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Entre Indaial e Munique: a trajetória de Mey Füchter entre sonhos, teatro e dois lares

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Há 15 anos, a indaialense Mey Füchter, hoje com 38 anos, embarcou para a Alemanha com o objetivo de aprender um novo idioma e ampliar seus horizontes profissionais. O que começou como uma experiência de intercâmbio acabou se transformando em uma nova vida, construída entre desafios, descobertas e a realização de sonhos. Neste mês de junho, durante uma visita aos pais em Indaial, Mey concedeu entrevista à redação do Jornal do Médio Vale (JMV) e falou sobre sua trajetória, a adaptação ao país europeu e os projetos que vem desenvolvendo na área artística.

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Atualmente radicada em Munique, ela conta que os últimos meses foram marcados por novos desafios profissionais. Além de apresentar uma peça teatral em diferentes cidades alemãs, passou a atuar em projetos para televisão e iniciou uma nova fase como professora de teatro.

A mudança para a Alemanha aconteceu em 2011, motivada inicialmente pelos estudos em Comércio Exterior e pelo desejo de conhecer de perto as origens da família. Segundo Mey, a ideia era aprender o idioma e retornar ao Brasil com novos conhecimentos para atuar na área de negócios internacionais. Mas a vida tinha outros planos. “Quando cheguei, percebi que estava em uma cidade onde eu poderia experimentar muitas possibilidades. Aos poucos fui entendendo que meu caminho seguiria por outras direções”, relembra.

Apesar das dificuldades iniciais com o idioma, da burocracia e do rigoroso inverno alemão, a adaptação cultural aconteceu de forma tranquila. Para ela, os laços históricos e culturais compartilhados entre Santa Catarina e a Alemanha contribuíram para essa integração. O maior desafio sempre foi a distância da família e dos amigos, amenizada ao longo dos anos pela tecnologia e pela facilidade de comunicação.

A arte entre dois continentes

Se a Alemanha se tornou o lugar onde construiu sua vida adulta, foi também lá que Mey encontrou espaço para desenvolver sua carreira artística. Hoje, ela divide sua rotina entre o teatro, projetos audiovisuais e atividades de ensino.

Durante a entrevista ao JMV, a atriz revelou que prepara uma minitemporada teatral em São Paulo entre julho e agosto e trabalha para trazer o espetáculo também para Indaial. Segundo ela, uma reunião recente com a professora, diretora teatral e coordenadora do Festival de Teatro de Indaial, Liziane Largura, abriu caminhos para que o projeto possa ser apresentado no município.

Ao comparar os cenários culturais do Brasil e da Alemanha, Mey observa que ambos possuem burocracias, mas percebe maior facilidade na obtenção de apoio para projetos culturais no país europeu.

“Na Alemanha, projetos pequenos também recebem oportunidades para crescer. Muitas vezes, o incentivo chega antes do reconhecimento. Isso faz diferença para quem está começando”, avalia.

Entre dois países, um só coração

Depois de uma década e meia vivendo fora do Brasil, Mey acredita que a experiência internacional trouxe aprendizados valiosos. Entre eles, a importância de manter os pés no chão e compreender que não existem lugares perfeitos.

“Os brasileiros costumam romantizar muito a vida em outros países. Mas todos os lugares têm qualidades e problemas. O importante é construir a realidade que desejamos e participar ativamente da sociedade onde vivemos”, afirma.

Questionada sobre qual conselho daria para quem sonha em morar na Alemanha, ela é direta: preparação e informação são fundamentais. Segundo Mey, viver como imigrante exige coragem, planejamento e disposição para enfrentar dificuldades, mas também oferece oportunidades de crescimento pessoal e profissional.

Embora o coração siga ligado às lembranças da infância, à família e aos amigos que permanecem em Santa Catarina, ela reconhece que encontrou em Munique um novo lar.

“É lá que construí minha vida, onde conheci meu marido e onde realizamos nossos sonhos. Mas a saudade da família nunca desaparece. Por isso procuro trabalhar cada vez mais para poder voltar ao Brasil com frequência e estar mais perto de quem amo”, conclui.

Entre dois países, dois idiomas e duas culturas, Mey Füchter segue escrevendo uma história marcada pela coragem de partir sem deixar de carregar consigo as raízes que continuam ligando seu coração a Indaial.

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