Dilma e a economia mundial
A presidenta eleita, Dilma Rousseff, que já está ocupando uma das suítes do Palácio da Alvorada, …
Evandro Loes
A presidenta eleita, Dilma Rousseff, que já está ocupando uma das suítes do Palácio da Alvorada, como convidada de honra do presidente Luis Inácio Lula da Silva, terá grandes desafios logo nos primeiros meses de mandato. A economia mundial volta a mostrar sinais de esgotamento, após a recuperação da crise de 2008, quando os mercados entraram em pânico mundo afora. Agora a maior ameaça à tranquilidade econômica é a exceção de moeda em circulação, com destaque para o Dólar Americano. Mesmo com a impressão irresponsável de moeda, os Estados Unidos não estão conseguindo reverter a crise interna de desemprego, que abala a maior economia do mundo. Se em crise, os EUA conseguem manter um déficit de R$ 50 bilhões mensais com o resto do mundo, imaginem a cifra se a economia estivesse bombando como o verificado há cinco anos? De dois anos para cá o mundo descobriu que a maior economia do planeta está financiando seus constantes déficits por conta da emissão de moedas e títulos, o que vem sedo absorvido por todos os países. Para se ter uma idéia, no início da gestão Lula o Brasil tinha apenas US$ 20 bilhões em reservas e uma dívida equivalente com  o Fundo Monetário Internacional ? FMI. Passados oito anos, o país pagou o FMI, pagou os juros da dívida de US$ 230 bilhões existentes e acumula quase US$ 300 bilhões em reservas líquidas. A proeza é tamanha, que em cinco anos o Brasil conseguiu levantar fundos para saldar o acúmulo de dívida construída desde o Império. A China é outro exemplo. Há cinco anos, tinha uma reserva cambial de US$ 600 bilhões, conta os atuais US$ 2,5 trilhões. Todas estas reservas, somadas aos demais países que acumularam divisas, mostra o tamanho do rombo americano. Em algum momento, haverá um acerto de contas e o resultado é previsível. Ou os EUA darão um calote geral, ou haverá uma inflação para corrigir a exceção de moeda no mercado. A segunda opção é a mais provável e é por isso que já se discute a substituição do Dólar como divisa internacional. Além destes fatores externos, a presidenta Dilma vai receber um país com a economia aquecida e uma inflação acima do centro da meta estabelecida pelo governo. Se manter seu compromisso com os pilares do atual modelo econômico, Dilma terá que adotar, fatalmente, medidas restritivas para conter o consumo interno. Ou seja, deve aumentar os juros e reduzir o crédito para frear a demanda. A notícia pode não parecer boa, mas é. O Brasil precisa continuar crescendo, mas uma freada não será o fim do mundo, pois não se sabe o tamanho da curva que virá adiante na economia mundial.




