Uma profissão que se perde com o tempo
Harold Schneider aprendeu o trabalho de marceneiro vendo o seu avô fazer rodas de carroça …
CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

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TIMBÓ – Harold Schneider, 78 anos, morador da Mulde desde quando nasceu. Nunca se casou e vive hoje na residência de seus familiares, juntamente com sua irmã Lucie Schneider, de 76 anos. Ambos trabalham ainda na lavoura cuidando do gado, plantando milho e batatas para o sustento dos animais. Mas, Harold não viveu e não vive apenas com o trabalho da lavoura, ele também tem uma profissão: ele fazia e ainda faz rodas para carroças. Essa profissão é muito conhecida pelos nossos pais e avôs, pois com certeza muitos andaram ou viram pessoas andando nas carroças de boi e de cavalo.
O morador da Mulde conta que aprendeu a fazer as rodas de carroça vendo apenas o seu avô, August Schneider fazer. “O meu avô fazia muitas rodas de carroça na época que eu era pequeno e meu pai não tinha interesse em aprender mas eu gostava de ver ele cortando a madeira, desenhando o formato e montado as peças todas, sem usar nenhum prego, apenas a madeira forjada e cortada com os devidos encaixes”, relata Schneider ao lembrar que quando tinha 20 anos assumiu os serviços antes feitos pelo seu avô, que dedicava-se a profissão de marceneiro desde quando chegou na localidade da Mulde.
Schneider conta que seu avô ficou doente e não podia mais trabalhar com a madeira, então ele resolveu ajudar. “Eu tinha a lenha e o valor cobrado pelas rodas prontas ajudava na manutenção da propriedade”, observa ele.
Questionado sobre o número de rodas de carroça que produziu, Schneider olha para o horizonte e diz com altivez: “Não me lembro quantas construí, mas lembro que foram muitas pois tive que investir na aquisição de ferramentas especiais para agilizar o trabalho”, relata ele mostrando em seu galpão peças como a fita serra, as facas especiais, as lixas, moldes de peças, entre outros. Ela afirma que somente fazia a parte de madeira da roda de carroça, o ferro que é encaixado era feito em uma ferraria.
Além do “dom” que recebeu para trabalhar com madeira, Schneider também foi aprimorando suas técnicas de trabalho. “Para fazer a roda da carroça não usamos nenhum tipo de prego ou parafuso. Trabalho com a técnica do malhete, onde a madeira é encaixada ao invés de pregada ou colado, o que dá uma garantia de durabilidade bem maior a roda”, observa ele. Schneider também conta que a madeira usada para fazer as peças são as mais duras, como de canela e aripa.
Hoje, o morador com 78 anos afirma que não faz mais rodas de carroça como antigamente, apenas realiza consertos e constrói rodas para enfeite, onde são colocados bicos de luz e arrumados em áreas de festas ou em ambientes mais rústicos. “Atualmente não se tem muito o que fazer, pois os agricultores, que também diminuíram na região, na sua maioria não utilizam-se mais de carroças, pois adquiriram as tobatas”, comenta ele ao afirmar que a profissão vai morrer com ele, pois como não teve filhos não propagou a tarefa de fazer rodas de carroça para outras gerações, até porque as máquinas com seus motores chegaram e tomaram o lugar dos equipamentos mais braçais.




