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sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Vaquinha solidária ajuda filho a cuidar da mãe após AVC

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Há histórias que não pedem atenção: elas tocam. A de Valmor Vicente é uma delas. Compartilhar essa dor não foi uma escolha fácil. Ao tornar pública a realidade da própria casa, Valmor abre as portas da sua rotina e convida a comunidade a conhecer não apenas um pedido de ajuda, mas uma história de amor, resistência e dignidade. No centro dela está sua mãe, Virma Gonçalves da Luz Vicente.
Desde maio de 2023, a vida da família mudou completamente. Naquela data, aos 56 anos, Virma sofreu um AVC hemorrágico grave. Foi atendida inicialmente no Hospital e Maternidade Oase, em Timbó, e transferida ao Hospital Santa Isabel, onde passou por cirurgia cerebral. O que veio depois transformou cada dia em um novo desafio.


Antes do AVC, Virma era sinônimo de movimento. Dona de casa, cuidadora da família, também realizava trabalhos como freelancer na limpeza e na organização de hortas em unidades de Saúde. Era ativa, independente, presente. “Minha mãe fazia tudo sozinha. Estava sempre em atividade”, recorda o filho.


As sequelas deixadas pelo AVC, no entanto, foram profundas. Hoje, Virma é tetraplégica, não fala, não se alimenta pela boca e depende de sonda enteral, traqueostomia e fraldas de uso contínuo. A vida passou a exigir cuidados permanentes, dia e noite. Há períodos de estabilidade, mas também recaídas frequentes, especialmente ligadas ao sistema respiratório e às infecções urinárias.


Os dias são marcados por uma rotina silenciosa e constante: troca de fraldas, preparo de dietas, higiene corporal, cuidado com a traqueostomia, aspiração, medicação rigorosa e monitoramento contínuo. Tudo isso acontece em uma casa simples de madeira, no bairro Pomeranos, sem adaptações estruturais, onde o cuidado precisa se reinventar todos os dias.
Essa missão é dividida entre Valmor e o pai, de 74 anos. Idoso, cardíaco, com pressão alta e dores musculares, ele auxilia como pode, preparando dietas e cuidando das roupas e dos lençóis. O peso, porém, é grande, para ambos.


A família não conta com rede de apoio fixa, além do auxílio básico oferecido pelos serviços públicos. Valmor é o caçula de 12 irmãos e, apesar da família numerosa, ficou praticamente sozinho para sustentar os cuidados e a organização da casa.
Os custos mensais são inevitáveis. Fraldas, equipos, frascos, sondas de aspiração traqueal, gazes, lenços umedecidos e medicamentos de uso contínuo somam entre R$ 1.000 e R$ 1.518 por mês. Neste momento, a urgência maior está na compra de remédios e insumos hospitalares, essenciais para manter a estabilidade da mãe.


Além da sobrecarga física e financeira, Valmor enfrenta uma batalha silenciosa. Ele convive com transtorno de personalidade borderline, condição que tem agravado ainda mais a rotina. O acompanhamento psicológico necessário não acontece de forma regular pela rede pública, o que torna o enfrentamento diário ainda mais difícil.


Ainda assim, Valmor segue. Segue por amor. Segue por cuidado. Segue porque desistir não é opção.
A vaquinha solidária surge como uma tentativa de manter o essencial funcionando: os cuidados da mãe, as contas da casa e a esperança de dias menos sufocantes. “Essa ajuda permitiria organizar a vida, manter o tratamento e respirar um pouco mais tranquilo”, resume.


A iniciativa busca mais do que arrecadar recursos. Ela lança luz sobre uma realidade vivida por tantas famílias que cuidam, em silêncio, longe dos holofotes, sustentadas apenas pelo afeto e pela persistência.
E lembra que, às vezes, ajudar é simplesmente estender a mão.

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