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 Justiça de SC usa ‘violentômetro’ para tratar da escalada da violência contra a mulher 

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Atividades reflexivas com autores de violência contra mulher ocorrem na Penitenciária de São Cristóvão do Sul

Desde o segundo semestre de 2025, a Vara Criminal da comarca de Curitibanos promove uma série de encontros voltados à responsabilização, à revisão de comportamentos e à prevenção da reincidência em violência doméstica. No mais recente encontro com autores de feminicídio, presos na Penitenciária Industrial de São Cristóvão do Sul, foi usado um “violentômetro” para compreensão dos níveis de agressão praticados.

O objetivo central foi tratar da escalada da violência, com foco na identificação de comportamentos progressivos que antecedem episódios mais graves. A partir dessa abordagem, os participantes foram convidados a refletir sobre a pergunta: “o que eu fiz, ou deixei de fazer, que me trouxe até aqui?”

Durante a atividade, o “violentômetro”, um instrumento que permite visualizar os diferentes níveis de violência e que está inserido na cartilha “Dê um basta na Violência”, elaborada pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID), serviu como material de apoio para orientar as reflexões.

“Ele mostra desde comportamentos aparentemente sutis até agressões mais graves. Essa visualização favorece a compreensão da progressividade das condutas”, explicou o juiz Edison Alvanir Anjos de Oliveira Junior, facilitador da atividade. “No decorrer da atividade, os participantes reconheceram que seus relacionamentos foram avançando de conflitos e discussões para agressões verbais, ameaças e agressões físicas, até o feminicídio”, observou.

Outro ponto debatido foi a percepção de “perda de controle”, frequentemente associada aos episódios de violência. No grupo, essa ideia foi confrontada com a noção de uma falsa perda de controle, entendida como expressão de padrões aprendidos de poder e domínio. Também foram discutidos aspectos como insegurança, perda de limites e o chamado “efeito anestesia”, que reduz a percepção crítica sobre a gravidade das próprias atitudes.

A discussão, de acordo com a servidora Dianifer Madruga da Silva, que também é facilitadora na dinâmica, incluiu ainda a objetificação da mulher. Ela diz que, no início, os participantes estranharam a ideia de ver a mulher como objeto, mas, ao compreenderem a escala de violências representada pelo “violentômetro”, passaram a entender como essa objetificação acontece de forma gradativa. “Foi reforçado que o feminicídio é o retrato absoluto da desumanização da mulher, pois, ao se achar no direito de lhe tirar a vida, o agressor deixa de reconhecê-la como um ser humano com direitos e vontades”.

Temas como consentimento e autonomia da mulher também foram abordados. “O trabalho do grupo é justamente evidenciar como a violência não surge de forma isolada, mas se constrói em uma sequência de comportamentos que precisam ser reconhecidos e interrompidos”, destacou.

Sobre o projeto na Penitenciária

A iniciativa é conduzida pela Vara Criminal da comarca, com apoio da Vara Regional de Execução Penal e parceria da administração da unidade prisional. A implementação do projeto foi viabilizada após a reorganização do acervo da Vara Criminal de Curitibanos.

Em fevereiro de 2023, a unidade registrava 6.410 processos. Atualmente, o número foi reduzido para 2.130, o que representa uma diminuição aproximada de 67%. A redução permitiu estruturar iniciativas preventivas e ampliar a atuação institucional para além da resposta penal tradicional.

Os encontros são quinzenais e seguem ao longo do ano para aprofundar temas relacionados à responsabilização, gestão de conflitos e construção de relações mais respeitosas e livres de violência.

Imagens: Divulgação/TJSC
Conteúdo: NCI/Assessoria de Imprensa

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