Uma vida dedicada à orquidofilia
Arno Pfützenreiter completou 57 anos de dedicação ao cultivo da flor de Santa Catarina …
Neila Daronco/JMV

TIMBÓ – A 19ª Exposição de Orquídeas, encerrada no domingo e que trouxe ao Pavilhão Henry Paul mais de três mil variedades de orquídeas, em especial da espécie Cattleya intermédia, também marca o trabalho e a paciência dedicados ao cultivo destas belas flores, do orquidófilo timboense Arno Pfützenreiter, hoje aos 74 anos.
Ele foi citado na abertura do evento, pelo ex-presidente da Federação Catarinense de Orquidofilia, o também timboense Ditmar Krambeck. “Ao olhar para o seu Arno, nos lembramos dos caminhos difíceis que os pioneiros cruzaram em busca das nossas orquídeas, antes apenas encontradas no litoral e em meio à mata, de difícil acesso. As viagens feitas de carroça hoje nos permitiu chegar à 19 edições da Exposição sempre trazendo plantas melhores e variedades novas”, afirmou Krambeck.
O atual presidente da Federação, Marcelo Vieira Nascimento, afirmou que Arno, é o verdadeiro orquidófilo. “Esse é o cara. Eu admiro muito seu trabalho, pois é uma pessoa muito humilde e simples que nunca abriu mão de seu prazer que é cultivar orquídeas. Ele acompanhou toda a evolução desta técnica, desde a busca de espécies e variedades nas matas até hoje, com os híbridos, criados em laboratório. Ele acompanhou de perto essa transformação e mais do que ninguém sabe se utilizar da tecnologia, mas também da paciência em cuidar da planta por sete anos para conhecer sua obra, sua criação”, comentou Nascimento.
Arno por sua vez, relembra de quando teve contato pela primeira vez com as orquídeas: ao ajudar uma tia a cuidar de seu orquidário. “Lembro bem, eu era jovem e fui trabalhar num armazém do meu tio, em Blumenau. Minha tia solicitou que eu também ajudasse a cuidar do orquidário e como eu não sabia realmente o que fazer, comecei a perceber durante as minhas entregas de mercadorias, muitas casas com orquídeas belíssimas. Então passei a perguntar aos clientes, como eles cuidavam, o que faziam e fui aplicar, as dicas nas orquídeas de minha tia”, contou Arno.
Ele ganhou as primeiras espécies e as cultivava debaixo de uma Figueira, que havia na casa dos pais, que viviam no bairro Encano, em Indaial. Quando se casou, na década de 60, com a esposa Lia, veio morar em Timbó onde construiu seu orquidário, ao qual se dedica até hoje.
Da época ele lembra bem dos pioneiros como Almin Boetger e Alfredo Bernd, que faziam essas viagens em busca das mais belas orquídeas catarinenses. Na época, não se conhecia tamanha quantidade de espécies existentes no Estado, mas graças ao trabalho dos orquidófilos, de eventos como essas exposições e do contato dos grupos de diferentes cidades, foi possível catalogar as mais de 665 espécies nativas catarinenses. O maior legado deixado pelos pioneiros, de acordo com Arno é a variedade Aço-Timbó, que possui esse nome devido à sua cor ser parecida com o aço ao passar pelo esmerilho. “É um tipo de azul, como o aço esmerilhado. Na época, não existia a cor violeta, mas é bem parecida”, afirma Arno.
CULTIVO E TECNOLOGIA
Para o orquidófilo, a melhor maneira de cultivar a orquídea é deixá-la num local que seja o mais próximo de seu habitat natural, que são locais sombreados, com água e alimento, absorvido da casca das árvores, em sua maioria.
“Nos últimos 10 anos houve uma melhoria fantástica no cultivo dessas flores. A melhoria está na qualidade da planta, na apresentação da flor e na sua coloração”, afirma Arno.
De acordo com ele, hoje já não é mais preciso viajar ao litoral para obter uma determinada espécie e a cada cruzamento, uma nova variedade pode ser criada. “Foi-se o tempo em que se pagava o valor de um Fusca novo por uma orquídea. A tecnologia, o uso da clonagem (merestema) fez com que se criassem inúmeras plantas da mesma espécie com valor bastante reduzido. Isso facilitou a sua comercialização”, comenta Arno.
O produtor afirma que muitas vezes já melhorou seu humor com o trabalho com as flores. “Para muitos é uma terapia. É preciso ter paciência. Uma nova planta leva de cinco a sete anos para florir. Quando fizemos o cruzamento, entre variedades diferentes, não sabemos exatamente que tipo de flor nascerá. É uma espera que vale a pena, porque sempre nos surpreende, seja cela como for. Claro que hoje a tecnologia permite isso mais fácil, mas é esse processo que nos encanta”, declarou Arno.





