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Casa do Artesão de Timbó: 25 anos preservando a arte, a memória e a identidade de um povo

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Há exatos 25 anos, nascia um dos espaços mais afetivos e simbólicos da cultura timboense. A Associação Timbó Artesanato – conhecida por todos como Casa do Artesão – abriu suas portas para acolher o dom, a criatividade e o trabalho manual de quem transforma matéria-prima em afeto, história e identidade.

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A celebração desse marco acontece no dia 14 de fevereiro de 2026, às 8h, na Praça Frederico Donner, no coração da cidade de Timbó, reunindo artesãos, parceiros, comunidade e todos aqueles que, ao longo dessas décadas, ajudaram a construir uma trajetória marcada por perseverança, união e amor pela arte.

Em entrevista à redação do Jornal do Médio Vale (JMV), a atual presidente da Associação Timbó Artesanato, Aneli Ferrari Schütze, destaca que a história da entidade começou muito antes da sede definitiva existir. Começou a partir do incentivo, da confiança e da vontade coletiva de mostrar à cidade a riqueza do artesanato produzido em Timbó.

O primeiro impulso para a criação da associação surgiu por meio de ações desenvolvidas com apoio da Fundação Cultural de Timbó, que, no início dos anos 2000, estimulou um grupo de artesãs a expor seus trabalhos ao público. À época, Rogério Gessner e Ivone Gums, responsáveis pela Fundação, incentivaram a organização das primeiras exposições informais.

O local escolhido para aquelas experiências iniciais foi o pátio da Thapyoka, próximo à figueira, onde, nos finais de semana, acontecia a tradicional “feirinha”. Ali, artesãos apresentavam seus produtos com o objetivo de divulgar a cultura local, valorizar o trabalho manual e aproximar a comunidade das expressões artísticas feitas à mão.

A boa receptividade do público e o fortalecimento do grupo fizeram nascer a certeza de que aquele movimento precisava se transformar em algo maior, mais estruturado e permanente.

Da feirinha à fundação da associação

Foi a partir da experiência da feirinha que os artesãos decidiram formar oficialmente a Associação Timbó Artesanato. A ideia era criar uma entidade que funcionasse em um local fixo, garantindo continuidade às exposições, melhores condições de atendimento ao público e reconhecimento institucional ao artesanato local.

Um nome que se confunde com a própria origem da Casa do Artesão é o da fundadora da associação, criada em 2001, Erica Klein Wolfran. Pioneira no movimento de organização dos artesãos timboenses, Érica foi uma das grandes responsáveis por transformar a antiga experiência informal das feirinhas em uma entidade estruturada, com identidade própria e visão de futuro. Ao lado de Érica, um grupo de artesãs e artesãos também teve papel decisivo na fundação da entidade: Ligia Elisabeth Berndt, Anita Moser, Carmem Maria Marchetti Burger, Dirce Berndt, Zulma Muntsberg, Maria Adelina Costa, Isolde Piske, Lidia Berndt, Zulmira Heidrick Böttner, Janete Maria Dallabona, Annelise Kahl e Mercedes Berri.

O primeiro espaço oficial da associação funcionou junto ao Supermercado Schütze. Com apoio dos irmãos Schütze, foi cedido um local na entrada do mercado para que os produtos artesanais pudessem ser expostos e comercializados. Mesmo em estrutura simples, o espaço se tornou ponto de encontro entre artesãos, moradores e visitantes.

A busca por uma sede própria passou a ser, desde então, um sonho coletivo. Após mobilização da associação, a Prefeitura de Timbó atendeu ao pedido e viabilizou a construção de uma casa em estilo enxaimel, no Centro da cidade, concedida à entidade, isenta de pagamento de aluguel.

Para a diretoria, esse momento é lembrado como um dos maiores marcos históricos da trajetória da associação. A conquista da sede definitiva consolidou a Casa do Artesão como instituição cultural, deu estabilidade ao grupo e permitiu a ampliação das atividades.

Arte, identidade e futuro

Atualmente, a Associação Timbó Artesanato reúne 15 artesãos, que expressam, em diferentes técnicas, a riqueza do fazer manual da cidade — do bordado à pintura, da cerâmica à madeira, do macramê à costura criativa, passando pela arte em resina, mandalas, porongos e tantas outras formas de transformar matéria-prima em beleza.

A escolha dos artesãos que integram a Casa segue critérios técnicos e culturais, considerando a qualidade, o acabamento das peças e, sobretudo, o quanto cada trabalho contribui para valorizar a identidade de Timbó. A proposta é oferecer produtos com diversidade, bom gosto e preço justo, sem abrir mão do cuidado artesanal.

Ao longo dos anos, o público se manteve fiel. Os turistas seguem sendo a maior parte dos visitantes, reforçando a importância da Casa do Artesão no cenário cultural e turístico do município.

Hoje, além de espaço de exposição e venda, a Casa também se tornou ponto de apoio para ciclistas, caminhantes e visitantes, funcionando como referência de informações sobre atrativos turísticos, restaurantes e o comércio local, ampliando seu papel social junto à comunidade.

A associação se mantém por meio do funcionamento da sede, da participação em feiras e eventos e, principalmente, do apoio permanente da Fundação Cultural de Timbó, além de parcerias com iniciativas ligadas à cultura, à gastronomia e ao turismo.

Sua missão permanece a mesma desde a origem: acolher moradores e visitantes com respeito e sensibilidade, oferecendo artesanato de qualidade e preservando o valor afetivo de cada peça. Para a diretoria, cada obra carrega histórias, sentimentos e o amor de quem cria.

Nos últimos anos, a entidade avançou em projetos importantes, como a nova identidade visual, a revitalização do piso e a renovação do mobiliário da sede. O próximo passo é a informatização da Casa, preparando o espaço para um novo tempo.

Celebrar 25 anos é, para a atual diretoria, um gesto de honra, alegria e gratidão. É reconhecer a dedicação de todos que passaram pela associação e renovar o compromisso de seguir unindo talentos, estilos e gerações.

Para Timbó, a Casa do Artesão representa a força da arte feita à mão e um legado para as futuras gerações: a certeza de que vale cada picada de agulha, cada mão suja de tinta e cada detalhe construído com paciência, porque, no fim, tudo se transforma em algo único — e fazer os olhos brilharem diante de uma obra pronta não tem preço.

Depois de 25 anos, a Casa do Artesão segue viva, acolhedora e necessária, guardando o passado, fortalecendo o presente e abrindo caminhos para que a arte timboense continue florescendo.

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