Um lar das antigas: família é composta por 10 filhos
No Dia das Mães é importante fazer uma avaliação sobre os conceitos da mulher e a sua vocação …
Clarice Graupe Daronco / JMV

INDAIAL – Casar e ter filhos passou a ser uma opção para a mulher, que conquistou espaço no mercado de trabalho. A sobrecarga familiar da mulher é grande e há dificuldades para conciliar carreira e filhos. São tarefas que demandam tempo e dedicação. De acordo com pesquisas a decisão de não ter filhos já tem reflexo na taxa de fecundidade do país, que cai há pelo menos 50 anos. Era superior a seis filhos por mulher até os anos 1960 e caiu para 1,9 em 2010, segundo o último Censo do IBGE. A tendência, segundo a Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE, é que ela chegue a 1,7 até 2020, levando a população a encolher e envelhecer.
Atualmente os lares são formados por no máximo dois filhos, sendo que a maioria dos novos casais opta em ter apenas um. Mas o que você diz quando encontra em pleno século 21 uma família com 10 filhos. Com certeza nos lembramos dos nossos avôs e bisavôs, cujos casais tinham “a tradicional escadinha”. Outros dirão: “que corajosos que eles são”. Mas muitos, com certeza ficarão curiosos e gostariam de conhecer essa história. Por isso, para comemorar o Dia das Mães, data celebrada no segundo domingo de maio, a redação do Jornal do Médio Vale entrevistou a família de Jairo e Raquel Campos.
O casal é natural do Rio de Janeiro, onde ambos nasceram em 1971 em São João de Meriti. Eles começaram a namorar aos 16 e casaram aos 23. Jairo é formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Raquel formou-se em veterinária na Universidade Federal Fluminense. O primeiro filho do casal, João Pedro, nasceu em 1995; João Filipe em 1997; Johannah Paula em 2001; João Mateus em 2002; Johannah Jéssica em 2005; Johannah Déborah em 2007; João Lucas em 2009; João Marcos em 2010; João Tiago em 2012; e, João Paulo em 2014.
Jairo fez residência em Cirurgia Geral e foi médico do exército por um ano. Em 2000, no entanto eles se mudaram, para os Estados Unidos, onde Jairo foi fazer Mestrado em Teologia no SWTBS, em Fort Wort, Texas. “Lá moramos por 10 anos e nasceram os filhos desde a terceira até o oitavo. Fui consagrado como pastor Batista em janeiro de 2002. Durante o tempo no Texas fui pastor da Igreja Batista Brasileira em Dallas período no qual também iniciou o projeto 70 o qual coordeno hoje aqui no Brasil”, conta o pai que está fazendo uma homenagem a Raquel, que esteve de aniversário no dia 4 de maio. A família, que está em Santa Catarina desde 2013, reside no bairro Benedito, em Indaial.
Segundo ele, muitas pessoas lhe perguntam porque decidiram ter muitos filhos ou exclamam que são corajosos mas: “para dizer bem a verdade, nós tínhamos dificuldade em responder a indagação de porque pararmos de termos filhos. Para nós dois, “evitar filhos” requer mais coragem do que tê-los. Filhos são herança eterna de Deus e pensar que podemos ou devemos interromper esse processo sempre nos deixou indecisos. Não que não utilizássemos de algum tipo de contracepção, mas, quando não se decide realmente trancar a porta ela permanece aberta”, explica o pai.
Jairo conta que houve, em 2000, no ano em que chegaram aos Estados Unidos, um acontecimento que mudou muito os seus conceitos. “A Raquel estava grávida pela terceira vez da nossa primeira menina e ela nasceu morta com oito meses de gestação. Parece que esse evento despertou em nós a valorização ainda maior daquilo que Deus permite ser gerado em você. A Raquel quis engravidar logo após e, menos de um ano depois, nasceu a Johannah Paula”, relata ele.
O pai observa que ter uma família grande traz desafios maiores. “Precisamos de mais espaço em casa, no carro (van), no carrinho do supermercado. A nossa rotina é quântica. Há uma grande tendência à desordem, mas, de uma maneira não tão fácil de explicar, as coisas acabam tomando o seu lugar. O trabalho de equipe e a ajuda mútua são imprescindíveis para isso. Cada um aprende rapidamente a resolver-se nas suas rotinas. Em casa todos tem tarefas domésticas. Na cozinha, na limpeza e arrumação. Temos bons “chefs”, bons faxineiros, boas “babás”, bons compradores, etc. A bagunça pode ser gigante, mas a eficiência do grupo supera rapidamente o caos. É preciso, no entanto, coordenação. E esse trabalho pode ser extenuante”, conta ele ao afirmar que: “A Raquel sempre foi apaixonada pelos seus bebês e aquela fase inicial da maternidade sempre trouxe muita realização para ela. Com o passar dos anos aprendeu que há coisas que são sobremaneira mais importantes do que uma casa com tudo no lugar. Ter muitos filhos requer que você abra mão de outras coisas, outros desejos, outros sonhos; requer que você abra mão de si mesmo. Por outro lado, eles abastecem a alma de uma maneira sem comparação”.
Questionado sobre o Dia das Mães, Jairo afirma que: “No Dia das Mães, além de presentes e demonstração de afeto, nós tentamos fazer desse dia, um dia em que a mãe é servida e cuidada como uma rainha para lembrá-la desse espaço que ela ocupa em nossos corações”.



