Ressocialização inicia atrás das grades
Na Unidade Prisional de Indaial, 85% dos apenados trabalham para auxiliar a família e reduzir tempo …
TAÍSE HEBERLE DE LIMA/JMV

TAÍSE HEBERLE DE LIMA/JMV
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INDAIAL – Com a discussão entre prefeitos e o governador sobre a implantação de mais uma Unidade Prisional na região do Médio Vale, em um dos municípios de abrangência da Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí (Ammvi) a redação do Jornal do Médio Vale foi conhecer a realidade da Unidade Prisional Avançada de Indaial, local onde 85% dos detentos trabalham para auxiliar a família que está do lado de fora e também que reduz o tempo de reclusão.
A Unidade Prisional Avançada de Indaial passa por um problema enfrentado por muitas unidades prisionais, presídios e penitenciárias, que é a superlotação. “Possuímos 99 presos e o nosso limite seria de apenas 50, mas afirmamos que está superlotada a partir de que hajam pessoas dormindo no chão”, revela o administrador da Unidade Prisional Avançada de Indaial, Ricardo Morlo.
Uma parceria muito interessante que acontece na unidade de Indaial é de unir o trabalho dos apenados com o fornecimento de materiais pela Taschibra, auxiliando na ressocialização de detentos. “Cerca de 85% dos presos trabalham aqui dentro, alguns trabalham no pátio, esses são do regime semiaberto e que estão no final do cumprimento de suas penas, os outros trabalham nas galerias”, revela Ricardo. Os apenados não são obrigados a trabalhar, portanto, o número de adesão a essa atividade é muito grande, mas que para o administrador poderia ser maior.
Em troca do trabalho, os apenados recebem salários que podem variar dependendo de suas produções por mês. “Essa é uma forma de auxiliar as famílias que estão do lado de fora das celas”, diz Morlo. Para aqueles que não possuem uma família esperando do lado de fora é uma forma de conseguir ter uma renda no final de sua pena, já que o salário é todo depositado em uma conta e quem pode ter acesso são os familiares ou o preso no momento que acaba a pena. O trabalho também serve para a redução das penas, a cada três dias trabalhados é reduzido um dia da pena.
Além do valor mensal que a família do apenado recebe por seus trabalhos, ela recebe também o auxílio reclusão. “Para isso acontecer ele deveria de ter trabalhado com carteira assinada no mínimo um mês antes de ser preso, o teto máximo desse auxílio é de R$ 900,00”, conta. Os R$ 900,00 é o máximo do que eles podem receber, alguns recebem um salário ou até menos do que isso. “É feito um cálculo para verificar quanto o apenado deve receber do auxílio reclusão, os que não trabalhavam a menos de um mês com carteira assinada não têm direito à esse auxílio”, revela Ricardo, o qual lembra ainda que os apenados que não possuem uma família para ajudar com essa renda, muitas vezes saem da unidade com R$ 10.000,00 na conta. “Dessa forma eles saem sem pensar em assalto, roubo, entre outros crimes”, frisa.
Como funciona
Os apenados não são obrigados a trabalhar, mas os que aceitam cumprem seis horas de trabalho por dia. Os que trabalham nas galerias não trabalham com ferramentas, já os que trabalham no pátio têm acesso a ferramentas e ocupam uma área de 500 metros quadrados. “Quem pode ficar no pátio e trabalha com ferramentas são aqueles que estão no regime semi-aberto, são esses que estão terminando a pena”, diz Morlo. Os apenados produzem soquetes, embalam lâmpadas entre outros serviços, com o acompanhamento de um técnico da Taschibra.
Os turnos funcionam da seguinte forma: na parte da manhã tem um grupo na cozinha fazendo o almoço, esse mesmo grupo a tarde vai para o pátio trabalhar e o inverso acontece com outro grupo, que pela manhã está no pátio trabalhando e a tarde fazendo o jantar.
A unidade é considerada uma fornecedora à Taschibra, por isso no ano passado eles receberam o “Prêmio Fornecer Taschibra”. Para este ano está previsto a chegada de embalagens, dessa forma será possível que o produto da Taschibra saia da unidade prisional embalado, direto para o mercado. “Por mês são produzidas um milhão e meio de peças e a meta é que chegue a dois milhões”, revela.
unidade pacificada
O administrador da Unidade Prisional lembra que há 20 anos não acontecem problemas na unidade, mas que há três anos aconteceu uma fuga por desatenção. “Nunca tivemos casos de motins, convivo aqui e posso dizer que é um lugar tranquilo”, afirma Ricardo. Ao andar pelo pátio do presídio, local onde é realizado o trabalho dos detentos, a redação do Jornal do Médio Vale pode perceber a tranquilidade e o modo pacificado dos detentos realizarem suas atividades.
Existe a ideia de que a unidade amplie o conhecimento dos apenados através de cursos técnicos. “Isso para que eles adquiram mais conhecimentos e possam sair daqui com outro pensamento, não o de furtar, roubar ou cometer outros crimes, mas sim de trabalhar”, acredita Ricardo. Sobre o material utilizado, a Taschibra doa todo o material para que os apenados possam realizar o trabalho. “Para a Taschibra isso tem um valor social”, destaca.
Alimentação
Ricardo Morlo revelou ao JMV as prateleiras dos alimentos que estavam estocados com todo o cuidado em um lugar especial da Unidade Prisional. Eram frutas, legumes que chegam todos os dias fresquinhos. “Todos os dias os apenados desta unidade recebem pão fresquinho pela manhã, já cedo temos algumas pessoas trabalhando para que isso seja possível”, revela.
Problemas que
levam à prisão
Hoje o maior problema que leva muitas pessoas presas são as drogas. “Acabam presos não só quem vende, mas também os consumidores”, afirma. Mas outro problema tem levado muita gente para trás das grades, que é o caso de motoristas que dirigem após beber. “No último fim de semana recebemos sete pessoas que se encaixam nesse caso”, finaliza o administrador da Unidade Prisional.
Confira na tabela a diferença entre penitenciárias, presídios e unidades prisionais, informações concedidas por Sérgio Dias, do setor penal, do Departamento de Administração Prisional de Blumenau.
Saiba mais
Penitenciárias – são unidades destinadas a receber presos já condenados, possuindo toda uma estrutura de atendimento que visa o efetivo cumprimento da pena do reeducando. Como: setor jurídico, assistente social, entre outros;
Presídios – são unidades que recebem presos em regime provisório, que ainda não foram julgados e aguardam sentença;
Unidade Prisionais Avançadas (UPA) – recebem presos em regime provisório e condenados e visam atender as necessidades locais, sendo unidades de pequeno porte (no máximo 100 detentos).





