Projeto ?Amar é prevenir? busca a prevenção de deficiências intelectuais
O projeto acontece no mês de agosto, mas dicas e conselhos importantes são repassados para pais e …
ALINE CHRISTINA BREHMER/ESTAGIÁRIA/JMV

TIMBÓ – Com o objetivo de disseminar informações para a sociedade em geral, principalmente a respeito dos fatores que podem provocar a deficiência intelectual – sendo alguns passíveis de prevenção – a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Timbó lança o projeto “Amar é prevenir”, que será direcionado também às cidades de Benedito Novo, Doutor Pedrinho e Rio dos Cedros – municípios para os quais a Associação presta seus serviços.
As ações acontecem em agosto, dia 21 será realizada uma caminhada e dia 26, uma palestra com o psiquiatra João Carlos Cé Bassanesi.
Tendo como principal missão ‘promover e articular ações de defesa de direito, prevenção, orientações, prestação de serviços e apoio à família, direcionadas à melhora da qualidade de vida à pessoa com deficiência’, a Apae de Timbó – em uma ação conjunta com a Federação Estadual das Apae’s do estado de Santa Catarina – percebeu uma alta demanda de encaminhamentos para seu centro, em especial, de crianças na primeira infância que apresentam atraso de desenvolvimento neuropsicomotor e outras comorbidades.
Prevenções necessárias
Segundo umas das coordenadoras do projeto, psicóloga da Apae, Simone Packer, há prevenções que devem ser tomadas. “Inicialmente, o ideal antes de engravidar, é realizar aconselhamento genético para verificar a compatibilidade do casal e as chances de gerar um bebê com alterações genéticas” explica Simone. Mas ela acrescenta que, entretanto, no Brasil, para a maioria da população este aconselhamento ainda é inviável pela escassez de profissionais na área.
A fonoaudióloga da Associação e também coordenadora, Keren Yuri Muraoka, diz que é mais acessível e essencial o acompanhamento médico, com ginecologista, antes da gestação, para verificar as condições gerais de saúde da futura mãe. “Por meio de alguns exames de sangue é possível constatar se há alterações nos hormônios da tiróide, diabetes, anemia ou outras doenças contagiosas que poderão afetar o bebê ou oferecer risco para a mulher. Bem como a verificação do quadro de vacinas”, aconselha Keren.
Orientações e cuidados durante a gestação
Se constatadas as condições positivas para uma gestação, o médico irá realizar orientações importantes e a ingestão de um complemento de ácido fólico – elemento essencial durante a formação do sistema nervoso do bebê – diminuindo assim as chances deste nascer, por exemplo, com Mielomeningocele, alteração onde a espinha do bebê não se forma totalmente, estando exposta.
“Algumas síndromes não possuem fatores específicos que as causam, tornando difícil a prevenção total, mas apresentam os chamados fatores de risco. Por exemplo, a chance de uma mãe com mais de 35 anos gerar um bebê com Síndrome de Down é maior que uma mãe com 20 anos”, analisa Simone.
Outro aspecto que deve ser considerado é o estado de saúde geral do pai que, assim como da mãe, influencia nas características genéticas e na formação do bebê. “Durante a gestação muitos cuidados devem ser tomados para evitar qualquer lesão ou prejudicar o desenvolvimento intra-uterino do bebê”, enfatiza Keren, afirmando que doenças como sífilis, herpes, toxoplasmose, rubéola, HIV e, até mesmo, infecções urinárias recorrentes são fatores de risco para a deficiência intelectual neste período.
Há também a exposição a substâncias psicoativas como fumo, álcool, outras drogas e alguns medicamentos durante a gravidez podem afetar negativamente o desenvolvimento do bebê.
Riscos no parto
e a necessidade
do aleitamento materno
É importante lembrar que situações durante o parto também podem lesionar o bebê, portanto hoje, no Brasil, é obrigatório que, no momento do parto, haja a presença do médico obstetra e do pediatra. Depois do nascimento, existem diversos exames para verificar as condições de saúde do bebê e precisam ser feitos, como teste do pezinho, teste do olhinho, o teste da orelhinha e alguns outros, todos fundamentais para diagnosticar, o mais cedo possível, qualquer dificuldade ou deficiência que o bebê possa ter.
Não deve ser esquecido que o aleitamento materno, até pelo menos os seis meses de vida, ajuda a desenvolver o sistema imunológico da criança evitando deficiências e doenças. “Durante a primeira infância, fatores ambientais influenciam o desenvolvimento da deficiência intelectual, inclusive a falta extrema de estímulos. A desnutrição é outro fator que pode acarretar em algum atraso da criança”, explica Simone. A dupla reforça que, ao menor sinal de atraso no desenvolvimento, devem ser procuradas orientações de profissionais da saúde ou da Apae mais próxima. “A prevenção de deficiências depende da conscientização de todos. O amanhã de nossos filhos depende de nossas ações de hoje”, finalizam.





