Laércio está disposto a receber manifestantes TIMBÓ ? A inclusão de temas locais, na pauta de reivindicações dos movimentos de rua, que tem no …
Por Evandro Loes
Foto: Diogo Schimidt
TIMBÓ – A inclusão de temas locais, na pauta de reivindicações dos movimentos de rua, que tem no próximo sábado uma nova mobilização, no Centro da cidade, despertou o interesse do prefeito Laércio Schuster Junior (PP), em receber uma representação dos manifestantes em seu gabinete. Em entrevista ao JMV, o prefeito fala sobre como tem acompanhado as manifestações, sugestões de como atender as reivindicações, o combate a corrupção e a necessidade de fazer uma Reforma Política. A seguir, a íntegra da entrevista.
JMV – Qual a sua opinião sobre as manifestações de rua, que estão se espalhando por todo o Brasil, inclusive em Timbó?
LAÉRCIO – As manifestações são legítimas e fazem parte do processo democrático construído principalmente a partir da Constituição de 1988. Chama a atenção, de forma positiva, o fato de ser um movimento espontâneo e liderado pelos jovens do nosso país. E apesar de as reivindicações serem diversas, em geral o que os brasileiros querem é uma mudança no sistema político brasileiro e isso passa, necessariamente, por uma ampla Reforma Política. É preciso discutir, por exemplo, o voto distrital, o financiamento público de campanhas, entre outros assuntos que estão há anos na pauta do Congresso Nacional. Outro exemplo é o Pacto Federativo. De cada R$ 100 arrecadados no Brasil, somente R$ 13 ficam no município, R$ 22 no Estado e R$ 65 vão para a União. É preciso mudar isso, porque cada vez mais os prefeitos são exigidos pelas demandas da população, mas não têm os recursos necessários para fazer frente. Essa divisão do bolo tributário precisa ser mais equilibrada. De repente, agora, essas discussões voltam ao cenário nacional e começam a andar no Congresso.
JMV – Na sua avaliação, como devem ser tratadas as reivindicações dos manifestantes, por parte dos governantes em geral?
LAÉRCIO – Com atenção. É preciso que os nossos governantes, principalmente em nível estadual e federal, ouçam a voz das ruas. Nós, prefeitos, somos os governantes que estamos mais próximos da comunidade e, portanto, somos os mais sensíveis a todas essas reivindicações. Porém, estamos limitados na nossa atuação por questões legais, territoriais e orçamentárias. Por isso é tão importante escolher bem seu deputado estadual e também federal. Toda mudança do país passa pelos legisladores. Um exemplo disso foi a queda da PEC 37. Sua aprovação ou rejeição não estava nas mãos do Executivo, mas do Legislativo que, ouvindo o clamor das ruas, decidiu não aprovar a PEC.
JMV – A presidente Dilma e o Congresso Nacional começaram a dar algumas respostas aos reclamos dos manifestantes. O senhor acha que as iniciativas foram apropriadas?
LAÉRCIO – Num primeiro momento eu acredito que sim, pois é o possível a ser feito. O pacto proposto pela presidente, se colocado realmente em prática, pode significar um avanço importante em nosso país. Mas é preciso fiscalizar e continuar cobrando. Uma das propostas que mais me chamou a atenção foi o plebiscito para decidir por uma nova Constituinte. Há certas reivindicações que precisariam passar ou por uma ampla reforma, como a tributária e a política, ou de repente, pela construção de uma nova Constituição. De uma forma ou de outra, o povo precisa ser ouvido e um plesbicito é a maneira mais democrática de fazer isso.
JMV – A corrupção generalizada é um dos temas mais batidos nas manifestações de rua. Como o governo pode combater esse mal que assola o país?
LAÉRCIO – Concordo que a corrupção é um mal que assola o país, mas não vejo que seja generalizada. Como acontece em outros segmentos, a corrupção praticada por poucos acaba construindo a imagem ruim de todos. A classe política hoje está desacreditada e a culpa disso é da própria classe política, que precisa criar mecanismos mais ágeis de combate àqueles que maculam a imagem dos homens públicos. Além de mecanismos mais ágeis de punição, eu sou um ardoroso defensor do uso da tecnologia no setor público. Quanto mais os processos forem digitalizados, colocando esses procedimentos ao alcance da fiscalização de qualquer cidadão, menor a possibilidade de corrupção. Em Timbó, por exemplo, criamos a Central de Atendimento, onde é possível acompanhar vários procedimentos via internet. Implantamos o portal da transparência. Criamos também a Sala de Licitações, onde todo cidadão pode acompanhar qualquer licitação feita pelo município. Investimos muito nos últimos anos em informatização e tecnologia como forma de tornar os procedimentos da Prefeitura cada vez mais acessíveis e transparentes para nossa comunidade.
JMV – As manifestações em Timbó estão incluindo questões locais, como as obras do Centro Integrado de Cultura, ainda inacabadas. Qual a posição de sua administração em relação a estas reivindicações?
LAÉRCIO – Nós últimos anos Timbó avançou muito em todas as áreas e, apesar disso, eu nunca disse que todos os problemas estavam resolvidos. É claro que temos questões a resolver e situações a melhorar, pois é um trabalho constante. Alguns problemas surgem ao longo da gestão, enquanto outros, como a obra do Centro Integrado de Cultura, a falta de vagas em creche e a problemática causada pela proliferação, até 2008, dos loteamentos irregulares foram herdados de outras administrações. Mas o prefeito não pode ficar apontando o dedo para esse ou aquele ex-prefeito, pois cada um no seu tempo fez o melhor que podia. Por isso, eu abaixo a minha cabeça e trabalho. Aos poucos estamos conseguindo resolver todos esses problemas e o CIC não é diferente. Conseguimos concluir a parte externa e estamos em contato permanente com o Governo do Estado para que a parte interna seja terminada o mais breve possível. Esse é um dos compromissos do governador com a nossa cidade.
JMV – O senhor está aberto a receber representantes dos manifestantes para debater as reivindicações? De que forma isso pode ser feito?
LAÉRCIO – O prefeito é o gestor que está mais próximo da comunidade. Desde 2009 meu gabinete é aberto para receber não só quem manifesta hoje, mas para qualquer pessoa que tenha algo a dizer ao prefeito. Nós ouvimos, mas é preciso deixar claro que o prefeito não tem como resolver a maioria das reivindicações apontadas. Quem tem esse poder são, principalmente, os nossos deputados federais, senadores e o Governo Federal em geral. Por isso é tão importante votar em seu candidato de forma consciente e cobrar essa mudança de quem realmente pode fazê-la. No município, dentro de suas limitações, o prefeito tenta atender toda a comunidade da melhor maneira que pode com os poucos recursos de que dispõe.