Há histórias que permanecem vivas no cheiro da madeira, no som das ferramentas e nas marcas deixadas pelas mãos do tempo. Em Timbó, a família de Erwin Butzke transformou a herança da marcenaria em um projeto artesanal carregado de memória, afeto e identidade. Há cinco anos, essa conexão familiar ganhou ainda mais significado por meio da marca FEITONÓ, criada para valorizar o trabalho manual e as lembranças construídas a gerações.
Em entrevista à redação do Jornal do Médio Vale (JMV), Elizabeth Butzke, filha de Evany e Adimar Butzke, relata que “a ligação da família com a madeira atravessa mais de um século. Em 1899, o bisavô iniciou a produção das primeiras peças artesanais no município. Desde então, o ofício foi sendo transmitido entre gerações, ajudando a construir parte da tradição da marcenaria em Timbó”.
Atualmente, segundo Elizabeth, “mesmo aposentado, o pai segue mantendo uma pequena marcenaria em casa. Aos 76 anos, ainda desenha móveis de forma tradicional, utilizando lápis 2B e papel manteiga, preservando técnicas aprendidas ao longo da vida. Já a mãe, aos 75 anos, é responsável pelo ateliê de pintura e acabamentos, contribuindo diretamente para o trabalho artesanal desenvolvido pela família”.
Uma infância marcada pelo “cheiro de cavaco”
A criadora do projeto, Elizabeth, cresceu cercada pela rotina das marcenarias da família Butzke. Parte da infância foi vivida na casa dos avós paternos, junto ao ambiente de trabalho, onde a madeira fazia parte das brincadeiras, das descobertas e da convivência diária. O chamado “cheiro de cavaco” se transformou em uma lembrança afetiva que permanece até hoje.
A ideia de criar o projeto surgiu justamente da observação do trabalho dos pais e da relação construída com a madeira ao longo da vida. Tábuas antigas, pedaços esquecidos e materiais aparentemente sem valor passaram a ganhar novos significados. Ao serem lixados e trabalhados, revelavam texturas, desenhos naturais e detalhes únicos.
De acordo com Elizabeth, a história da família também se conecta ao desenvolvimento da indústria moveleira local. Empresas tradicionais criadas pelos antepassados ajudaram a fortalecer a marcenaria no município, mesmo que atualmente não possuam mais ligação com os familiares. O legado, porém, segue vivo na valorização do trabalho manual e no cuidado com cada peça produzida.

Peças que carregam memória e afeto
Mais do que objetos decorativos, as criações produzidas pela família buscam despertar sentimentos e resgatar memórias afetivas. Cada peça é desenvolvida de forma artesanal, valorizando materiais naturais, simplicidade e momentos de convivência em família.
Elizabeth afirma que a madeira é vista como um material vivo, marcado por imperfeições que tornam cada criação exclusiva. Veios, cores, texturas e pequenas marcas naturais fazem parte da identidade de cada peça, reforçando a proposta de enxergar beleza justamente naquilo que é único e imperfeito.
Ao longo dos últimos cinco anos, o projeto ampliou o portfólio de produtos e passou a atuar tanto no ambiente on-line quanto em espaço físico. Mesmo com o crescimento, a família Butzke busca preservar a essência do trabalho artesanal, mantendo proximidade com os clientes e valorizando o cuidado em cada etapa da produção.
Mais do que construir uma marca, a proposta é manter viva uma história familiar centenária, transformando a madeira em continuidade, pertencimento e memória para as próximas gerações.




