Natal, tempo em que o calendário desacelera, as luzes ganham significado e os corações se voltam para aquilo que realmente importa, a redação do Jornal do Médio Vale (JMV) propôs um convite diferente. Conhecido por falar de números, cenários e decisões racionais, o fundador da Winvestir, especialista em finanças e controladoria, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, Rafael Lehmkuhl, deixou por um momento as planilhas de lado para refletir sobre o verdadeiro sentido desta data tão simbólica.
E a pergunta surge quase espontânea: o que é, afinal, o Natal?
Para nós, cristãos, o Natal é tempo de recordar o amor que não impõe condições, a compaixão que acolhe e a generosidade que transforma. É a celebração do nascimento de Jesus Cristo, momento em que renovamos a fé, fortalecemos a esperança e aprendemos, mais uma vez, que o essencial não cabe em embrulhos. O Natal não mora nas vitrines iluminadas — ele acontece no perdão que se oferece, na reconciliação silenciosa, no recomeço que brota dentro de cada um.
É verdade que esse período costuma coincidir com férias, festas e encontros. Mas, acima de tudo, o Natal é um convite ao olhar interior: compreender o momento vivido pela família, respeitar limites, silenciar expectativas externas e estar em paz consigo mesmo e com aqueles que realmente importam.
Em contraste com essa essência, as redes sociais insistem em vender um Natal de excessos, ostentação e comparações irreais. Uma narrativa que, muitas vezes, empurra pessoas a decisões financeiras equivocadas, cujas consequências pesam muito além de dezembro e deixam marcas que atravessam o ano seguinte.
Celebrar com significado, porém, é possível — e libertador. Um Natal simples, planejado com cuidado, atenção ao orçamento, pesquisa de preços e escolhas conscientes pode ser ainda mais bonito. Quando o exagero sai de cena, entram a leveza, a presença e a verdadeira alegria.
Com equilíbrio, é possível viver as celebrações sem culpa e iniciar 2026 com o pé direito, sem a ressaca financeira que costuma acompanhar promessas de fim de ano.
Alguns gestos ajudam a manter esse caminho:
- Evitar desperdícios;
- Planejar com antecedência e fugir das compras de última hora;
- Adaptar o cardápio ao perfil da família;
- Presentear com amor, dentro do orçamento;
- Não se sentir obrigado a seguir tradições que já não fazem sentido;
- Aprender a dizer “não” quando necessário.
No fim das contas, o mais importante é celebrar com propósito, lembrando o que realmente faz sentido neste tempo tão simbólico. Só não vale cortar as uvas-passas do arroz.





