Há livros que contam histórias, e há livros que devolvem às famílias aquilo que o tempo quase levou: a memória viva. “1875 Sonhos e Ilusões A Saga da Família Stolf” nasce exatamente desse encontro entre pesquisa, emoção e identidade.
Em suas páginas, o leitor percorre a travessia de uma família que deixou a Europa em busca de esperança, enfrentando incertezas, despedidas e o desconhecido.
A obra, dividida entre “a vida no Tirol” e “a vida no Brasil”, reconstrói a trajetória dos Stolf desde a Alemanha, passando pela Áustria e Itália, até a chegada à região de Rodeio, no Vale do Itajaí.
Escrito por Aquilino Stolf, professor aposentado, pesquisador apaixonado e herdeiro direto dessa história, o livro mistura rigor histórico com sensibilidade literária. Baseado em documentos, arquivos, relatos orais e lembranças herdadas, o autor afirma que buscou não apenas relatar fatos, mas narrar um drama humano.
Criou cenas, emoções e diálogos sem alterar a veracidade histórica, para permitir que o leitor experimente o que seus antepassados sentiram ao abandonar a terra natal e recomeçar do zero. “O conhecimento da história nos liga emocionalmente ao passado”, diz ele. “Valoriza a luta de nossos antepassados e estimula a gratidão pelo legado recebido.”
Inspirado pelo convívio com bisavós imigrantes e pela cultura que permeou sua infância, Aquilino conta que escreveu o livro em poucos meses, mas que a pesquisa o acompanhou durante toda a vida. “Fui criado ao lado de meus bisavós maternos. Meu pai também era neto de imigrantes. Tudo contribuiu para chegar ao conteúdo da obra”, descreve.
Uma noite para celebrar o passado: o lançamento da obra
Foi com esse espírito, o de revisitar raízes e celebrar heranças, que ocorreu a cerimônia de lançamento de “1875 Sonhos e Ilusões A Saga da Família Stolf”. Na noite chuvosa do dia 24 de novembro, o Auditório do Museu da Imigração, em Rio dos Cedros, ganhou clima acolhedor, onde cada convidado parecia carregar consigo fragmentos da história narrada nas páginas do livro.
A abertura homenageou a tradição. O Grupo de Canto Famílias Trentinas de Timbó e Rio dos Cedros, sob regência de Ari Perini, envolveu o público com melodias tirolesas que pareciam atravessar os séculos e reencontrar as vozes dos antepassados. Logo depois, Almiro Nardelli e Mauro encantaram com gaita de boca e violão, resgatando sons antigos que dialogam com a narrativa da imigração.
A composição da mesa de honra reuniu o autor, representantes da Família Stolf, autoridades convidadas e integrantes da editora. O público saudou o grupo com aplausos demorados, uma reverência à história que ali se fazia presente.
Após os pronunciamentos, o momento mais simbólico finalmente chegou.
Em um gesto coletivo de honra e reconhecimento, o autor e os membros da mesa apresentaram oficialmente o livro ao público. Flashes, sorrisos e um silêncio emocionado marcaram a cena. Era mais do que o lançamento de uma obra, era a entrega de um legado.
Na entrevista concedida à redação do Jornal do Médio Vale (JMV), Stolf demonstrou a mesma simplicidade e profundidade que marcam sua escrita. Disse que, apesar da chuva e do início da semana, a qualidade das pessoas presentes superou qualquer expectativa. “Foi como uma sala de aula cheia, receptiva e calorosa”, descreveu.
O que mais o emociona, contou, é perceber o interesse do público pelas origens da imigração italiana e tirolesa. Revelou ainda que não planeja, por ora, escrever outro livro. Deseja antes aprofundar pesquisas, ampliar emoções e aprimorar o que já produziu.
Sobre a presença da obra nas escolas, Stolf refletiu sobre as mudanças nos tempos, mas reiterou: “A leitura ainda é importante, aprazível e, para quem ensina, indispensável.” Ele pretende doar exemplares às escolas da região que têm afinidade com o tema, reforçando o compromisso com a educação histórica.
Um livro, uma família, muitas memórias
Ao final da noite, durante a sessão de autógrafos, cada dedicatória parecia abrir uma pequena janela para o passado. Havia emoção, orgulho e, sobretudo, pertencimento. Porque a história dos Stolf, embora singular, também é coletiva. Ecoa na jornada de tantas famílias que construíram o Vale do Itajaí.
“1875 Sonhos e Ilusões” é mais do que literatura, é ponte. É encontro entre tempos. É a celebração silenciosa de quem veio antes e a certeza de que, ao registrar suas histórias, seguimos honrando o que somos.
Uma obra que, agora lançada, encontra seu verdadeiro destino: mãos que leem, corações que lembram e gerações que continuarão a escrever, com sonhos, ilusões e esperança, seus próprios capítulos.





