Tragédias: é melhor prevenir
As recentes tragédias em Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas, nos d …
Evandro Loes
As recentes tragédias em Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas, nos dão a certeza de que fenômenos naturais serão cada vez mais frequentes e a ocupação desordenada do solo torna as pessoas muito vulneráveis à tragédias. Não é diferente no Vale do Itajaí, onde a concentração populacional não é tão intensa no interior, mas a ocupação de encostas ou planícies de vales que formam canais de água ou mesmo de lama em eventuais desmoronamentos, não diminui os riscos de incidentes graves. Em Blumenau a situação é gravíssima pela ocupação de encostas e áreas próximas ao rio Itajaí Açu. A cidade já sofreu as consequências em novembro de 2008 e tudo indica que novos eventos virão no futuro. O mesmo acontece nos demais municípios da região, embora com menor intensidade. Cidades como Timbó e Indaial ainda mantém uma ocupação ordenada do solo. Mas casos isolados merecem a mesma atenção por parte das autoridades, pois qualquer vida ceifada é uma tragédia familiar e comunitária. Esta semana, a televisão destacou a prevenção realizada na Austrália, onde as chuvas tiveram intensidade até superior às registradas no Brasil. No entanto, as perdas humanas foram pequenas em comparação as verificadas em nosso país. A que se deve tais diferenças? Uma, bem lógica, é que as áreas atingidas na Austrália não eram montanhosas, por isso os desmoronamentos, que no caso brasileiro fizeram o maior número de vítimas, esteve afastado no país da Oceania. Mas a prevenção foi o grande diferencial. Com o uso de tecnologia e uma rede ampla de informações junto às comunidades, as pessoas nas áreas de risco puderam deixar suas casas e até salvar pertences. O Brasil está investindo em novas tecnologias e, segundo foi anunciado pelas autoridades, será possível prever grandes concentrações de chuvas com bastante antecedência, a fim de informar a população. É preciso mais do que prever. É necessário conscientizar a população dos riscos e fazer a informação chegar ao público alvo. Mais que isso. É fundamental que os governos tenham estratégias rápidas para atender a população. Em 1992 a microrregião de Timbó (Rio dos Cedros, Benedito Novo , Doutor Pedrinho e Rodeio) viveu a maior enchente da história recente. O nível dos rios superou as marcas de 1983 e 1984, quando Blumenau foi atingida por sua maior cheia. Passados quase 20 anos da cheia de 1992 só vimos a cidade crescer em termos de construções e população. Se um fenômeno como aquele voltar a acontecer, ou até em maiores proporções, não há nenhuma estratégia de socorro emergencial. Não devemos agir como se estivéssemos imunes. Uma idéia seria a instituição de um Fórum Anual de Prevenção a Fenômenos Naturais, envolvendo autoridades, entidades de classe, meios de comunicação e a comunidade em geral. Temos que viver com tranquilidade e a prevenção faz parte desse bem estar.




