ao todo, estamos trabalhando há 10 meses neste restauro”, afirma o mestre ao contar que também foram refeitos todos os folizinhos, que são bolsinhas responsáveis pela entrada de ar e o fole maior que realiza o suprimento de ar também.
Questionado sobre como ele se sentiu ao ver o órgão parado, sem uso, Jann sorriu e disse: “Nosso desafio é fazê-lo funcionar”, observou o mestre que estava trabalhando na finalização dos detalhes, com o objetivo de deixar o órgão completamente pronto para o culto de domingo à noite, que integra a programação do Natal Mais Encantado da cidade de Timbó.
Na ocasião, acontecerá a reinauguração do órgão pelo vice-presidente Sinodal de Blumenau, pastor Irineu Wolf.

 

Organeiro alemão

 

Jann é organeiro desde 1948, ou seja, há 64 anos, ele constrói e restaura órgãos de todos os tipos e tamanhos. Em 2006, ele largou as suas duas empresas, uma na Alemanha e outra em Portugal, para serem comandadas pelos seus dois filhos e mudou-se para o Brasil, mais especificamente, para a cidade de Blumenau, onde seguiu adiante com a profissão.
Depois de 209 órgãos construídos na Europa, Jann já restaurou três instrumentos e construiu outros três no Brasil. O mais novo deles, a ser restaurado é o da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil de Timbó, construído em 1964.
Jann conta que a construção de um órgão é uma história emocionante, pois todas as peças para o restauro são feitas por ele mesmo. Desde as pequenas partes, até estar montado na igreja. “Conheço todos os parafusos, todos os cantos, é como se ele fosse um filho, pois o trabalho é feito com muito amor”, diz ele.
Dos 209 órgãos que construiu ao longo de seus 20 anos na Alemanha, o mestre organeiro conta que só não esteve presente na inauguração de dois deles, uma vez porque estava no hospital e a outra porque a cerimônia foi realizada em Tóquio, para onde o instrumento foi exportado.
Com sua nova empresa, a Sonoridade Organi, o alemão já tem trabalho previsto para o próximo ano e meio. O mestre já restaurou seis órgãos, entre eles o da catedral de Porto Alegre, construído em Paris, em 1865 e, fora de uso há 30 anos e construiu mais cinco, sendo dois de baú, que tem apenas três registros e, um para Vinhedo com 17 registros.
Para o artesão, a demanda por novos órgãos seria maior se houvesse mais organistas no país. “Reconheço que a profissão de organeiro não é fácil para ser aprendida no Brasil, pois a tradição de se ter órgão em casa ou nas Igrejas não é tão forte como na Alemanha, mas afirmo que é uma profissão linda, onde você precisa conhecer desde à madeira das caixas até o som que sairá dos tubos. É algo inexplicável”, conta ele.

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