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Oase de Timbó completa 84 anos de fundação

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Oase de Timbó completa 84 anos de fundação
Em comemoração ao Dia da Reforma, foi criado em 1928, o primeiro grupo de mulheres evangélicas no …

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

Foto: CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV
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TIMBÓ – A Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Timbó tem duas datas importantes para comemorar amanhã, dia 31 de outubro. A primeira é comemorada em todo mundo: Dia da Reforma e, a segunda é uma data especial somente para a Paróquia de Timbó: 84 anos de fundação da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (Oase).
Para marcar as duas datas, a Paróquia realiza amanhã, às 19 horas, o culto Paroquial da Reforma, na Igreja Ressurreição, no Centro.
Mas, como foi criada a Oase em Timbó? Essa pergunta quem responde é o pastor aposentado e escritor, Nelso Weingärtner. Em entrevista a redação do JMV, em sua residência o pastor inicia falando sobre as raízes do trabalho da Oase. Segundo ele, é muito importante à comunidade saber o porque existe este grupo de mulheres. “As raízes do trabalho da Oase estão na Bíblia. Tanto no Antigo Testamento, como no Novo Testamento, encontramos registros da importância dos serviços de mulheres entre o povo de Deus. Também no decorrer da história da Igreja, as mulheres sempre ocuparam importantes espaços em todas as atividades”, explica Weingärtner.
O pastor também relata que segundo dados históricos, a Oase teve origem no século 19 – o século no qual milhões de alemães emigram para as Américas e a Austrália – a Alemanha enfrentou indescritíveis crises sociais. “Foi o período da industrialização. Máquinas começaram a ocupar o lugar de trabalho de centenas de milhares de operários, que ficaram desempregados e experimentaram misérias indescritíveis”, explica ele ao afirmar, que foi nesse período que foram criadas muitas sociedades assistenciais, que forneciam refeições aos desempregados famintos. Outras sociedades cuidavam de crianças e idosos.
Foi nesse período de crises e sofrimentos, destaca o pastor, que no dia 4 de maio de 1899, foi criado o primeiro grupo da Oase na Alemanha. “Desde a fundação do primeiro grupo, a Oase sempre teve dois grandes objetivos: reunir mulheres sob a palavra de Cristo, para que a vida delas fosse transformada e prepará-las para tornar a vida das pessoas, ao seu derredor, mais digna de um ser criado à imagem de Deus”, salienta Weingärtner.
O pastor explica que ao lado do trabalho espiritual, os grupos na Alemanha, que se multiplicaram rapidamente, logo assumiram serviços sociais: contrataram diaconisas para atenderem doentes e idosos em suas casas, construíram maternidades e se dedicaram ainda, a auxiliar nos serviços sociais e assistenciais em outros países, para os quais haviam emigrado alemães.
Em Santa Catarina, relata Weingärtner, os primeiros grupos da Oase foram criados em 1907, em Blumenau e Brusque. Nessas duas cidades, na época, era muito grande o número de falecimentos de mulheres, em consequência do parto. Inicialmente, tanto em Blumenau como em Brusque, foram contratadas parteiras formadas, que atendiam as parturientes em suas casas. Mas logo em seguida, instalaram-se as primeiras maternidades.
 

Fundação do Grupo da Oase em Timbó
 

Em 15 de outubro de 1928, chegou em Timbó o pastor Gerhard Berggold e assumiu a Paróquia de Timbó no dia 21 de outubro, do mesmo ano. Uma de suas primeiras iniciativas, foi a criação de um Grupo da Oase. “Não encontramos registros sobre o dia da fundação, mas sugeriu-se que fosse fixado o dia 31 de outubro de 1928, como fundação da Oase. Justifica-se a data, porque no dia da Reforma (31 de outubro de 1517) era costume lançar programas inovadores nas comunidades. Por isso é muito provável, que foi no culto da Reforma de 1928, que foi lançada a ideia do Grupo da Oase (Evangelischer Frauen-Verein)”, relata o pastor. A primeira diretora do Grupo de Oase era formado pelas seguintes senhoras: Frau Pastor Berggold – Frau Maria Lindner – Frau Auguste Brandes – Frau Gertrudes Lorenz – Frau Hildegard Herweg. “Nos primeiros meses, as reuniões sempre aconteciam na casa pastoral, mas depois as reuniões foram realizadas, em rodízios, também nas casas de Fritz Lorenz, Hermann Brandes e Max Clasen”, comenta Weingärtner.
De acordo com o pastor, nos encontros semanais do grupo, as senhoras da Oase faziam trabalhos manuais como: bordar, tricotar, costurar, pintar e outros. Nessas reuniões, também cantavam e ouviam histórias interessantes, que eram lidas enquanto trabalhavam. Já durante o primeiro ano de atividades, o grupo tomou a decisão de assumir serviços sociais na comunidade. “Na época, a assistência às parturientes era muito precária na região. Grande era o número de falecimentos de mães e filhos, por falta de cuidados especializados no parto e nos cuidados dos recém nascidos”, lembra o pastor.

Oase trabalha na
implantação de uma
maternidade
No decorrer dos anos, diversas foram as parteiras formadas, contratadas pelo Grupo da Oase, mas que logo iam embora. “Enfim, no dia 18 de setembro de 1935, o município de Timbó recebeu a Diaconisa Auguste Schlosser, que veio trabalhar em nossa comunidade, através do Grupo da Oase. Foi no período de atuação de Schwester Auguste (como todos a chamavam) que foi construída a maternidade. Ela foi a grande incentivadora e conselheira na execução desta obra, cuja inauguração aconteceu no final de seu trabalho em Timbó, no dia 12 de setembro de 1937”, recorda o  pastor.
Weingärtner relata que a inauguração da maternidade em si, já aconteceu três semanas antes do ato oficial. Os quartos já estavam prontos com camas e cortinas. A sala de parto também estava pronta. Na cozinha, o fogão, a lenha estava pronto, só faltavam louça, lenha e fósforos. Então aconteceu, no dia 23 de agosto de 1937, no meio da noite, que Schwester Auguste foi chamada para a casa de Guilherme e Reinalda Krieger, onde uma menina não queria esperar a inauguração da maternidade para nascer. Schwester Auguste, auxiliada por Klara Schuster, invadiram a cozinha de Elsa Piske e encheram um balaio com lenha, palha de milho e uma caixa de fósforos, para acender o fogão na maternidade e esquentar água para o parto. Dessa forma, a maternidade foi inaugurada de maneira bem original, com o nascimento de Carmen Krieger”, relembra o pastor.
Em fins de 1937 Schwester Auguste deixou Timbó, mas sua presença e seus serviços deixaram marcas importantes na comunidade. Em janeiro de 1938, veio para Timbó Schewester Helena Süss, onde permaneceu por 30 anos, tornando-se uma verdadeira mãe para centenas de timboenses. “Logo, Timbó se acostumou a ver Schwester Helena pedalando sua bicicleta pelos diversos recantos da região. Era comum vê-la voltando de um parto ou da visita a algum doente, com uma galinha pendurada no guidão da bicicleta ou um pacote de aipim no bagageiro – era o pagamento que ela recebia pelos serviços de parteira e enfermeira de famílias pobres”, conta Weingärtner ao frisar, que Schwester Helena foi um verdadeiro anjo na comunidade e em novembro de 1967, ela recebeu o título de cidadã honorária de Timbó.
Atualmente, a Paróquia de Timbó conta com 17 grupos de senhoras da Oase, onde cada grupo reúne-se em sua comunidade, quinzenalmente, organizando e realizando eventos, chás, reuniões e auxiliando em festas nas comunidades e na Paróquia. Segundo informações da senhora Terezinha Metzner, o Grupo da Oase, da Paróquia de Timbó é um dos únicos em Santa Catarina que mantém um Hospital e Maternidade, sob seus cuidados. No Brasil são dois grupos apenas, Timbó, em Santa Catarina e Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul.
 

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