?Ser colono é muito difícil?
Morador da Mulde, de 84 anos, afirma que
antigamente era muito mais fácil trabalhar na lavoura …
CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV
TIMBÓ – Dia 25 de julho comemora-se o Dia do Colono e Motorista. As duas profissões são muito importantes para a humanidade, pois ambas são responsáveis de formas diferentes, em colocar na mesa das famílias os alimentos. O colono é responsável pela produção e o motorista pelo transporte. Figuras conhecidas e admiradas por todos são lembrados com carinho nesta data.
Em Timbó, a profissão de colono é mais lembrada pelo fato do município ter na sua raiz a história do desenvolvimento econômico ligado a agricultura. Apesar do município hoje ter menos de 10% da população morando na área rural, ainda tem muitas famílias que vivem exclusivamente da agricultura. Este é o caso da família de Bernhard Haffemann, que reside na Mulde. Ele nasceu no dia 6 de junho de 1929 e agora está com 84 anos, mas a agricultura foi a fonte de renda da sua família e continua sendo nos dias atuais, apesar da propriedade estar sendo coordenada por um dos seus filhos.
Haffemann conta que nasceu na Mulde e desde pequeno trabalha na lavoura. Casado com Trude Kriser teve três filhos, duas mulheres e um homem. Atualmente ele tem sete netos e três bisnetos.
O colono conta que sempre trabalhou na lavoura, plantava, cuidava do gado e tirava leite. “Até hoje as famílias que tem criança pequena buscam leite na minha propriedade por saberem que tem qualidade e fará bem para a saúde dos pequenos”, conta Haffemann que nos últimos anos teve sérios problemas de saúde, teve dois derrames e perdeu a visão no olho esquerdo, já no primeiro derrame.
Apesar dos problemas de saúde, Haffemann tem uma excelente memória e lembra de como era lidar na colônia antigamente. Segundo ele, era muito mais fácil, pois os produtos que eram produzidos na lavoura tinham mais valor, com o que eles produziam e vendiam na cidade dava para comprar o que faltava para o sustento da família. “Hoje está muito diferente, pois os produtos da colônia não tem valor, somente os industrializados, então se torna muito difícil pois temos que vender a preços bem baixos e pagar muito caro por aquilo que falta na lavoura”, desabafa o agricultor ao afirmar que gosta da lavoura, pois foi dela que tirou o sustento para criar os três filhos, dar estudo, médico, tudo o que eles precisavam para crescer com saúde, sem falar nas frutas e verduras que eram colhidas fresquinhas para as refeições. “Sempre plantávamos milho, batata, aipim, tomate e lidávamos com o leite de vaca”, conta ele.
Agora a propriedade está sendo coordenada pelo filho, Reinwald Haffemann, pois os pais estão aposentados, mas o agricultor observa que está tudo muito diferente. “Vejo como as coisas estão difíceis, pois o meu filho conta como as mercadorias da cidade estão caras em relação as produzidas na lavoura”, destaca ele.
Apesar de cuidar da lavoura e manter a família somente com o que plantava e colhia, Haffemann teve outras funções junto a Mulde. Ele fez curso de veterinário e era encarregado de vacinar e cuidar do gado das propriedades dos vizinhos. Nessa função ele atuou junto à comunidade como autônomo, por 40 anos. Também foi coveiro no Cemitério da Mulde, por 14 anos. “Era encarregado de fazer covas e enterrar os mortos, e fazia isso voluntariamente, conciliando com o trabalho na lavoura”, conta ele.
Mas a vida de Haffemann não era só trabalho, apesar de todas as funções em ajudar os vizinhos e moradores da localidade, além de dedicar-se a sua propriedade, esposa e filhos, ele tinha um hobby: era baterista. “Eu toquei por 37 anos bateria e até fiz parte do conjunto denominado de “Alegre de Timbó” onde éramos em três e nos apresentávamos em festas, bailes, casamentos, entre outros eventos, sempre levando muito alegria e músicas, especialmente, no ritmo de bandinhas”, recorda ele ao contar que somente parou de tocar porque tinha que na época fazer carteira de músico e ele não tinha o valor cobrado, que para o agricultor era muito caro. “Depois de um tempo sem tocar, o presidente dos músicos, de Blumenau, me convidou para tocar em um casamento de Bodas de Ouro, lhe contei que não tinha carteira e ele conseguiu para mim, mas apesar de ter a carteira agora não toca mais”, destaca ele.
Haffemann confessa que sente muita falta da amizade, pois segundo ele, antigamente era mais fácil uns ajudar os outros, agora não existe mais aquele que ajuda ao próximo pelo simples fato de ajudar. “Os tempos são outros e as pessoas deixaram de lado o prazer de ser feliz para correr atrás do dinheiro”, afirma ele.





