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Falta de preparo em licitações amplia riscos para empresas

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Em um mercado cada vez mais competitivo e regulado, participar de licitações públicas deixou de ser apenas uma oportunidade de negócio. Para muitas empresas, especialmente as que ingressam nesse ambiente sem preparo adequado, a disputa por contratos públicos pode se transformar em um caminho repleto de riscos financeiros, operacionais e jurídicos.

Levantamento da Effecti, empresa especializada em tecnologia para licitantes, revela que 68% das empresas iniciantes ainda não sabem como estruturar corretamente seus processos de participação em licitações públicas. O dado acende um alerta sobre a falta de preparo operacional de parte dos fornecedores que buscam espaço no setor público.

Mais do que vencer uma disputa comercial, atuar nesse segmento exige capacidade de execução, organização interna e atenção rigorosa às exigências regulatórias. Sem isso, empresas podem enfrentar dificuldades já nas etapas iniciais da contratação, comprometendo contratos e ampliando a exposição a penalidades.

Para o CEO da Effecti, Alan Conti, o principal desafio está justamente na forma como muitas empresas enxergam o processo licitatório.

“Há empresas que ainda encaram a licitação como uma extensão da área comercial, quando, na prática, ela exige capacidade operacional e controle regulatório desde o início. Sem isso, o risco não está só em perder a disputa, mas em não conseguir sustentar o contrato”, afirma.

Falhas operacionais se transformam em riscos contratuais

Os problemas mais comuns aparecem em situações aparentemente simples, mas que possuem forte impacto em um ambiente altamente regulamentado.

Falhas no acompanhamento do chat do pregoeiro, atraso no envio de documentos complementares, ausência de respostas dentro dos prazos estipulados e dificuldades para cumprir especificações previstas em edital estão entre os erros recorrentes enfrentados por fornecedores sem estrutura adequada.

Nesse cenário, questões operacionais deixam de ser apenas falhas administrativas e passam a ter consequências contratuais, podendo gerar restrições futuras, sanções e prejuízos financeiros.

O impacto também aparece na capacidade de permanência no setor. Segundo levantamento da Effecti, empresas com maior maturidade operacional conquistam até 38% mais contratos públicos. Ainda assim, apenas 15% dos fornecedores utilizam práticas estruturadas de governança digital.

Crescimento das compras públicas aumenta exigências

A necessidade de preparo tende a crescer diante do aumento das contratações públicas no país. Em 2025, o Governo Federal firmou R$ 135,39 bilhões em contratos, conforme dados do Portal da Transparência, ampliando o espaço para novos participantes, mas também elevando o nível de exigência sobre fornecedores.

Além disso, o avanço da digitalização das compras públicas reforça a necessidade de organização interna e controle operacional.

A recente sanção da Lei nº 15.266/2025, que institui o Sistema de Compras Expressas (Sicx), amplia o credenciamento digital de fornecedores e simplifica contratações de bens e serviços padronizados.

Com processos mais digitais e maior volume de interações, a margem para falhas operacionais se torna cada vez menor, exigindo maior previsibilidade e rastreabilidade na execução dos contratos.

Licitação passa a integrar a governança das empresas

Diante desse novo cenário, participar de licitações públicas deixou de ser uma atividade isolada do setor comercial e passou a integrar áreas estratégicas das empresas, envolvendo jurídico, compliance e gestão de riscos.

A capacidade de executar contratos com controle, aderência às normas legais e segurança operacional tende a se consolidar como um diferencial competitivo cada vez mais importante.

“A decisão de participar de uma licitação precisa ser tratada com o mesmo rigor de qualquer outro compromisso relevante da empresa. Sem estrutura, a entrada nesse mercado pode gerar mais risco do que oportunidade”, reforça Alan Conti.

Entre oportunidades de crescimento e desafios regulatórios, o mercado público segue abrindo portas. Mas, cada vez mais, exige preparo, organização e maturidade para transformar contratos em resultados sustentáveis.

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