Às vezes, a paz começa com um simples fio de lã. Outras vezes, nasce das mãos de pessoas que, mesmo separadas por oceanos e idiomas, compartilham o mesmo desejo de ajudar quem mais precisa.
Foi assim que surgiu o projeto “Entrelaçados de Paz” (Intrecci di Pace), uma iniciativa internacional que uniu voluntárias de Timbó, no Brasil, e de Castello Tesino, na Itália, em uma corrente de solidariedade que atravessou continentes e chegou até a Palestina. O projeto também marca um momento especial na relação entre os dois municípios, sendo a primeira ação desenvolvida entre as cidades-irmãs.

A ação é resultado de um projeto iniciado em março deste ano, quando a timboense Norma Da Rui esteve na Itália e passou a integrar a mobilização promovida pelo grupo Le Donne per la Pace (Mulheres pela Paz). A proposta consistia na confecção de quadrados de crochê que posteriormente seriam unidos para formar cobertores solidários.
Cada peça precisava seguir dois requisitos: medir 50 centímetros de cada lado e ter predominância da cor azul. A partir daí, dezenas de voluntárias passaram a dedicar tempo, criatividade e afeto à produção dos trabalhos.
Segundo Norma, a adesão foi imediata. Crocheteiras da região aceitaram o convite e contribuíram para que o projeto ganhasse forma. Entre elas, a própria Norma, a senhora Meike Slomp e diversas outras voluntárias que dedicaram horas de trabalho à iniciativa.
O envolvimento também ultrapassou as agulhas e os novelos. Voluntários assumiram a missão de transportar os trabalhos produzidos no Brasil até a Itália. Entre eles estiveram o médico Amauri Cadore e sua esposa, além da família do senhor Antonio Baumgartner, ambos de Brusque, que colaboraram para que as peças chegassem ao destino no início de maio. A ex-prefeita de Vigolo Vattaro, Michella Pacchialat, e a intercambista Paola Da Rui Gadotti também contribuíram diretamente para essa corrente solidária, auxiliando no transporte das mantas entre o Brasil e a Itália.
Na Itália, os quadrados confeccionados pelas brasileiras foram unidos aos produzidos por voluntárias italianas, formando os cobertores que se transformaram no símbolo maior da campanha.

Mais de quatro mil horas dedicadas à solidariedade
O resultado impressiona pelos números e, principalmente, pelo significado. Ao todo, foram confeccionados 106 cobertores, produzidos com cerca de 80 quilos de lã e mais de 4.240 horas de trabalho voluntário.
Participaram da iniciativa 89 pessoas, entre crianças, jovens e idosos, provenientes de diferentes regiões da Itália e também do Brasil. Havia participantes de apenas 9 anos de idade e voluntários de gerações mais experientes, todos unidos pelo propósito de transformar o artesanato em uma mensagem concreta de paz.
Os cobertores foram apresentados oficialmente no dia 30 de maio, durante um evento realizado no campo esportivo de Castello Tesino. Na ocasião, as primeiras 35 peças foram comercializadas, arrecadando 1.200 euros, valor já destinado à organização humanitária Médicos Sem Fronteiras, que atua no atendimento à população palestina.
A campanha segue em andamento, e os cobertores restantes continuam disponíveis mediante uma doação mínima de 35 euros. Todo o valor arrecadado será destinado integralmente às ações humanitárias desenvolvidas pela entidade.
Norma também destacou o apoio recebido dos prefeitos das cidades-irmãs, Lúcio Muraro e Flávio Buzzi, além de agradecer às idealizadoras do projeto, Graziella Menato e Aurora Dellamaria.
Mais do que uma arrecadação de recursos, o projeto mostrou como gestos simples podem atravessar fronteiras e aproximar pessoas em torno de uma causa comum. Afinal, como destacam os organizadores, a paz não nasce apenas de grandes decisões, mas também das mãos de pessoas comuns que escolhem dedicar seu tempo, sua sensibilidade e seu coração ao próximo.




