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‘Temos uma economia baseada em diversos segmentos de atividade’

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‘Temos uma economia baseada em diversos segmentos de atividade’
Presidente da Acimvi, Jeter Reinert Sobrinho analisa o ano de 2015 para os empresários de Timbó e …

Clarice Graupe Daronco / JMV

Foto: JMV

TIMBÓ – “Foi um ano em que o empresário teve que mostrar toda sua criatividade e capacidade empresarial. Foram meses difíceis, é verdade, mas que foram suplantados pelas nossas empresas graças à sua solidez e pela força de trabalho de nossa gente”. Com essa frase o presidente da Associação Comercial e Industrial do Médio Vale Itajaí (Acimvi) Jeter Reinert Sobrinha inicia a sua entrevista à redação do JMV.
Questionado sobre a avaliação que a Acimvi pode fazer sobre o ano de 2015 para o setor empresarial, o presidente destaca que a convivência de um empresário de visão e vanguarda com um corpo de colaboradores capacitado e comprometido, faz a diferença em momentos de dificuldade. “E isso encontramos por aqui. Não temos no setor empresarial aventureiros. Temos gente preocupada com o futuro de seu negócio, mas não esquecendo de que é comprometido com o ambiente em que está inserido”.
Ao responder a pergunta em relação às empresas integrantes da Associação, se tiveram problemas devido a crise econômica, Reinert ressalta  que a região caracteriza-se pela pluralidade econômica. “Ou seja, nossa economia é baseada em diversos segmentos de atividade e a Acimvi está consorciada com essa realidade, pois temos associados dos mais diferentes ramos econômicos”, observa ele ao comentar que: “Conhecemos, desta forma, empresas que realizaram crescimento de até 20% em seu faturamento em relação ao ano anterior, outras conseguiram manter suas vendas e, alguns segmentos mais sensíveis à crise tiveram sim que conviver com forte retração. Temos o setor exportador comemorando com o dólar na casa dos R$ 4,00; algumas indústrias apostando e colhendo frutos da inovação e abertura de novos mercados; outros, como o de confecção, aproveitando fatias do mercado nacional que deixaram de ser atendidas pela importação dos asiáticos dada a depreciação cambial do real frente ao dólar”.
Porém, observa o presidente, têm-se segmentos como os ligados à indústria automotiva, por exemplo, que viram suas vendas caírem em até 50% no rastro da queda acentuada do setor. 

“Informações do comércio nos dão conta de que o ano não foi tão ruim assim, realizando números parecidos com os de 2014, já descontada a inflação. Porém a média do setor conseguiu se manter sem precisar recorrer ao desemprego, que afeta diretamente a vida 
de nossas famílias. Isso já nos coloca acima da média nacional”, destaca ele.

Reinert destaca que como já frisou, em entrevista anterior, de que a região do Médio Vale do Itajaí é diferenciada. “Nosso empresário tem algumas características que fazem com que, se não consiga se distanciar de todo da crise do país, possa ver por aqui seus efeitos chegarem mais atenuados”. 
A redação do JMV solicitou ao presidente que fizesse uma análise de 2015 na questão de investimentos no setor empresarial. Segundo ele, as perspectivas de tempos mais agudos fazem com que o empresário pise no freio e mantenha seus investimentos em compasso de espera. Principalmente quando eles pedem busca de capital no mercado financeiro. “Os juros altos, desemprego beirando os 10% e a perspectiva de repetirmos em 2016 a mesma retração do PIB ocorrida no ano passado, pedem cautela. Porém, dentro do quadro social da Acimvi, também temos empresários mais capitalizados enxergando o momento como oportuno para a modernização de sua planta, com a aquisição de maquinário moderno para quando acontecer a retomada na economia. E ela acontecerá! Aliás, essa pluralidade, que já citei no início, é que faz o diferencial de nossa região”, relata Reinert.

Avaliação de 2015

Ao falar sobre a Acimvi, o presidente ressaltou que a entidade em nenhum momento, apesar da situação econômica e política do país, desviou sua atenção ao seu principal objetivo: “Representar e defender os interesses da classe empresarial, pelo contrário, o exemplo disso foram as mais diversas atividades desenvolvidas pela entidade, que sem dúvida, aproximaram os empresários, desafiando-os a discutirem mais os seus problemas na busca de soluções conjuntas. Mantivemos estável nosso quadro de associados e ainda associamos novas empresas. Ampliamos o leque de serviços e criamos novos núcleos setoriais”, relata ele ao comentar que: 

“Manifestamos nossa opinião e indignação contra à corrupção. Realizamos duas manifestações públicas, enviamos diversos documentos cobrando mais resultados de deputados, Governador de SC, senadores e Governo Federal. Aproximamos secretários de Estado aos empresários em eventos muito prestigiados, participamos de audiência com o secretário de Segurança Pública, manifestamos nosso pedido quanto à Aeronave Arcanjo”, 

detalha Reinert ao afirmar que as dificuldades foram encaradas com planejamento, administração do custo fixo, redução de gastos e melhora da gestão.
Na questão dos resultados, o presidente afirmar que em todas as atividades, sejam elas palestras cursos, encontros, reuniões, sempre tiveram uma expressiva participação dos empresários e isso prova o valor e a importância da Acimvi para com o desenvolvimento sócio econômico regional.

Setor empresarial

Estamos entrando em um novo ano, que já no primeiro mês apresentou pontos negativos para o setor empresarial, mais especificamente no têxtil, com esse conhecimento busca-se saber, junto ao presidente da Acimvi, quais as expectativas, para o ano de 2016, pelo setor empresarial. Reinert observa que quando se ouve o noticiário econômico tem-se a impressão de que o mundo vai desabar sobre nossas cabeças. “Se unirmos aquilo que escutamos sobre economia e consorciarmos com o noticiário político, porque uma coisa anda unida à outra, enxergamos um horizonte nada promissor. Porém, se o momento é de cautela e apreensão, é também de buscar oportunidade e usar da criatividade para se posicionar no mercado de forma a sair fortalecido desse período de provação e dificuldade”, destaca ele.
De acordo com o presidente da Acimvi, o Brasil tem tido ao longo de sua história períodos de altos e baixos constantes. 

“Quando pensamos que chegou a hora de colher os frutos de um trabalho, vem uma crise a postergar a colheita. E toda crise, invariavelmente, é feita pelos políticos. Justamente aqueles que deveriam criar os instrumentos que possibilitem à classe empresarial a busca do crescimento e desenvolvimento, são os que travam a economia e o país, com custos elevados da máquina pública, investimentos adiados ou mal feitos em infraestrutura, corrupção e prioridades mal estabelecidas. Um exemplo disso é a tão aguardada, necessária e urgente duplicação da BR 470. Para se ter uma ideia da falta de prioridade, seu custo total, de Indaial à Navegantes, estava orçado em cerca de 1,4 bilhões. Um estádio de futebol em Brasília feito para a Copa do Mundo e hoje praticamente em desuso, disse a imprensa que custou cerca de 1,8 bilhões de reais. E olha que não foi o único estádio feito para a Copa que, no que pese ter sido dito o contrário, teve seu custo bancado em sua maioria por recursos públicos. Enquanto o estádio está lá às moscas, pessoas estão morrendo na rodovia e as filas atrasando nosso desenvolvimento. Ou seja, muitas vezes o dinheiro existe, mas seu destino é desvirtuado em prioridades mal estabelecidas e nos dutos da corrupção”, explica ele.

Projetos da Acimvi

Questionado sobre quais os projetos da Acimvi para 2016, o presidente é cauteloso em falar na continuidade dos cursos e palestras; consolidar o Happy Hour do empresário que iniciou-se em 2015 em parceria com o Núcleo Jovem e que em suas duas edições constituiu-se em pleno sucesso; promover e fazer acontecer o Café da Manhã do Empresário, evento já consolidado e que, já neste início do ano larga com uma palestra com o presidente da Celesc e, na segunda edição do ano com representantes da Polícia Federal, entidade tão em voga em função da Lava Jato e outras investigações que trouxeram à tona escândalos sem precedentes na vida político-administrativa deste país. 
Também objetiva-se fortalecer os Núcleos setoriais, que têm na sua gênese a intenção de trazer para dentro da Associação ideias difusas em termos de setor para fazer um todo que facilite a vida empresarial de maneira geral. “Como atividades mais pontuais do Núcleo, podemos destacar para 2016, a realização do Feirão Nacional do Imposto, o Encontro Estadual de Jovem Empresário, que será em Timbó nesse ano, a Inspeção Técnica Ambiental e diversos cursos, treinamentos e palestras de capacitação, além de implementar diversas Missões Empresariais à Feiras e Eventos nacionais e quem sabe internacionais, dar continuidade às consultorias individuais, aos treinamentos sobre as Normas Regulamentadoras Federais e ampliar ainda mais os atendimentos da Acimvi, como, o escritório da Jucesc, Certificado Digital, Cartões UtilCard e Alimentação, Printe Registro de Marcas e Patentes, XML Empresarial, Certificados de Origem para Exportação e o mais recente serviço oferecido pela entidade, as pesquisas cadastrais de Pessoa Física e Jurídica, através do Boa Vista, que somente em janeiro foram realizadas mais de 900 consultas”, relata ele.
Reinert também destaca como ação para 2016 o trabalho de fomento à utilização de meios de controle e fiscalização das contas públicas, junto com outras entidades representativas, de forma apartidária, como deve agir toda entidade de classe. “Enfim, serão muitas as atividades que estaremos empreendendo, sempre como norte fornecer ao associado instrumentos facilitadores de sua vida empresarial, sempre tão difícil nesse país das imprevisibilidades”..
Para finalizar Reinert ainda ressaltou: “Que 2016 não seja lembrado como o ano da crise, mas como o da retomada do crescimento e o início de uma fase de busca consolidada do desenvolvimento do país. Estamos em ano de eleições. Ano em que os eleitores serão novamente chamados para o exercício da cidadania. Que ele, o eleitor, tenha consciência da importância do momento do voto, que é determinante para o futuro de nossas cidades”. 

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