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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Renê Reetz conquista o cume do Aconcágua e transforma sonho em jornada de vida

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Há conquistas que não cabem apenas em números, metros ou altitudes. Elas moram no silêncio da respiração contida, no frio que corta a pele, no pensamento que insiste em lembrar de casa quando o corpo pede pausa. Foi assim que o empresário timboense Renê Reetz, 39 anos, escreveu um capítulo marcante de sua história ao alcançar o cume do Aconcágua, a 6.961 metros de altitude, após 12 dias de ascensão. Uma conquista que vai além da montanha e fala de propósito, família e superação.

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Nascido e criado em Timbó, Renê se define, antes de tudo, como alguém profundamente ligado à sua cidade, à família e ao esporte. Casado e pai de dois meninos, ele sempre encontrou no movimento uma forma de estar no mundo. Representou o município no futebol amador, passou pelo mountain bike e, há cerca de três anos, descobriu no montanhismo não apenas um esporte, mas uma nova maneira de viver experiências intensas — muitas delas compartilhadas com a esposa e até com os filhos.

O primeiro contato com as montanhas surgiu quase por acaso, a partir do convite de um amigo para trilhas na Serra do Mar, no Paraná. O que começou como curiosidade logo se transformou em paixão. A cada nova rota, a cada cume alcançado, crescia o desejo de ir além. E, entre todos os sonhos, um se impôs com força: o Aconcágua.

Preparação: corpo, mente e confiança

A preparação específica para o maior desafio da América do Sul teve início cerca de quatro meses antes da expedição, mas, na prática, foi construída ao longo de toda uma vida ligada ao esporte. Renê conta que essa base foi fundamental para suportar a intensidade dos treinos, que envolveram musculação, corrida — com treinos específicos orientados pelo professor Carlos Morastoni — e longas caminhadas com mochila cargueira aos finais de semana.

Mais do que condicionamento físico, a preparação incluiu acompanhamento médico, especialmente cardiológico, escolha criteriosa de equipamentos e reuniões constantes com a equipe da agência Soul Outdoor, de Curitiba, responsável por guiar a expedição. Ao seu lado, guias experientes, como Pedro Hauck, garantiram segurança e orientação em cada etapa.

Mesmo sem ter escalado antes outra montanha de grande altitude — o que normalmente é recomendado — Renê confiou nas avaliações profissionais e no próprio preparo. Antes disso, acumulou experiências em trekkings como o Complexo do Marumbi, Pico Paraná e Pico da Bandeira, que ajudaram a formar resistência, mas não anteciparam o que estava por vir.

A montanha que impõe limites

No Aconcágua, o desafio se revelou muito maior do que o imaginado. A altitude, com apenas cerca de 40% do oxigênio disponível no cume, cobrou um preço alto do corpo e da mente. A aclimatação foi lenta, exigindo ajustes constantes de ritmo e decisões difíceis, sempre em diálogo com os guias.

O frio intenso, o vento, a lentidão dos movimentos e os dias prolongados de desconforto testaram não apenas os músculos, mas a força emocional. “Foi muito mais difícil do que eu poderia imaginar”, admite. O que o manteve em pé quando o corpo queria parar foi o apoio do guia e o pensamento constante na família — uma fonte de força silenciosa, mas poderosa.

Ao chegar ao cume, o esgotamento era tão grande que quase não houve reação imediata. O momento foi de profunda emoção, gratidão e euforia contida. Ali, no ponto mais alto das Américas, Renê sentiu uma conexão intensa com tudo o que o levou até ali: a cidade, a família, as escolhas, os sacrifícios.

Timbó, família e o caminho de volta

Mesmo tão distante, Timbó esteve presente em cada passo. Na solidão da montanha, a lembrança da cidade onde nasceu e cresceu, do lar e das pessoas queridas, trouxe conforto em meio ao cenário extremo. A esposa foi sua base emocional durante toda a jornada, especialmente nos momentos em que desistir parecia uma opção real.

As mensagens de apoio recebidas à distância tornaram a conquista ainda mais especial. Saber que tantas pessoas acompanhavam, torciam e enviavam palavras de incentivo ajudou a transformar a experiência em algo coletivo, compartilhado.

Na descida — fase considerada tão ou mais perigosa que a subida — o cuidado se redobrou. Com o corpo já exausto, manter o foco e respeitar os limites foi essencial. “O topo da montanha é só metade do caminho. Voltar em segurança é obrigatório”, reforça.

Uma jornada que continua

O Aconcágua começou como um objetivo específico, mas terminou como o início de uma nova etapa. Renê já não vê o montanhismo de alta altitude como um episódio isolado, e sim como uma jornada contínua. Ainda é cedo para definir o próximo destino, mas a América do Sul, com suas montanhas desafiadoras, já desponta no horizonte.

A mensagem que ele deixa é clara e inspiradora: acreditar no processo. Grandes desafios exigem preparo, paciência, disciplina e respeito aos próprios limites. Não se vencem de um dia para o outro, nem se medem apenas pelo topo alcançado. “O cume é importante, mas o verdadeiro crescimento acontece no caminho.”

E foi exatamente esse caminho — feito de esforço, silêncio, saudade e amor — que transformou a conquista de Renê Reetz em uma história que ecoa muito além da montanha.

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