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Fé, trabalho e família marcam os 100 anos de Magdalena Campestrini

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Entre lembranças de uma infância simples, cartas escritas à mão e mensagens enviadas hoje pelo celular, dona Magdalena Campestrini atravessou um século de transformações sem perder aquilo que considera essencial: a fé, a família e o amor pela vida. Aos 100 anos, celebrados no dia 23 de maio, ela reuniu filhos, netos, bisnetos, tataraneto,  amigos e a comunidade em uma emocionante missa em ação de graças na Igreja Matriz São Roque, em Benedito Novo.

A celebração, presidida pelo padre Alexsandro Valdir Borges, transformou a manhã em um encontro de memórias, gratidão e homenagens. Em cada gesto, canto e oração, a trajetória da matriarca foi sendo lembrada como parte da própria história da comunidade.

Nascida em Ascurra, em 23 de maio de 1926, Magdalena Dalfovo cresceu em uma família de comerciantes. Ainda muito jovem, viu a vida mudar com a perda precoce do pai, vítima de tifo, quando tinha apenas 13 anos. Desde cedo, aprendeu a dividir o tempo entre o trabalho, a fé e os cuidados com a família — ensinamentos que carregou por toda a vida.

Religiosa e profundamente ligada à igreja, participou do grupo Filhas de Maria e manteve, ao longo das décadas, o hábito diário da oração do terço. Uma fé silenciosa, mas constante, que atravessou gerações e se tornou herança para filhos, netos e bisnetos.

Uma vida construída com coragem e trabalho

Foi durante as visitas à irmã mais velha, na localidade de Santa Maria, que Magdalena conheceu Marcelo Severino Campestrini, homem com quem construiu sua família e sua trajetória em Benedito Novo. O casamento aconteceu em 1950 e, após a união, o casal passou a morar em Rio Tigre, no então distrito do município.

A mudança para o interior trouxe novos desafios. Em uma época de poucos recursos e estradas difíceis, Magdalena precisou aprender a transformar dificuldades em força. Foi em Rio Tigre que nasceram os cinco primeiros filhos: Ada, Áurea, Arildes, Arli e Antônio.

Ao mesmo tempo em que cuidava da casa e da família, atuava como professora multisseriada, ensinando crianças de diferentes idades em uma realidade onde o acesso à educação era limitado. Com paciência e dedicação, ajudou a alfabetizar gerações e se tornou referência de compromisso com o ensino na comunidade.

A participação ativa na vida religiosa também marcou essa fase. Magdalena esteve envolvida na comunidade local e colaborou com a fundação da Capela São Sebastião, fortalecendo os laços de união e fé entre os moradores.

Em 1958, a família mudou-se para o centro de Benedito Novo. Lá nasceram os dois filhos mais novos, Anita e Arlete, já falecida. Foi também nessa época que Magdalena e o esposo iniciaram uma pequena fábrica de balas e o comércio da família, negócios que cresceram ao longo dos anos e se tornaram conhecidos na cidade.

À frente do seu tempo, Magdalena ficou lembrada pelo espírito empreendedor e pela coragem. Não hesitava em dirigir jipes para transportar e vender as balas produzidas pela família, enfrentando estradas difíceis e desafios diários com determinação rara para a época.

Fé que atravessa gerações

Viúva desde 1987, Magdalena permaneceu ainda mais próxima da família e da comunidade. Participou ativamente do Clube de Mães Amor Perfeito por mais de 35 anos e seguiu cultivando aquilo que sempre considerou essencial: a oração, os encontros familiares e o cuidado com as pessoas.

Entre tantas transformações vividas em um século — “das cartas escritas à internet”, como resume a própria família — ela acompanhou as mudanças do mundo sem perder a simplicidade. Hoje, aos 100 anos, continua usando o celular diariamente para enviar mensagens e felicitações aos aniversariantes da família.

Quando fala sobre felicidade, dona Magdalena não cita riquezas nem conquistas materiais. O que mais a emociona é ver a família reunida, saudável e construída sobre valores que considera indispensáveis: fé, honestidade e amor.

“Ter fé e acreditar que amanhã é um novo dia para ser vivido”, resume ao falar sobre o segredo da longevidade. Outro hábito que nunca abandonou foram as orações diárias, prática que segue mantendo como parte essencial da rotina.

A missa de ação de graças contou com a participação do Coral da Igreja São Roque, homenagens emocionantes dos filhos, netos e bisnetos e momentos de profunda gratidão durante toda a celebração. Para a família, foi uma manhã inesquecível — não apenas pela marca dos 100 anos, mas pela oportunidade de celebrar uma vida que ajudou a construir parte da história de Benedito Novo.

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