A ligação entre Timbó, no Vale Europeu catarinense, e a cidade italiana de Castello Tesino, na província de Trento, ganhou novos capítulos de emoção e significado durante uma recente viagem pela Europa. Em entrevista ao Jornal do Médio Vale (JMV), a timboense e agente consular honorária da Itália, Norma Maria Da Rui, compartilhou momentos marcantes de sua jornada de dez dias pela Itália e Alemanha, destacando encontros que reforçam a amizade entre as duas cidades.
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Segundo Norma, o dia 1º de março foi especialmente simbólico. Na ocasião, ela esteve em Castello Tesino, município que mantém pacto de amizade com Timbó, firmado no início do atual mandato do prefeito Flávio Germano Buzzi, em parceria com a prefeita italiana Graziella Menatto.
Durante a visita, Norma foi recebida pelo prefeito Lúcio Muraro, pela ex-prefeita Graziella Menatto, pela presidente do grupo Folk Tesino, Aurora Dellamaria, pela vereadora Teresa e por integrantes da comunidade local. O encontro reuniu representantes da cultura italiana e pessoas ligadas à história da imigração trentina no Brasil.
Um dos momentos mais emocionantes foi a estreia do documentário “Con la Valisía in Man” (Com a mala na mão), que retrata a viagem do Grupo Folk Tesino ao Brasil. O filme apresenta a passagem do grupo por cidades como Florianópolis, Blumenau, Timbó, Rio dos Cedros, Rodeio, Treze Tílias, Guabiruba, Nova Trento e Balneário Camboriú, onde levaram danças típicas, trajes tradicionais e manifestações culturais que encantaram o público brasileiro.


CULTURA, MEMÓRIA E SOLIDARIEDADE
Durante a estadia, Norma também visitou espaços que preservam a história local, como o Museu Casa De Gasperi e o Museu de Usos, Costumes e Tradições Tesinas. Os locais destacam a trajetória da região e de personalidades como Alcide De Gasperi, um dos grandes líderes políticos da Itália no século XX.
A viagem também abriu espaço para novas iniciativas de cooperação e solidariedade. Por incentivo da ex-prefeita Graziella Menatto, nasceu o projeto internacional “Le Donne per la Pace” (Mulheres pela Paz).
A proposta prevê a confecção de 100 cobertores artesanais, compostos por quadrados de 50 cm por 50 cm, produzidos em crochê ou tricô na cor azul. As peças serão reunidas na Itália e vendidas para arrecadar recursos destinados à organização Médicos Sem Fronteiras, que atua em regiões de conflito, incluindo a Palestina.

Norma aproveitou a entrevista para convidar mulheres de Timbó e da região a participarem da iniciativa. Interessadas podem entrar em contato pelo telefone/WhatsApp (47) 99981-4473 e entregar os trabalhos até o dia 10 de abril de 2026.
Castello Tesino já demonstra tradição no artesanato. Em 2025, crocheteiras locais produziram a maior bandeira de crochê da Palestina do mundo, registrada no Guinness Book.
JOVENS, RAÍZES E REENCONTROS
A viagem também incluiu a participação na abertura do programa “As raízes que retornam”, voltado a jovens descendentes de imigrantes da província de Trento que vivem no exterior. A iniciativa promove o aprendizado da língua e da cultura italiana.
Entre os participantes estão três jovens de Santa Catarina, incluindo Paola Da Rui Gadotti, de Timbó, e Jordano Tomasini, de Rio dos Cedros.
Em entrevista, Paola destacou a importância da experiência. “Viver aqui em Trento tem sido incrível. É uma cidade histórica, organizada e onde é possível fazer muitas coisas a pé. Também estou conhecendo pessoas de vários países”, relatou.
Ela ressaltou ainda o impacto das atividades culturais. “Além das aulas, temos excursões e contato direto com a comunidade. Uma das experiências mais marcantes foi deitar na neve e fazer anjos. O frio intenso é algo completamente novo para nós”, contou.
Durante a viagem, Norma também visitou instituições como a Unione delle Famiglie Trentine e a Trentini nel Mondo, onde foram entregues livros brasileiros sobre a imigração italiana.


Outro destaque foi o encontro com o prefeito de Trento, Dr. Franco Ianeselli, que apresentou políticas voltadas aos descendentes de trentinos no exterior.
O roteiro incluiu ainda visitas a cidades históricas, encontros com famílias de sobrenomes tradicionais como Odorizzi, Gadotti, Piseta e Grigoletto, além de uma fábrica artesanal de tachos de bronze para polenta. No local, o mestre Carmello Armellini, aos 94 anos, segue trabalhando ao lado do filho Stéfano, mantendo viva uma tradição centenária.
Para Norma, mais do que uma viagem, a experiência representa um reencontro profundo com a própria história. “Mesmo depois de mais de 150 anos desde a partida dos nossos antepassados, ainda encontramos na Itália o mesmo sangue, a mesma história e o mesmo sentimento de pertencimento. Afinal, distante é um lugar que não existe”.





