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Polícia Militar Feminina de Santa Catarina comemora 30 anos

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Polícia Militar Feminina de Santa Catarina comemora 30 anos
Para a Soldado da PM de Timbó, esmalte nas unhas e maquiagem é a única diferença encontrada entr …

TAÍSE HEBERLE DE LIMA/JMV

Foto: divulgação

 TAÍSE HEBERLE DE LIMA/JMV

 
TIMBÓ – Na última terça-feira, 25 de junho, a Polícia Militar de Santa Catarina comemorou os 30 anos da participação de mulheres nos quartéis militares, a comemoração aconteceu no Teatro Ivo Campos, em Florianópolis, com uma solenidade alusiva à data e exposição de uniformes usados pelas policiais.
Com a presença de diversas autoridades estava o coronel Sidney Pacheco, que em 1983 implantou a polícia feminina em Santa Catarina, na época, segundo ele, sob a crítica de muitos companheiros. Enquanto discursava, o coronel já aposentado, contou que da percepção da importância da participação das mulheres na rotina dos quartéis à efetivação da conquista delas deste posto de trabalho, enfrentou muitos questionamentos, relacionados, principalmente à segurança e preparo das mulheres para a função. “Mesmo assim, eu preferia a vergonha de não conseguir do que a de não ter ao menos tentado. Felizmente deu certo. Em pouco tempo havíamos formado uma turma de 31 sargentos e logo depois, três oficiais na carreira de policial militar em Santa Catarina”, relembrou o fundador da Polícia Militar Feminina do Estado.
Ainda segundo o coronel Sidney Pacheco, contrariando os que tinham dúvidas do desempenho das mulheres frente às situações de perigo, logo após a criação da PM feminina, duas policiais militares foram “manchete de jornal” ao capturarem e prenderem um assaltante durante uma ocorrência registrada na rua Conselheiro Mafra, no Centro de Florianópolis. “A partir desse momento tive a certeza de que as mulheres tinham perfeitas condições de ocupar um espaço, até então, conquistado por homens” destacou.
 
Pioneirismo feminino em manifestações militares
Durante a comemoração, o secretário de Estado da Segurança Pública, Cesar Grubba, fez um contexto histórico da participação de mulheres em manifestações militares. Ele citou Maria Quitéria de Jesus, militar brasileira heroína da Guerra da Independência, por volta de 1822. 
Maria Quitéria era noiva quando teriam começado, na Província da Bahia, as agitações contra o domínio de Portugal. Maria Quitéria teve negado pelo pai o pedido para se alistar, foi quando fugiu de casa, cortou os cabelos, se vestiu como homem e conseguiu se alistar com o nome de Medeiros, no Regime de Artilharia, onde ficou até ser descoberta pelo pai, semanas depois.
 
Timbó conta com duas policiais femininas
Conforme a soldado Iraci Morbach, hoje em Timbó, há duas policiais femininas, ela e a soldado Alexandra. “Somos da mesma turma, de 1994. Essa foi a primeira turma de policiais femininas do Vale do Itajaí. Da nossa região, éramos eu e a Andréa Luciana, que hoje trabalha em Ascurra;  a Alexandra e sua irmã Adriana, naturais de Bendito Novo (a Adriana trabalha hoje em Criciúma), a Soldado Kátia (que trabalha em Indaial) . Eu fui a primeira policial feminina a vir prá Timbó, em 2000. Outras vieram e se foram e eu permaneci”, explica a soldado Iraci. 
Ao completar 30 anos da criação da Polícia Feminina no Estado Iraci afirma estar contente, por estar há 19 anos ajudando a construir essa história. “Muitos paradigmas foram quebrados, preconceitos vieram ao chão e a mulher policial mostrou seu valor”, conta. 
Após a unificação dos quadros da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), em 1998, homens e mulheres passaram a ocupar as mesmas vagas. “Houve também avanços e melhorias no serviço da policial militar feminina, que pode então trabalhar em qualquer cidade, sem ter necessariamente um comando feminino”, detalha a Soldado.
Em Santa Catarina, a empregabilidade inicial que foi atuar no trato com menores, idosos, abandonados e mulheres envolvidas com delitos penais, foi ultrapassada e as policiais passaram a concorrer a vagas antes restritas aos homens, o serviço operacional foi o mais significativo. “Fico feliz em ter participado e contribuído nessas conquistas, uma vez que minha turma foi a primeira a trabalhar a noite e usar calça e coturno como fardamento”, revela Iraci.
Quando Iraci ingressou na corporação a formação foi exclusiva para mulheres, porém, não houve nenhuma facilidade, pelo contrário. “Nós é que fomos integradas as matérias policiais e não o treinamento a nós”, destaca.  A corporação oferece oportunidades iguais aos homens e mulheres em cursos de formação, não há mais distinção quanto ao sexo. “O que é uma vitória”, acrescenta Iraci. Atualmente as alunas policiais, disputam as mesmas vagas e o treinamento não difere dos homens, as turmas são mistas. “Aliás, o que difere são as unhas pintadas e o rosto maquiado”, conta.
Para a soldado é notório que os homens têm mais força física, porém, Iraci afirma que nem sempre é o necessário para se resolver ocorrências. “A intuição, criatividade e a sensibilidade da mulher trouxe uma visão mais humana à corporação”, lembra. “Adotei Timbó e fui adotada pelos timboenses, então é um prazer enorme poder servir a essa comunidade. Agradeço por ter a oportunidade de ter uma profissão que me ensinou e diariamente ensina, ter contato com pessoas, ajudá-las e, em especial, para mim, receber o carinho das crianças”, avalia. Conforme ela há os seus riscos, noites sem dormir, feriados e festas sem comemoração, questão salarial, plantões de muitas horas, militarismo. “Mas ao “pesar na balança” não há profissão que me faria mais feliz e completa como pessoa”, revela Iraci.
A soldado parabeniza as 589 policiais femininas de Santa Catarina e conta que não pode estar presente na comemoração em Florianópolis, pois estava participando de uma prova física em Blumenau, disputando vagas com os homens. “Estávamos em 12 mulheres e mais de 100 homens”, conta. Alguns deles não passaram, mas todas as mulheres participantes conseguiram passar. Inclusive uma delas, mãe recente e ainda estava amamentando, ela caiu na corrida dos 100 metros, levantou e correu no tempo, ela correu mais 2400 metros. “Essa é a força da mulher policial”, finaliza.
 

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