Silenciosas no início, mas potencialmente graves, a dengue, a zika e a chikungunya são doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti e seguem exigindo atenção constante da população e das autoridades de saúde. Em comum, elas compartilham a mesma forma de transmissão e um cenário que se intensifica nos meses mais quentes, quando calor e chuvas criam o ambiente ideal para a proliferação do mosquito. Prevenir continua sendo a principal forma de proteção.
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O verão de 2026 começa com o Brasil em estado de alerta. Embora os números indiquem uma redução pontual de casos em comparação ao mesmo período de 2024, a circulação dos vírus permanece ativa e desigual pelo território nacional. Em algumas regiões, os registros seguem elevados, pressionando os serviços de saúde e exigindo vigilância permanente.
De acordo com o médico epidemiologista, doutor José Amaral (CRM/SC 22091 | RQE 13074), o cenário atual reflete um comportamento já conhecido da dengue no país. “O Brasil registra quedas momentâneas, mas mantém a circulação de diferentes sorotipos do vírus. Isso acontece há décadas. Não significa que o risco passou — ele apenas muda de intensidade”, explica.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre as semanas epidemiológicas 1 e 9 de 2025 — período que corresponde, em geral, aos meses de janeiro e fevereiro — foram registrados mais de 490 mil casos prováveis de dengue no país. No mesmo intervalo de 2024, o número ultrapassava 1,6 milhão, indicando uma redução aproximada de 69%. Ainda assim, especialistas reforçam que esses números não devem gerar sensação de segurança.
“A dengue é cíclica. Muitas vezes, o que vemos é apenas uma pausa temporária. O mosquito continua presente, o vírus segue circulando e o risco permanece alto, especialmente em áreas urbanas”, alerta o epidemiologista.
Um desafio que se amplia
As mudanças climáticas, com temperaturas médias mais elevadas e chuvas irregulares, somadas ao crescimento urbano sem infraestrutura adequada, têm ampliado as áreas de transmissão. Regiões que antes registravam poucos casos passaram a conviver com surtos recorrentes. Falhas no saneamento básico, acúmulo de lixo e água parada seguem como fatores decisivos para a manutenção dos criadouros.
“Hoje, a dengue deixou de ser apenas um problema sazonal. Tornou-se um desafio estrutural de saúde pública”, destaca o especialista.
Vacina representa avanço, mas não solução única
Um marco importante foi a aprovação, em 2025, da vacina Butantan-DV pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Desenvolvida pelo Instituto Butantan, é o primeiro imunizante contra a dengue em dose única e de produção nacional, autorizado para pessoas de 12 a 59 anos. A expectativa é de que seja incorporado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) a partir de 2026.
Nos estudos clínicos, a vacina apresentou eficácia de cerca de 74,7% contra a dengue sintomática e alta proteção contra formas graves da doença. “É uma ferramenta extremamente importante, capaz de reduzir internações e mortes. Mas não é a solução definitiva. Ela não substitui o combate ao mosquito”, reforça Dr. Amaral.
Cuidado coletivo salva vidas
Mesmo com o avanço da vacinação, as ações básicas seguem indispensáveis: eliminar recipientes com água parada, permitir o acesso das equipes de vigilância aos imóveis e procurar atendimento médico ao surgirem os primeiros sintomas, como febre alta, dor no corpo e mal-estar.
O enfrentamento às arboviroses exige constância, consciência e união. “O controle da dengue só acontece com ação conjunta e permanente. Poder público e população precisam caminhar juntos, não apenas nos momentos de crise, mas todos os dias”, conclui o especialista.
Em um verão que convida ao cuidado e à responsabilidade coletiva, cada gesto conta. Prevenir é um ato de atenção consigo mesmo e com toda a comunidade.




