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Muito além do aprender a ler e escrever

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Muito além do aprender a ler e escrever
Alunos do Eja realizam socialização e exposição dos trabalhos sobre a história de Timbó …

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

Foto: CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV
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TIMBÓ – Os alunos que frequentam o curso de Educação de Jovens e Adultos (Eja) tem muito o que contar, em primeiro lugar o porque eles estão ali. A maioria dos alunos do Eja são pessoas com mais de 18 anos e, que não tiveram a oportunidade de aprender a ler e escrever durante a infância ou adolescência.
Ontem, dia 14 de novembro, 14 alunos do Eja, do Tiroleses, realizaram um evento nas dependências do Telecentro de Timbó, com o tema: Socialização e Exposição dos trabalhos “Timbó, conhecendo sua história seu progresso e sua gente”.
 De acordo com a professora, Ladir Willrich, a presença dessas pessoas em uma sala de aula vai além do buscar aprender a ler e escrever. “Eles precisam primeiro se conscientizar que necessitam aprender a ler e escrever e quando fazem isso e nos procuram, eles venceram a maior barreira da vida deles: a busca pela ajuda”, observa Ladir ao comentar, que muitos são os desafios que os seus alunos enfrentam para aprender a ler e escrever e no final a interpretar um texto.
De acordo com Ladir, a exposição realizada pelos alunos teve seus trabalhos iniciados no mês de abril, quando eles começaram a estudar as matérias de História e Geografia.
“Percebemos que Timbó não existia nem nos livros de História, nem de Geografia e então, decidimos que precisamos conhecer primeiro o nosso município”, relata a professora ao explicar que assim foi decidido desenvolver um trabalho extra-classe que tinha por objetivo a realização de visitas  para conhecer o histórico de Timbó, os bairros, os símbolos, o hino do município, a vegetação, o relevo, os meios de comunicação, de transporte, as indústrias, comércio, turismo e cultura. “No final foi feito um breve histórico de tudo o que foi visitado e estudado”, observa Ladir.

miscigenação
A professora conta ainda que os alunos que iniciaram no Eja, num total de 18, ficaram apenas 14, mas além do trabalho de campo, em nenhum momento abandonaram o trabalho pedagógico.
Dentro do trabalho de campo e, que também encontra-se em exposição, os alunos realizaram um pesquisa com 100 pessoas, onde constaram que dss 100 entrevistas: 42% são da etnia alemã, 28% da etnia italiana; 21% da etnia brasileira; 8¨% da etnia polonesa e 1% da etnia portuguesa.
“Foi detectado ali a miscigenação das diversas culturas, provando assim a diversidade cultural e gastronômica do município”, destaca Ladir ao informar, que dentro dessas descobertas os alunos escreveram um livro relatando a história de Timbó e também criaram um livro de receitas, onde constam pratos das mais variadas etnias.
A exposição ainda comporta um trabalho de reileitura da pintura Tarcília do Amaral, “O Operário”, onde os alunos organizaram o quadro com fotos de personalidades de Timbó; um paiol literário com poemas escritos pelos alunos e uma parodia com a música do grupo Sorriso Maroto, “Assim você mata o papai”, em homenagem a Timbó.
Também conseguiram montar um mini museu com peças antigas recolhidas pelos alunos durante o trabalho de campo. No final, foi montada uma mesa que representa a família. Os alunos também confeccionaram pequenas lembrancinhas para entregar aos visitantes da exposição.

Alunos contam suas histórias

 

Não tem como você ir visitar a exposição do Eja e não questionar aquelas pessoas com mais de 40 anos que ali estão, envolvidas e felizes. Assim estava o seu Juvêncio Felippi na entrada da sala, onde estava acontecendo a exposição. Muito feliz ele relatou a redação do JMV que tem 58 anos, e que está se sentido realizado.
“Além de aprender a ler e escrever, também tive a oportunidade de conhecer a minha Timbó, seus bairros, sua história e perceber de como ela é grande”, afirma ele que resolveu estudar após a sua esposa insistir muito e lhe garantir que eles podiam.
A esposa de Juvêncio, Dilma Felippi, de 53 anos, nos conta que sempre gostou de estudar, mas não teve oportunidade quando criança, e depois vieram os filhos e primeiro foi pensado neles. “Um dia eu conheci a professora Ladir e ela em uma conversa, onde eu disse que era analfabeta, mas sabia da importância da separação do lixo, me convidou para conhecer o Eja e ter a oportunidade de aprender a ler, então quando o meu marido ficou doente, logo após ele teve uma pequena depressão, foi ali que tomei coragem e disse que deveríamos fazer algo que nos deixasse feliz e encontramos o caminho”, conta Dilma.
Marli Schiochet, de 47 anos, também decidiu aprender a ler e escrever depois de ter se aposentado. “Na busca de ter o que fazer, optei em aprender e estou começando a descobrir as maravilhas do saber”, relata.
Mas as pessoas que não buscam o Eja somente como uma opção para aprender, Ana Maria Back, de 40 anos, viu no Eja a oportunidade para conseguir ser uma pessoa independente.
“Quando o meu marido morreu, há um ano e três meses, minha vida parou, pois eu não sabia pagar uma conta, dirigir um carro, nem fazer compra no supermercado, pois ele tomava conta de tudo. Então, um mês depois do falecimento do meu marido, e eu precisando ajudar os meus dois filhos pequenos, procurei a Prefeitura por socorro e eles me indicaram o Eja”, relata Ana Maria ao explicar que um mês depois de ter entrado no Eja, já estava aprendendo a dirigir e logo após tirou sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e realizou a vontade do seu filho menor, de lhe levar de carro na escola. “Agora já consigo me virar muito bem. Graças a Deus e ao Eja”, afirma ela.

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