Enchentes X Política
O debate em torno de ações de combate e prevenção das cheias, em Timbó, parece estar esbarrando …
Evandro Loes
O debate em torno de ações de combate e prevenção das cheias, em Timbó, parece estar esbarrando nas disputas políticas. Uma prova dessa afirmação, é a campanha, via outdoor, espalhados pela cidade de Timbó, chamando para a frase “Desassoreamento, já!”. Que a limpeza e a dragagem dos rios e ribeirões podem contribuir para o escoamento das águas, reduzindo a possibilidade de cheias, parece ser uma medida lógica. No entanto, especialistas na área ambiental, geológica e de engenharia alertam que estas medidas podem ser até prejudiciais se não forem feitas com critérios e baseadas em estudos científicos. Manifestações nesse sentido foram feitas em duas entrevistas à imprensa regional, pelos especialistas Juarês Aumond (geólogo e doutor em desenvolvimento regional, da Furb) e o ambientalista Lauro Bacca. Ambos fizeram ressalvas sobre a questão do desassoreamento. Esta ressalva tem antecedentes mesmo aqui em Timbó. No passado, quando havia a exploração do leito dos rios para a retirada de areia, ocorreu o desmoronamento das margens, assoreando novamente os leitos, num círculo vicioso que só causou danos ambientais. O governo do Estado realizou um amplo estudo sobre a questão das cheias em todo o Vale do Itajaí. Este estudo foi transformado em projeto, cuja a nomenclatura é Jica. O projeto prevê ações diversas, entre as quais a limpeza e desassoreamento de rios em toda a bacia do Cedros e do Benedito. Construção de barragens, implantação de sistemas de alertas e controle pluviométrico. Algumas destas ações já estão em andamento, mas nas bacias hidrográficas que cortam Timbó pouco ou quase nada foi feito. Qualquer providência precisa, além dos estudos já mencionados, a participação de todos os entes federados. Um projeto sério e amplo custará uma soma elevada de recursos, que apenas um só ente não tem como arcar. O Jica tem apoio do governo Japonês. A medida mais acertada para que o combate e a prevenção das cheias seja feito, sem disputas políticas, é através de um debate público entre todas as partes envolvidas: Prefeitura, Estado, União, especialistas, empresas e a comunidade. Esta última, aliás, a única prejudicada em toda esta situação. Uma audiência pública poderia iniciar este processo.




