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Entre medalhas, maternidade e coragem: a história de Thuane emociona dentro e fora do tatame

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Antes de entrar no tatame, existe uma mulher que acorda cedo, organiza a rotina da casa, cuida das filhas, trabalha, estuda e ainda encontra forças para treinar. Por trás das medalhas conquistadas por Thuane Gonzaga Campestrini, existe uma trajetória construída com disciplina, superação e amor pela família.

Representando Timbó, Thuane voltou recentemente do Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, realizado em São Paulo, trazendo no peito o vice-campeonato da maior competição da modalidade no mundo. Mas, para ela, a verdadeira vitória vai muito além do pódio.

Em entrevista exclusiva concedida à redação do Jornal do Médio Vale, a atleta abriu o coração para falar sobre o esporte, os desafios da vida pessoal e a transformação que encontrou no jiu-jitsu.

“Passei por muitas provações no último ano, tanto de saúde quanto na vida pessoal. Então, estar ali novamente, competindo em alto nível, foi uma superação muito grande”, revelou.

A mãe que entrou no tatame pelas filhas

A história de Thuane no esporte começou de forma inesperada — acompanhando as filhas Maria Eduarda e Gabriella nos treinos. Enquanto as meninas davam os primeiros passos no jiu-jitsu ainda pequenas, a mãe observava de perto o crescimento delas dentro da modalidade.

Foi ajudando nos treinos da filha mais velha que ela decidiu experimentar também. E bastou um mês para disputar sua primeira competição e conquistar o título do Campeonato Estadual Mormaii.

O que era apenas uma atividade física rapidamente virou paixão — e transformou toda a dinâmica da família.

Hoje, além das filhas, o esposo Bruno Campestrini e o pai Marcos Gonzaga também treinam jiu-jitsu. Entre treinos, viagens e campeonatos, o esporte passou a unir ainda mais a família.

“Vejo que o jiu-jitsu fortaleceu nossos laços. O tatame se tornou um espaço de crescimento, união e apoio para todos nós”, contou.

Mas a rotina está longe de ser simples. Entre maternidade, estudos, trabalho e treinos intensos, Thuane aprendeu a lidar com dores físicas, lesões e o desgaste emocional de uma atleta de alto rendimento.

Formada em Estética e Cosmética, ela decidiu iniciar uma nova graduação em Educação Física para ampliar seus conhecimentos e atuar profissionalmente na área esportiva. Hoje, também ministra aulas de Defesa Pessoal Feminina na academia Jiu Jitsu Timbó.

“Percebi o quanto as mulheres precisam aprender a se defender. Quero que elas entendam que podem ser fortes, confiantes e nunca aceitar relações ou situações que lhes façam mal”, afirmou.

A faixa roxa que simboliza renascimento

Entre todos os momentos vividos no Campeonato Brasileiro, um ficará eternizado na memória da atleta: a conquista da faixa roxa no pódio.

A graduação aconteceu logo após a final da competição — uma luta equilibrada, decidida pelos árbitros após empate sem pontuação.

Mesmo sem o ouro, Thuane saiu do tatame emocionada e com a sensação de missão cumprida.

“Lutei até o último segundo sem desistir. Claro que queria o título, mas saí feliz porque entreguei tudo o que eu podia”, disse.

Para ela, a faixa roxa carrega um significado muito maior do que evolução técnica. Representa resistência.

“A faixa roxa simboliza superação e renascimento. Ela representa tudo o que enfrentei: lesões, medo, cansaço, a rotina puxada entre casa, trabalho, filhas e estudos. A faixa azul é uma das que mais gera desistência, e eu consegui vencer essa etapa”, destacou.

Ao longo da entrevista, Thuane fez questão de agradecer ao mestre Sidi Vieira, aos colegas de treino e às pessoas que acreditam em sua caminhada.

Ela também falou sobre as dificuldades enfrentadas por atletas brasileiros, especialmente os altos custos com inscrições, viagens e preparação para competições internacionais. Mesmo assim, segue determinada a continuar levando o nome de Timbó para grandes campeonatos.

No fim, sua história não fala apenas sobre jiu-jitsu. Fala sobre persistência. Sobre cair e levantar. Sobre ser mulher, mãe, atleta e seguir acreditando em si mesma — mesmo quando a vida exige força além da conta.

E talvez seja justamente por isso que Thuane emociona tanto dentro e fora do tatame.

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