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Gravidez de 313 semanas

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Gravidez de 313 semanas
Para marcar o Dia Nacional da Adoção família de Günther e Fabiana Stein conta sua
história de …

Foto: FOTOS/ARQUIVO PESSOAL

TIMBÓ – “A adoção não é uma garantia de felicidade, nem um risco de infelicidade. Ela é uma das formas de abordar a criação de um grupo familiar, no seio do qual ocorrerão os mesmos problemas enfrentados por todos os pais e todos os filhos” (Hubert et Monique Calloud). Com a frase de Hubert et Monique Calloud queremos falar de uma forma de amor incondicional: a adoção, cujo Dia Nacional é comemorado no dia 25 de maio.
Para marcar essa data a redação do JMV apresenta aos leitores a história da família de Günther Stein, de 47 anos, que trabalha como representante comercial e Fabiana M. Mohr Stein, de 42 anos, que é Tecnóloga em Gastronomia. Em entrevista o casal fala sobre a idéia da adoção, o processo, a chegada do filho adotiva e a chegada da filha biológica. “A ideia da adoção se ascendeu após tentativas em clínicas especializadas no auxílio e tratamentos para gravidez, não obtivemos êxito. Desde então conversávamos adotar e buscamos nos informar dos procedimentos legais. Decisão tomada, partimos para a formalização do processo no Fórum, que se deu próximo de seis meses; foi então que recebemos uma carta notificando o nosso ingresso na lista nacional e aptos para adoção”, relata o casal.
 Günther e Fabiana contam que a partir deste momento estariam “Grávidos” e a criança poderia chegar a qualquer momento, que por escolha pessoal foi de um menino.  ”Começava então a fase mais difícil,  onde entra as expectativa de como será?, com que idade?, de onde? como será o rosto? entre outros questionamentos. Os anos se passaram e as expectativas se tornaram um pouco angustiantes, pois ouvíamos estórias de crianças largadas, abandonadas por este mundo afora.  Mais alguns anos se passaram e mudou a lei de adoção, surgindo um curso de formação que seria obrigatório para seguir na lista Nacional”.
Para o casal o curso foi muito importante pois esclareceu as dúvidas, que normalmente acha-se que todas as crianças que estão nos abrigos podem ser adotadas. “A criança pode estar no abrigo, porém, não ser apta para adoção porque o processo tem o seu trâmite legal e muitos processos ainda não foram concluídos. Além de esclarecer como é feita a escolha da criança na lista; é determinante as características e escolhas informadas na ocasião do cadastro. Assim conseguimos amenizar um pouco nossa angústia”.

 

A data esperada

De acordo com Günther e Fabiana o tempo foi passando em meio a muito trabalho, a vida seguia seu curso. “Tudo mudou, após seis anos de espera, o que mais desejávamos era ter um filho e esta expectativa terminou com uma ligação no dia 9 de julho de 2012. Inicialmente ficamos apreensivos porque foi uma pré-consulta, ou seja, questionando se ainda tínhamos interesse na adoção e neste momento. Fomos informados da existência de mais dois casais que também tinham sido consultados com mesmo perfil do nosso cadastro. Entramos em trabalho de parto, cólicas, dor de barriga, suadores, perda de sono, perna bamba, muitas orações, até que veio a confirmação três dias depois às 11 horas da manhã. A única informação que nos foi dada é que o menino tinha um ano e nove meses e era bochechudo. Fomos orientados que teríamos prazo de até uma semana para ir até a comarca realizar o processo; mas não queríamos esperar, fomos no dia seguinte, 12  de junho, uma quinta-feira”.

 

As dores do parto

Fabiana conta que como todo parto é complicado, eles não dormiram à noite e saíram durante a madrugada para a comarca onde estava o seu filho. “Chegando ao Fórum, foi apresentada a criança que era carinhosamente conhecida no abrigo como “Lord” pela juíza da Comarca, pois, era segundo ela uma criança gentil e companheira e querida por todos. Chegado o grande momento que foi apresentado o pequeno “Lord” e muita emoção e felicidade como se fosse um parto natural quando se vê o filho pela primeira vez. Uma criança linda, assustada no primeiro momento, nos aceitou e interagiu. Dizemos que somos nós que adotamos, mas, na verdade nós é que somos adotados. Realizamos um pequeno período de adaptação e almoçamos juntos, depois aguardamos a juíza assinar a documentação para voltar a Timbó já com nosso filho Arthur Guilherme”.
Fabiana conta que lhes foi dado um manual do que ele gostava de comer pela cuidadoura do abrigo: cuca, bolacha, achocolatado, suco e salsicha; só que o manual estava com pequenas falhas. “Até hoje não come cuca e nem bebe achocolatado e o suco que ele tanto gostava era refrigerante, pois, descobrimos nas semanas seguintes quando apontava para o refrigerante durante idas ao supermercado. A salsinha ainda é a comida preferida até hoje, principalmente o cachorro quente. Desde a nossa chegada até a saída do fórum, fomos muito bem recebidos e tratados com muito carinho por todas as pessoas que estavam envolvidas no processo”.
“E agora, papai e mamãe chegando em casa com uma criança de quem sabíamos pouco, mas, tínhamos muito amor para dar. Sua chegada coincidiu com enúmeros eventos e compromissos assumidos há muito tempo que não poderiam ser cancelados. Sempre brincávamos que nosso filho viria no período em que mais estaríamos envolvidos no trabalho, dito e feito, “Boca Santa””, relata rindo Fabiana.

 

Adaptação

 

Günther observa que a adaptação com ele, como pai, foi um pouco mais demorada, pois, o abrigo era pequeno e com poucas crianças, as cuidadoras eram mulheres, não tinha convivência com homens. Ao qual de início tinha resistência para receber carinho; mas nada que chegue perto do poder de uma bola para quebrar este gelo. “Aprendemos a ser uma família a cada dia, não havendo distinção entre pais escolhidos ou biológicos, a mudança que uma criança propicia é semelhante e traz consigo desafios, incertezas, doação, carinho, companheirismo, tempo, dedicação entre outros predicados, que seriam inúmeros para relacionar. Hoje o Arthur Guilherme está com cinco anos e oito meses, é um menino com muita energia, amável, carinhoso, companheiro, amigo e sociável. São quase quatro anos que está conosco nos agraciando, agradecemos ao Pai maior o privilégio de ter a presença dele em nossas vidas”.
Fabiana lembra que há um ditado que diz “Cuidado com o que pedir a Deus, que Ele lhe dará quando achar melhor”. “Tanto pedimos que nos foi enviado mais uma graça na forma de uma menina, após dois anos e onze meses da vinda do Arthur nasce sua irmã a Emili. O seu sonho de ter uma irmã se concretizou para compartilhar o mistério da vida. O ciclo de espera da adoção foi de seis anos, na gravidez foram nove meses, porém, o amor da chegada de ambos não tem diferença. Existem emoções diferentes, mas o amor é um só”, detalha ela.
Günther afirma que estão casados há 18 anos e foram abençoados com duas dádivas, que lhes foram emprestadas para que sejam: pais, conselheiros, tutores, amigos, auxiliando e demonstrando valores de vida, temor e obediência a Deus, pois é Ele todo sentido da vida.

 

 

 

 

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