Há pessoas que correm atrás de medalhas. Outras correm porque encontraram, no movimento, uma forma de continuar acreditando na vida. Aos 64 anos, Marlene Vicente Schubert carrega nas pistas muito mais do que velocidade: leva consigo uma trajetória construída com disciplina, fé e coragem.
Natural de Benedito Novo e moradora de Timbó desde os 11 anos, Marlene transformou o atletismo em parte da própria essência. Entre madrugadas de treino, o vento no rosto e quilômetros percorridos ao longo da vida, encontrou na corrida não apenas um esporte, mas um refúgio, uma conexão espiritual e um propósito.
Dos primeiros passos nas competições regionais do Vale do Itajaí aos pódios mundiais do atletismo master, a atleta construiu uma história marcada pela persistência. Mesmo diante de lesões graves, pausas e recomeços, nunca deixou de acreditar que sempre existe uma nova largada esperando logo adiante.


Foi ainda na infância, sob orientação do professor Vailatti, que Marlene começou nas pistas. Participou de competições regionais e conquistou vaga para os Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC) nos 1.500 metros. Mais tarde, interrompeu os treinos para trabalhar na Metisa e se dedicar à família, mantendo apenas a participação nos jogos entre empresas.
O retorno ao esporte aconteceu em 2013, aos 52 anos, quando passou a disputar corridas de rua. Vieram os primeiros pódios e resultados importantes, incluindo conquistas na Maratona Internacional de Florianópolis.
Com a pandemia, Marlene voltou o foco para as provas curtas de pista na categoria master e começou a acumular recordes estaduais, nacionais e sul-americanos nos 100, 200 e 400 metros.
Superação dentro e fora das pistas
Em 2021, a atleta enfrentou um dos momentos mais difíceis da trajetória. Após sofrer uma grave fratura na coluna, nas vértebras L2 e C4, precisou usar colete ortopédico e interromper os treinos por meses.
A recuperação, porém, tornou-se mais uma prova de resistência. Assim que retirou o colete, retomou aos poucos a rotina de caminhadas e treinamentos até voltar às competições. O retorno foi marcado por grandes conquistas. Em 2022, no World Masters Athletics Championships, na Finlândia, conquistou o título mundial nos 400 metros e foi vice-campeã nos 100 e 200 metros.
Na sequência, brilhou no Campeonato Sul-Americano Master, na Colômbia, em 2023, conquistando ouro nas provas individuais e nos revezamentos. Em 2024, voltou ao pódio no Mundial da Suécia e, em 2025, garantiu novos títulos no Sul-Americano realizado no Chile. Além das competições internacionais, também soma títulos nos Jogos Abertos da Terceira Idade (JASTI).
Mais do que resultados, Marlene define a corrida como uma conexão com Deus e consigo mesma. A rotina inclui treinos diários na pista e na academia, além de alimentação equilibrada, hidratação e descanso. “Eu gosto do vento no rosto, gosto de levantar cedo para treinar. Quando corro, sinto comunhão com Deus”, afirma.
Agora, a atleta se prepara para o Campeonato Mundial de Atletismo Master de 2026, em Daegu, na Coreia do Sul, onde pretende disputar novamente os 100, 200 e 400 metros.
Para Marlene, não existe resultado sem dedicação. “Tudo o que você faz focado traz resultados positivos. Não existe participar sem treinar”, resume.
Defensora do esporte em qualquer idade, ela acredita que a atividade física representa saúde, disposição e qualidade de vida. E deixa um conselho simples para quem deseja começar: “Saia do sofá e vá para a pista, para a rua, para a academia. O exercício físico traz alegria e saúde”.



