Aprender a valorizar o passado para construir um futuro melhor. Foi com esse propósito que a Unidade de Educação Infantil Jaqueline Aparecida Trapassoli Guimarães, de Indaial, desenvolveu um projeto que une educação financeira, história regional e formação de valores. A iniciativa resultou no lançamento do gibi “Heranças Culturais e Econômicas dos Tropeiros e Imigrantes entre os séculos XX e XXI”, apresentado durante um evento realizado na noite de terça-feira, dia 23 de junho, na loja Nó de Pinho, em Timbó.
O projeto integra a metodologia DSOP (Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Planejar), criada pelo PhD Reinaldo Domingos e adotada pela Prefeitura de Indaial em algumas unidades escolares. Na UEI Jaqueline Aparecida Trapassoli Guimarães, o trabalho foi desenvolvido com a turma do Pré II, sob a orientação da professora Andressa Eduarda Malkovski Moser.
A proposta foi além dos conceitos tradicionais da educação financeira. Por meio do subtema “Tropeiros e Imigrantes: Heranças Culturais e Econômicas entre os séculos XX e XXI”, as crianças conheceram histórias de pessoas que ajudaram a construir a região e deixaram importantes legados de trabalho, perseverança e realização de sonhos.
A equipe da Nó de Pinho, formada por descendentes de tropeiros e imigrantes, foi convidada a participar do projeto justamente por preservar e valorizar essas raízes culturais. Como resultado da parceria, foi produzido um gibi que apresenta as trajetórias de Argemiro Vicente de Macedo e Esmeralda Bernardino de Souza, representantes dos tropeiros, e de Ademar Silvio Moser e Lia Moser, representantes dos imigrantes.
Histórias que atravessam gerações
A programação teve início com a fala de Timberli Tatiane Weissemann, representante da Nó de Pinho, que destacou a importância de transmitir às novas gerações as histórias e os valores deixados pelos tropeiros e imigrantes.
Na sequência, foram apresentados os memoriais descritivos dos homenageados. A história de Argemiro Vicente de Macedo e Esmeralda Bernardino de Souza foi compartilhada por Alexcia de Souza Machado, neta do casal e integrante da Nó de Pinho. Já o legado de Ademar Silvio Moser e Lia Moser foi apresentado por uma professora da unidade escolar, neta da família homenageada.
Os relatos evidenciaram trajetórias marcadas pelo trabalho, pela superação e pelo espírito empreendedor. Enquanto os tropeiros desempenharam papel fundamental no transporte e na circulação de mercadorias pelo interior do Brasil, os imigrantes contribuíram para a formação das comunidades, o desenvolvimento da agricultura e o fortalecimento da economia regional.
Segundo os organizadores, a proposta foi mostrar às crianças que sonhos podem ser realizados por meio do planejamento, da dedicação e da persistência — princípios que fazem parte da metodologia de educação financeira aplicada no projeto.
Durante o evento, também foi realizada a entrega simbólica do primeiro exemplar do gibi à pequena Antonella, de cinco anos, bisneta de Ademar Moser, representando todas as crianças que participaram da iniciativa.
Educação financeira desde a infância
A proposta pedagógica trabalha a educação financeira de forma lúdica e acessível, incentivando as crianças a sonhar, planejar, fazer escolhas conscientes e compreender, desde cedo, a importância de evitar o consumo por impulso.
Com a comercialização dos gibis, os alunos também terão a oportunidade de colocar em prática os conhecimentos adquiridos durante o projeto. Os recursos arrecadados serão destinados à realização de sonhos coletivos escolhidos pelas próprias crianças, entre eles a aquisição de brinquedos, um passeio em um sítio e uma festa de encerramento da Educação Infantil.
Encerrando a programação, Timberli apresentou a trajetória da Nó de Pinho, empreendimento que nasceu da valorização da cultura tropeira e da imigração e que hoje é referência na comercialização de produtos coloniais, da agricultura familiar e de queijos premiados nacional e internacionalmente.
A noite foi encerrada com um coquetel preparado com produtos artesanais e sazonais, reforçando a essência do projeto: preservar a memória, valorizar aqueles que ajudaram a construir a história da região e inspirar as novas gerações a sonhar, planejar e construir o próprio futuro.








Crédito das fotos: Divulgação/Arquivo Pessoal




