Colono moderno tem a roça como diversão
Raul Borchardt tem 68 anos, trabalha há 50 anos na Papelão Timbó, gosta de dançar, de viajar e a …
BRUNA LALINE RAMOS/ ESTAGIÁRIA/JMV

BRUNA LALINE RAMOS/
ESTAGIÁRIA/JMV
bruna@jornaldo
mediovale.com.br
TIMBÓ – “Eu adoro trabalhar na roça, essa é a minha diversão. Os bichinhos são a minha alegria”. É assim que Raul Borchardt, de 68 anos, começa contando a sua história de vida e o seu orgulho de ser colono, já que nesta semana, na próxima quinta-feira, dia 25, é comemorado o Dia do Colono.
Desde quando era criança, Borchardt trabalhava na roça para ajudar os pais. Quando se tornou adolescente, começou a trabalhar como servente e foi assim que conseguiu um emprego na fábrica Papelão Timbó, onde trabalha até os dias de hoje. Neste ano, inclusive, Borchardt completou 50 anos de serviço na empresa. Isso certamente é um marco na sua história de vida e também na história da Papelão. Atualmente, ele é operador de máquina folhadeira e é aposentado há 18 anos.
Mesmo trabalhando no setor industrial, Borchardt não deixou de lado as suas raízes de colono. Atualmente, tem em sua residência uma lagoa, horta, plantação de aipim, banana e cana, além de vacas, bois, patos, gansos e porcos. Esses são os animais que ele tanto adora. Para manter toda a área e os bichos, Borchardt conta com a ajuda essencial de sua esposa Lorita e de seu filho Jair. “Essa sim é uma colona de verdade”, diz Borchardt sobre sua esposa, já que ela sempre trabalhou somente na roça e até se aposentou como agricultora.
Os outros três filhos do casal e os netos também os ajudam na roça às vezes, geralmente nos finais de semana. “Eles não estão sempre presentes por falta de tempo, devido a seus empregos, mas quando eram crianças adoravam a roça e eu sei que ainda adoram”, declara.
O dia a dia do colono Borchardt é assim: acordar às 4h para tratar os animais, estar às 5h na fábrica, voltar para casa às 13h30min, tomar uma xícara de café, ir para a roça e, por fim, voltar para casa quando começa a escurecer, entre 17 e 18h.
“Antigamente o trabalho do colono era muito árduo. Ainda é difícil, mas hoje temos equipamentos modernos que nos ajudam no serviço”, conta. Ele ainda lembra que o colono não tem feriado e nem final de semana. “Nós precisamos trabalhar o tempo todo”. Borchardt ressalta que trabalha na roça por diversão, já que hoje em dia, ao menos para a família dele, esse serviço não gera lucro. “Às vezes, até temos prejuízos”, comenta.
Pelo fato de trabalhar na roça, mas também ter um emprego em fábrica, gostar de dançar, participar de festas da terceira idade e viajar muito, inclusive para outros estados, Borchardt se considera um colono moderno. “Eu adoro festas, principalmente aquelas de colono. Eu torço para que elas nunca deixem de existir. Além de serem alegres, as festas de colono são uma forma de dar reconhecimento aos trabalhadores da roça”, finaliza.





