Inflação estoura a meta e farinha passa o tomate
Calor excessivo e chuva em demasia são os culpados pela grande alta no preço do tomate …
TAÍSE HEBERLE DE LIMA/JMV

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TIMBÓ – O aumento recorde no preço do tomate tem gerado comentários diários na mídia, inclusive em redes sociais. O preço do quilo chegou a R$ 10,00 em alguns lugares do país, na região do Vale do Itajaí o valor do quilo chegou a R$ 5,00, assustando assim os consumidores. A alta no preço em todo o país se deve aos efeitos climáticos, por conta das chuvas que afetaram as plantações. Nesta semana também foi divulgado o índice oficial da inflação, o qual revela que a farinha de mandioca passa o tomate, em se tratando de inflação.
De acordo com o estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado na segunda-feira, 8 de abril, de 18 capitais pesquisadas, o tomate, no varejo, teve alta em 12 de março. Em Curitiba teve uma oscilação de 2,86%.
Para o extensionista da Epagri, Nilto Barella, os hortifruti sempre obedecem a lei da oferta e da procura, porém os fatores que ocasionaram a elevação no preço foi o clima. “Primeiro o calor excessivo e após a chuva em demasia e contínua”, explica Barella.
Mesmo com a aplicação de veneno, no período correto e com a dose indicada, a planta não consegue se desenvolver em função das doenças. “Nos locais onde a plantação de tomate não está protegida por uma estufa acabam sofrendo com doenças, mesmo com os cuidados necessários”, revela o extensionista o qual lembra que o tomate é suscetível a doenças.
Mas nem tudo está perdido, o extensionista da Epagri afirma que no momento que um produto está em falta ou muito caro, o indicado é sempre substuí-lo por outro. “Neste caso o tomate perinha pode ser um bom substituto do tomate normal, ele é parecido com o cereja, porém um pouco maior . A planta dele é rasteira e tem uma grande facilidade na produção”, avalia Barella.
A vez da farinha
de mandioca
Saiu nesta quarta-feira, 10 de abril, o IPCA, índice oficial da inflação, do mês de março o qual ficou em 0,47%. Com isso, a inflação acumulada dos últimos 12 meses bateu em 6,59%, furando o teto da meta do governo, que é de 6,5% ao ano. A carência dos alimentos respondeu por 60% da variação da inflação de março.
Em 12 meses, os alimentos acumulam uma alta de 13,48%. Quer dizer: a comida subiu mais do que o dobro da inflação média do período: 6,59%. O tomate subiu 122,13%. Mas não é o campeão. A farinha de mandioca subiu ainda mais: 151,39%. A batata (97,29%) e a cebola (76,46%).
Motivo de piada
nas redes sociais
A alta no preço do tomate tem virado motivo de piada e revolta para os consumidores do país. O alimento é o principal vilão da inflação no país, e tem provocado muita dor de cabeça em economistas do governo. De acordo com dados do IBGE, enquanto a inflação oficial subiu 6,59% no último ano, o tomate ficou 122,13% mais caro no mesmo período. Em supermercados de São Paulo, é possível trocar um quilo de tomate pela mesma quantidade de carne, por exemplo.
O perfil de humor Dilma Bolada, que tem mais de 258 mil seguidores, postou uma montagem sobre o fictício “Meu Tomate, Minha Vida” (alusão ao programa de habitação), com o seguinte slogan: “Brasil, país rico é país em que todos comem tomate.”
Ainda no clima da brincadeira, um internauta identificado como Thiago Monteiro publicou imagens em que brinca sobre presentear a amada com um anel de 18 tomates e outra que sugere que o tomate agora pertence à grife Louis Vuitton (foto).
Brasileiros cruzam
a fronteira
Alguns consumidores de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, têm cruzado a fronteira para comprar o produto na Argentina. Nos supermercados, o consumidor paga menos da metade do valor brasileiro. No Paraná, por exemplo, em algumas cidades, o quilo passa de R$ 8,00.
Nos mercados de Porto Iguaçu, na Argentina, a procura dos brasileiros por tomate aumentou tanto que ninguém mais encontra o produto para comprar.
No entanto, as autoridades do Brasil orientam para os riscos de cruzar a fronteira transportando tomate, pois podem perder a carga. “Esse tomate também não pode entrar porque não está sendo feita uma exportação, não tem certificado sanitário nacional. Está sendo contrabandeado”, alertou o chefe do Ministério da Agricultura Antônio Garcez.




