O avanço silencioso da tecnologia já atravessa escritórios, empresas e rotinas profissionais em Santa Catarina. Um estudo inédito da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) revelou que 27,6% das ocupações no estado já estão expostas à inteligência artificial generativa, o equivalente a cerca de 1,24 milhão de trabalhadores catarinenses.
Mais do que números, o levantamento desenha um novo retrato do mercado de trabalho. Em meio a um cenário econômico aquecido, no qual Santa Catarina criou mais de 59 mil empregos formais apenas no primeiro trimestre de 2026 e mantém a menor taxa de desemprego do país, a inteligência artificial surge menos como ameaça e mais como ferramenta de transformação e produtividade.
Segundo o estudo, a maior parte dos trabalhadores impactados está em níveis moderados de exposição à tecnologia. Isso significa que, em vez de substituir profissionais, a inteligência artificial tende a complementar tarefas, agilizar processos e aumentar a eficiência em diferentes áreas.
Entre as profissões mais expostas estão atividades administrativas e do setor de serviços, como recepcionistas, contadores, analistas financeiros e operadores de telemarketing. Nessas funções, a tecnologia já começa a alterar rotinas e exigir novas habilidades profissionais.
Ainda assim, o estudo aponta que 71,6% das ocupações permanecem com nenhuma ou baixa exposição à IA. É o caso de atividades ligadas à construção civil, agricultura e serviços domésticos, áreas em que habilidades físicas, práticas e sensoriais seguem sendo essenciais.
Outro dado que chama atenção é a mudança no perfil dos profissionais mais impactados. Diferente de antigas revoluções tecnológicas, a inteligência artificial afeta principalmente trabalhadores com maior escolaridade e renda. Profissionais com ensino superior aparecem entre os mais expostos às transformações trazidas pela nova tecnologia.
Para o secretário de Estado do Planejamento, Arão Josino, o cenário catarinense favorece essa adaptação. Segundo ele, a combinação entre mão de obra qualificada e infraestrutura digital consolidada cria um ambiente propício para a rápida adoção de tecnologias emergentes. Atualmente, 96,5% dos domicílios catarinenses possuem acesso à internet.
Diante dessa nova realidade, o principal desafio passa a ser a qualificação profissional. Como resposta, o Governo de Santa Catarina disponibiliza cursos gratuitos de inteligência artificial por meio do programa SCTEC, oferecendo trilhas de aprendizagem e ações voltadas à empregabilidade para preparar os trabalhadores para as novas exigências do mercado.
Entre algoritmos, telas e novas ferramentas digitais, o futuro do trabalho já começou. E em Santa Catarina, ele parece caminhar lado a lado com a adaptação, a inovação e a capacidade humana de reinventar caminhos.


Crédito das fotos: Divulgação/Seplan




