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Entidades empresariais e sindicatos divergem sobre proposta de redução da jornada de trabalho

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O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 ganhou força em Brasília e já mobiliza trabalhadores, empresários e lideranças sindicais em todo o país. A proposta, que prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas sem diminuição salarial, avança no Congresso Nacional e promete provocar impactos significativos nas relações de trabalho e na economia brasileira.

Com o feriado de Corpus Christi, a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi adiada no Senado. A expectativa é que a matéria volte à pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima semana, quando deverá ser definido o relator responsável pela análise do texto.

Diante da relevância do tema, a reportagem do Jornal do Médio Vale ouviu representantes do setor empresarial e dos trabalhadores para entender como a possível mudança vem sendo recebida na região.

Empresários apontam preocupação com custos e competitividade

A presidente da Associação Empresarial do Médio Vale do Itajaí (ACIMVI), Lúcia Giovanella da Silva, avalia que a redução da jornada sem uma análise aprofundada do cenário econômico brasileiro pode gerar dificuldades para as empresas.

Segundo ela, a baixa produtividade e os elevados custos de produção já representam desafios para a competitividade da indústria nacional. Além disso, observa que muitos trabalhadores da região complementam a renda por meio de outras atividades.

“Trabalhar menos sem redução salarial pode representar, em um primeiro momento, mais qualidade de vida. Porém, as pessoas estão perdendo poder de compra e acreditamos que muitos continuarão buscando formas de ampliar a renda”, afirma.

Na mesma linha, o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico do Médio Vale do Itajaí (SIMMMET), Edvaldo Angelo, considera que a redução da carga horária é uma tendência natural das sociedades modernas, mas entende que o Brasil ainda não possui as condições necessárias para implementar a mudança.

Para ele, a redução da jornada precisa estar acompanhada de ganhos de produtividade, avanços tecnológicos e redução de custos operacionais.

“O principal desafio será suportar o aumento dos custos. No meu conceito, essa decisão é prematura e seus impactos acabarão recaindo novamente sobre a população brasileira”, avalia.

Sindicatos defendem mais qualidade de vida

Do lado dos trabalhadores, a avaliação é diferente. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Timbó e Região (STIMMMET), Alfeu José Anastácio, considera o debate fundamental para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

Segundo ele, a rotina de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso afeta diretamente a saúde física e emocional, reduzindo o tempo dedicado ao lazer, ao descanso e à convivência familiar.

“Discutir novas formas de organização da jornada é essencial para construir relações de trabalho mais humanas e equilibradas. A redução da sobrecarga pode contribuir para diminuir o estresse, a ansiedade e o adoecimento relacionado ao trabalho”, afirma.

O dirigente também destacou a participação do sindicato em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, onde foram apresentados dados apontando que cerca de 1,25 milhão de trabalhadores catarinenses seriam diretamente beneficiados pela mudança na jornada de trabalho.

Impactos no setor têxtil

Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Timbó e Região (Sinteve), Elfi Lemke, a proposta tem impacto ainda mais significativo para as mulheres que atuam no setor têxtil.

Ela destaca que grande parte da categoria é composta por trabalhadoras que enfrentam uma tripla jornada, dividindo o tempo entre o trabalho nas fábricas, os cuidados com a casa e a atenção aos filhos.

“A redução da jornada significa mais tempo para a família, para o descanso e para a recuperação física e mental. Acabar com a escala 6×1 não é apenas garantir um dia livre a mais, mas devolver às trabalhadoras o direito de acompanhar o crescimento dos filhos e viver com mais qualidade de vida”, afirma.

A dirigente também chama atenção para o aumento dos casos de lesões por esforço repetitivo, transtornos de ansiedade, depressão e síndrome de burnout registrados no setor.

Segundo ela, experiências internacionais demonstram que jornadas menores podem reduzir afastamentos por problemas de saúde, aumentar a produtividade e diminuir a rotatividade de funcionários nas empresas.

Debate deve seguir nos próximos meses

Enquanto empresários alertam para possíveis impactos econômicos e aumento de custos, sindicatos defendem a medida como uma oportunidade para melhorar a qualidade de vida e promover relações de trabalho mais equilibradas.

Com a PEC ainda em tramitação no Congresso Nacional, o debate promete continuar mobilizando diferentes setores da sociedade nos próximos meses, envolvendo questões que vão além da economia e alcançam temas como saúde, produtividade, bem-estar e futuro das relações de trabalho no país.

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