Há sons que não se escutam apenas com os ouvidos. Alguns se revelam no olhar, nas cores que dançam sobre a tela e nos traços que parecem seguir o compasso de uma melodia silenciosa. É nesse encontro delicado entre música e pintura que o Museu da Música de Timbó convida o público a mergulhar na exposição temporária “A Mulher em Conexão com a Música”, aberta no dia 7 de março e que segue em visitação até 10 de junho.
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A mostra reúne obras das artistas Bruna Nicole Tafner Pasqualini, Bernardete Petermann e Teresa Cristina Zimmermann, três trajetórias que, embora distintas, compartilham um mesmo pulsar criativo: transformar sentimentos e sonoridades em linguagem visual.


Em cada tela, a música parece respirar. As cores sugerem harmonia, os movimentos das pinceladas evocam ritmo e as formas revelam pausas, intensidades e emoções que lembram uma partitura invisível. Mais do que representar instrumentos ou músicos, as artistas traduzem a própria essência da musicalidade — aquela que se sente antes mesmo de ser compreendida.
A proposta da exposição também aproxima duas linguagens que fazem parte da identidade do espaço cultural: a música e as artes visuais. Ao mesmo tempo, valoriza o olhar feminino na criação artística, destacando mulheres que encontram na pintura uma forma sensível de interpretar o universo sonoro.
Durante a visita, o público pode ainda conhecer painéis informativos que ampliam o diálogo entre arte e musicalidade ao longo da história. Entre as referências estão nomes marcantes da arte, como Artemisia Gentileschi, cuja pintura barroca é reconhecida pela intensidade dramática, e Rachel Ruysch, artista holandesa que organizava formas e cores com ritmo e precisão quase musicais.
A exposição também menciona artistas que exploraram a relação entre som, cor e espiritualidade, como Hilma af Klint, pioneira da abstração, além de criadoras contemporâneas como Melissa McCracken, conhecida por transformar sons em composições cromáticas, e Kim Gordon, cuja trajetória transita entre música e artes visuais.
No cenário brasileiro, o percurso histórico evoca nomes fundamentais do modernismo, como Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, artistas que, em diferentes momentos, dialogaram com ritmo, movimento e musicalidade em suas obras, refletindo aspectos da identidade cultural do país.
A abertura da exposição, realizada no dia 7 de março, foi marcada por um momento especial de encontro entre arte e música. O público foi recebido com uma apresentação da professora Adriane Fachi e de suas alunas, que interpretaram peças em flauta doce, criando uma atmosfera sensível onde sons reais e imagens que parecem cantar se encontraram.

Após a apresentação, visitantes, artistas e convidados participaram de um coquetel de confraternização, transformando o espaço do museu em um ambiente de partilha, contemplação e diálogo sobre a arte.
Mais do que uma exposição, “A Mulher em Conexão com a Música” é um convite à escuta sensível — aquela que acontece com os olhos e ecoa no coração. Entre cores, melodias imaginadas e histórias que atravessam o tempo, a mostra revela que, quando a arte nasce da sensibilidade feminina, cada obra pode se transformar em uma verdadeira sinfonia visual.
A exposição permanece aberta para visitação até 10 de junho, no Museu da Música de Timbó, localizado na rua Edmund Bell, 30, bairro Dona Clara.
Visitar a mostra é como percorrer uma delicada partitura de cores, onde cada tela revela uma melodia silenciosa e cada olhar descobre uma nova forma de ouvir a arte.





