Comandante afirma que existem prédios irregulares
Após tragédia no Rio Grande do Sul, locais públicos na região do Médio Vale do Itajaí preocupa …
TAÍSE HEBERLE DE LIMA/JMV

TAÍSE HEBERLE DE LIMA/JMV
TIMBÓ – "Em Timbó existem edificações que estão irregulares, algumas delas já estiveram regulares e outras que nunca estiveram. As fiscalizações são realizadas anualmente, os locais nos quais reúnem pessoas e que estão irregulares são notificados, possuem até 10 dias para prestar explicações e se regularizar, após esse período, se não tomarem providências o caso é encaminhado ao Ministério Público. Geralmente, nós, os bombeiros, ficamos sabendo de irregularidades através de pessoas que nos procuram, pois afinal esses locais onde reúnem pessoas, só nos procuram quando precisam", afirma o comandante do Corpo de Bombeiros de Timbó, Filipe Damineli. A análise do comandante se deve a tragédia que ocorreu na boate Kiss, em Santa Maria, região Central do Rio Grande. Tragédia A segunda-feira foi de velórios e enterros em muitas cidades do Rio Grande do Sul e algumas de Santa Catarina. O incêndio na boate Kiss, no Centro de Santa Maria, região Central do Rio Grande do Sul, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna. Sem conseguir sair do estabelecimento, 231 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas em alguns minutos por funcionários. A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil. A festa "Agromerados" reunia estudantes da Universidade Federal de Santa Maria, dos cursos de Pedagogia, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia e dois cursos técnicos. A boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes – além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com o comando da Brigada Militar, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido, desde agosto de 2012. As atrações da noite eram as bandas "Gurizada Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim. Vítimas catarinenses Entre as 231 vítimas, quatro delas eram catarinenses, das quais seus corpos chegaram a suas cidades na madrugada de segunda-feira, Marina de Jesus Nunes, de 20 anos, que foi velada no salão paroquial da Igreja Católica de Maravilha. O velório de Isabela Fiorini, 19 anos, ocorreu na Igreja Matriz São Miguel Arcanjo, de São Miguel do Oeste. Taís Zimmermann Darif, que também estudava em Santa Maria, foi velada na Igreja Católica de Guaraciaba. Bruna Karolina Occai, 24 anos, foi velada na cidade de Belmonte. Histórias Foi após uma ligação do filho às 6h25min do domingo, dia 27, que Valdete da Rosa Tancredo ficou sabendo da tragédia ocorrida em Santa Maria (RS). "Ele me ligou e disse: Mãe tô vivo! Aconteceu uma tragédia aqui na boate onde eu estava", lembra Valdete. O estudante Moisés da Rosa Tancredo, 23 anos, fez a ligação para a mãe do hospital, onde havia sido levado por um amigo. Acadêmico do curso de Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Santa Maria, Moisés mora na cidade gaúcha há três anos. Outro sobrevivente, Armind Korb, postou em uma rede social o seguinte agradecimento, tendo em poucos minutos, muitos compartilhamentos, comentários e curtidas. "Queria agradecer a Deus por estar aqui hoje, também aos anjos que ele colocou na terra para que cuidassem de mim. Infelizmente estive presente ontem na Kiss, em Santa Maria e vivi toda essa tragédia, filme de terror! Ajudei quem eu pude, acho que salvei algumas vidas! Obrigado aos meus amigos que se importaram comigo! Sem Deus eu não estaria aqui!". A protética Michele Cardoso usou o celular para disparar um alarme no Facebook. Escreveu somente quatro palavras, na pressa de quem está a perigo, o suficiente para noticiar o sinistro e implorar por ajuda. Ainda grafou o nome da boate com letras maiúsculas, para que não houvesse dúvidas sobre o local: Incêndio na KISS, socorro. Michele não mais se comunicou — seu nome apareceria depois na lista de mortos. Presidente Por volta das 14h de domingo, a presidente Dilma Rousseff esteve no Hospital de Caridade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde visitou feridos do incêndio. Após passar pelo hospital, a comitiva presidencial se dirigiu ao ginásio do Centro Desportivo Municipal, onde ocorreu o reconhecimento dos corpos das vítimas da tragédia. Dilma cancelou três compromissos bilaterais com Bolívia, Argentina e Letônia. Investigações Os quatro pedidos de prisão temporária, dos quais três já cumpridos, foram solicitados após ser constatada a ausência dos equipamentos responsáveis pelo videomonitoramento do local da tragédia em Santa Maria. Até a manhã de segunda-feira, 28 de janeiro, haviam sido ouvidas 20 pessoas, entre sócios, funcionários, frequentadores e, uma das informações que chamou a atenção do delegado Meinerz, responsável pelas investigações, foi a de que a boate geralmente estava mais cheia do que neste final de semana. Além disso, foi confirmado que o local só possuía uma única porta de entrada e saída e capacidade para 900 pessoas, sendo que no local havia 1.500 pessoas.





