Exemplo de dedicação à profissão
Dário Stolf produz chinelos artesanalmente, há mais de 60 anos e os vende pelas ruas de Timbó, …
CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV
RIO DOS CEDROS – Quem já viu, todos os sábados de manhã, um italiano magrinho, pedalando uma bicicleta que tem em sua garupa uma caixa contendo chinelos feitos artesanalmente? Esse senhor de 82 anos, natural de Rodeio e que reside há mais de 50 anos em Rio dos Cedros, chama-se Dário Stolf e é um antigo sapateiro da região. Ele está há mais de 60 anos trabalhando na fabricação de chinelos de couro, masculino e feminino, artesanalmente. Stolf reside em uma pequena casa na rua 1º de Maio, em Rio dos Cedros e tem sua oficina de produção de chinelos nos fundos da residência. Em entrevista a redação do JMV, ele conta que aprendeu a fazer chinelos vendo um amigo produzir as peças artesanalmente. “Primeiro eu fazia os calçados chamados de ponto esteira que não tinham nenhum prego, utilizando na época couro de bezerro, para o solado”, conta Stolf ao afirmar que agora tudo é diferente.
Em sua oficina Stolf tem diversos moldes de pés, todos de madeira, para fazer os diferentes tipos e tamanhos de chinelos. “Os moldes são comprados em São João Batista”, observa o artesão ao contar que desde que começou vende os seus produtos de casa em casa, sempre de bicicleta. “Nunca tive um veículo e nem tenho Carteira de Habilitação para dirigir, pois a minha vida inteira tenho como companheira a minha bicicleta”, relata ele orgulhoso por ainda poder fazer o trajeto de Rio dos Cedros á Timbó todos os sábados de manhã. “Circulo pelas diversas ruas da cidade de Timbó, onde tenho muitos clientes que além de comprar os meus chinelos também aproveitam para mandar calçados juntos para que eu faça pequenos reparos e os devolva no outro sábado”, relata ele.
Questionado sobre a forma de confecção dos chinelos, Stolf mostra como faz. “Primeiro escolhe-se o molde do solado e com uma fôrma de ferro corta-se o solado na máquina denominada de ‘balancin’, depois costura-se o couro e os demais artefatos para produzir o chinelo em uma máquina de costura comum”, explica ele ao contar que além dos chinelos também produz sandálias e conserta diversos tipos de calçados.
Stolf é casado e tem dois filhos e sempre sustentou a família com a venda dos calçados fabricados em sua oficina. Hoje ele está aposentado, mas continua na função, pois o salário que recebe mal dá para as despesas do mês. “É preciso seguir trabalhando até o Deus Pai nos levar, pois as coisas estão muito difíceis, tudo muito caro e o lucro da venda dos calçados é mínimo”, conta ele que comercializa chinelos femininos no valor de R$ 10,00 a R$ 15,00. Os demais tipos de calçados, chinelos e sandálias masculinas variam de preço de acordo com o produto utilizado para a sua fabricação. “Tenho chinelos masculinos que são de couro puro”, afirma ele.
Ao entrar em sua oficina podemos ver diversos pares de chinelos e sandálias, todos em diferentes estilos e formatos. Questionado sobre os modelos que produz, com um sorriso humilde Stolf diz: “Eu invento para deixar mais bonito. Nos chinelos das mulheres coloco florzinhas para enfeitar e chamar a atenção, isso vende mais”, confessa ele.
Stolf conta que o material utilizado na fabricação dos chinelos e sandálias é adquirido no comércio de Timbó. “Quando vou no sábado vender já aproveito e compro o que vou precisar para a semana”.
História
A profissão de sapateiro sobreviveu ao longo dos tempos passando de geração em geração. Antigamente os sapateiros, além de consertar sapatos, tinham essencialmente que fazê-los. A profissão de sapateiro apesar de rara, é ainda exercida por muitos espalhados pelo mundo afora. Embora estejamos no século 21, época em que as pessoas, perante um par de sapatos descosturados ou apenas descolados os jogam fora, ainda existe quem procure aquele que tem mãos sábias e que faz renascer algo que por momentos "perdeu a vida".
Por muito tempo, os sapateiros continuaram trabalhando de forma artesanal. Na idade moderna, surgem e crescem o número de indústrias produtoras de sapatos. Hoje, os sapateiros artesanais têm que disputar com as grandes indústrias de calçados ou trabalham apenas com pequenos reparos.
O primeiro sapato – O primeiro calçado foi registrado na história do Egito, por volta de 2000 a 3000 a.C. Trata-se de uma sandália, composta por duas partes, uma base, formada por tranças de cordas de raízes como, cânhamo ou capim, e uma alça presa aos lados, passando sobre o peito do pé.





