Aluno da França apresenta a sua visão do Brasil Clément Dratwa participa de intercâmbio do AFS Intercultura Brasil e ficará um ano em solo brasil …
CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV
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TIMBÓ – Com o objetivo de entender que apesar da unidade territorial e lingüística, o Brasil apresenta muitas realidades distintas de prosperidade e pobreza; de qualidade de vida nas diferentes regiões; de oferta de serviços; de manifestações culturais, entre outras, está em Timbó o aluno, Clément Dratwa, nascido no dia 1º de janeiro de 1997, natural de Paris, na França, participando de um intercâmbio de estudos. O aluno recebe o acompanhamento da professora de Sociologia do Colégio Ruy Barbosa, Cecília Bertoldi Rossi.
De acordo com Cecília o aluno chamou a sua atenção durante a realização de um trabalho em sala de aula, referente ao conhecimento de certos pontos do Brasil. “ O trabalho foi desenvolvido logo após a apresentação do mapa conceitual do Brasil, quando houve uma discussão acerca do assunto. Cada aluno citava palavras relacionadas ao país e logo em seguida os jovens precisavam escolher algumas e dissertar sobre a sua visão do Brasil, com o tema: O Brasil para mim é… , como resultado surgiram textos diversos e interessantes”, relata a professora ao destacar que entre os textos apresentados o que lhe chamou a atenção foi o escrito pelo aluno Clément Dratwa, que encontrava-se fazendo intercâmbio em Timbó,.
De acordo com Cecília o texto chamou a sua atenção pelo fato de ter sido escrito por um jovem que não conhece a realidade brasileira. “O texto mostra uma visão diferente, de um adolescente que faz sua leitura de maneira curiosa”, detalha ela.
A professora explica que o aluno está residindo na casa de “pais” acolhedores, Luiz Russo e integra o projeto de Intercâmbio que está presente no Brasil desde 1956: o AFS Intercultura Brasil é uma instituição não-governamental, sem fins lucrativos, que conta com mais de 1.000 voluntários ativos em todo o país. O AFS Intercultura Brasil integra uma organização internacional atuante em mais de 60 países, de todos os continentes, que defende a multiculturalidade como a base para a formação de líderes com visão universal. Até hoje, mais de 300 mil pessoas já participaram dos programas de intercâmbio do AFS. “A história do AFS teve início na 1ª Guerra Mundial quando 74 voluntários norte-americanos atuaram como motoristas de ambulâncias na retirada de soldados feridos das frentes de batalha. Depois de trabalharem novamente como voluntários na 2ª Guerra Mundial, seus membros decidiram criar uma entidade para promover o entendimento cultural entre as nações. Assim, em 1947, surgia o American Field Service, a maior organização de intercâmbio cultural do mundo”, explica a professora ao destacar que o projeto tem um Comitê, em Blumenau.
O texto do aluno da França apresenta uma visão do Brasil. “Não conheço bastante o Brasil para falar dele. Mas para mim, não tenho que acreditar em todas as ideias que as pessoas têm sobre esse país (por exemplo a corrupção).Tenho que ter a minha opinião a partir das informações que recebo das pessoas. O pouco que eu vi do Brasil para o momento é maravilhoso, ainda que assisto na TV as manifestações, a pobreza, as injustiças e a violência. Na minha opinião, no Brasil tem coisas maravilhosas, e outras que não são tão maravilhosas, mas eu não estou aqui há bastante tempo para falar delas, e talvez eu nunca vou descobrir todas. Não vou fechar meus olhos na frente da pobreza e da precariedade. Durante esse ano, vou assistir sem criticar. Às vezes, talvez, eu vou ficar bravo porque vou assistir as coisas ruins sem poder fazer nada, é assim. Eu estou aqui para um ano, para descobrir, para aprender, para encontrar pessoas; como espectador, não como ator”.