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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Memórias de uma tragédia

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Memórias de uma tragédia
Na véspera de completar dois anos da tragédia que se abateu sobre o Vale do Itajaí, a partir do d …

Evandro Loes

Na véspera de completar dois anos da tragédia que se abateu sobre o Vale do Itajaí, a partir do dia 24 de novembro de 2008, muitas recordações e tristezas nos vêem à mente. Foram mais de 130 mortes, centenas de feridos e uma incalculável destruição da infraestrutura e bens materiais de milhares de famílias. A tragédia deixou lições, porém, com o passar do tempo, muitas pessoas, inclusive lideranças políticas e comunitárias, acabam esquecendo os perigos que levaram nossa região a sofrer com a ação da natureza e velhas práticas irresponsáveis são repetidas. Será que teremos que aguardar a próxima tragédia, que certamente virá em algum momento no futuro, para voltarmos a debater formas de prevenção contra incidentes como o verificado naquela ocasião? Em respeito aos que partiram e, mais ainda, para garantir a segurança dos que vivem em nossa comunidade, é preciso que sejamos vigilantes sobre essa questão. A comunidade é parte fundamental nesse processo, pois de nada adianta as autoridades alertarem e estabelecerem regras se os cidadãos não as cumprem. Um levantamento preliminar feito pelo JMV, constatou que ainda há muitos reflexos da tragédia de 2008 em nosso cotidiano. Famílias ainda aguardam a reconstrução de suas casas, obras de infraestrutura, especialmente no setor viário, ainda estão pendentes, sem contar diversos reparos feitos na base da urgência, sem respeitar estudos aprofundados para uma solução duradoura. Nossa equipe de jornalismo esteve presente em todos os momentos daqueles dias que ficarão para sempre em nossa memória, assim como ficaram as cheias de 1983, 1984 (Blumenau) e 1992 (Timbó). Somos conscientes que nossa região está localizada em meio a vales de montanhas, que canalizam as águas das chuvas, cada vez mais concentradas, sendo a principal causa das cheias e desmoronamentos. Pensar que a tragédia de 2008 é coisa do passado é um grande erro. Ações preventivas são necessárias e urgentes, pois quem percorre a região percebe os inúmeros perigos que ainda nos cercam. Há muita gente instalada em encostas de montanhas ou em pequenos vales que podem canalizar eventuais avalanches de terra, como a verificada no Ipiranga, em Rodeio, onde quatro pessoas de uma família foram mortas. Além disso, construções nas barrancas de rios, como verificamos em vários pontos sobre os rios Cedros e Benedito, são alguns exemplos de que novas tragédias estão porvir. Evitá-la exige muito mais do que discurso. É preciso prática e conscientização de todos.

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