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Surto de raiva bovina no Vale

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Surto de raiva bovina no Vale
TImbó, Rio dos Cedros, Benedito Novo e Rodeio já registraram 54 casos confirmados da doença …

CLARICE GRAUPE DARONCO/JMV

Foto: CIDASC

TIMBÓ – Um surto de raiva bovina foi diagnosticado e confirmado nos municípios de Timbó, Rio dos Cedros, Benedito Novo e Rodeio. Segundo o médico veterinário da Cidasc, de Rio dos Cedros, Ivanor Baldasso, ao todo já são 54 casos confirmados, sendo que o número de mortes de bovinos ultrapassa os 100, na região.  “ A transmissão do vírus é feita por morcegos hematófagos, que sugam o sangue dos animais”, explica o veterinário ao informar que o controle da raiva está fundamentado em medidas que devem ser adotadas de forma sistemática: vacinação, controle populacional do morcego hematófago e atuação em focos.  O veterinário reforça que a raiva não tem cura. A principal medida contra ela é a vacinação em bovinos, equinos, ovelhas, cabritos e porcos. Todos devem ser revacinados anualmente. “Devido ao surto é necessário vacinar todos os animais, mesmo com poucos dias de vida. Animais que receberam doses e ainda não completaram quatro meses de idade devem  receber mais uma dose ao atingirem os quatro meses”, orienta o médico veterinário.

Em entrevista a redação do Jornal do Médio Vale e a JMV TV, ao apresentador Salmos de Souza, o médico veterinário, Ivanor Baldasso informou que a raiva dos herbívoros em Santa Catarina é uma doença enzootica, isto quer dizer que ocorre com freqüência baixa, mas de forma contínua no decorrer dos anos. “Os surtos da raiva ocorrem quando o vírus se espalha rapidamente entre o principal reservatório do vírus que é o Morcego Hematófago e este transmite aos outros mamíferos (bovinos, Ovinos, Caprinos, Eqüinos e etc.) ao se alimentarem de sangue”, relata o médico veterinário ao ressaltar que o atual surto foi comprovado com coleta de material e com resultado laboratorial positivo para raiva em um grande número de animais.

Questionado sobre quantos casos confirmados já temos na região, Baldasso afirma que até o momento são sete casos comprovados em Rio dos Cedros; três em Benedito Novo; 20 em Timbó e 24 em Rodeio. “Ocorrem mais casos de mortes por raiva, mas o proprietário não notifica a Cidasc, estima-se que o número de mortes chegue ao dobro dos casos confirmados, ou seja ultrapasse os 100”, frisa ele.

Sobre como os animais morrem, o médico veterinário explica que o animal morre entre dois e sete dias após o aparecimento dos sintomas nervosos. “O sacrifício não é recomendado, pois dificulta o diagnóstico laboratorial, mas tivermos alguns animais que foram sacrificados a pedido dos proprietários”, informa ele.

Questionado sobre quais os sintomas que os animais que foram atingidos para que o produtor esteja atento, o médico veterinário observa que os sintomas são alteração de comportamento, andar cambaleante, bamboleio do trem posterior, arrastar da ponta dos cascos no solo, paralisia dos membros posteriores, incapacidade de levantar-se, salivação excessiva. “Alguns sintomas menos frequentes, mas que podem estar presentes inclui movimentos repetidos da cabeça, coceira intensa em várias regiões do corpo, animal se lambe seguidamente, tremores, mugidos freqüentes, contrações vigorosas do abdômen como se estivesse em trabalho de parto”, informa ele.

Sobre os cuidados com os animais e com as pessoas, Baldasso orienta que em casos de suspeita de raiva não se deve manipular os animais principalmente não entrar em contato com secreções como saliva, sangue ou urina dos mesmos sem proteção. “È necessário notificar com urgência à Cidasc e as pessoas devem procurar o Centro de Saúde do município”, afirma o médico veterinário. Questionado sobre o influencia a aparecimento da doença, Baldasso comenta que, o que mais influencia é a estação do ano que ocorre mais no outono e início do inverno devido a migração e período de acasalamento dos morcegos. “Podemos ter casos em qualquer mês do ano”, afirma ele ao frisar que os produtores devem prevenir. “O mais importante é efetuar a vacinação preventiva dos animais. Também comunicar à Cidasc a ocorrência de ataque de morcegos nos animais e o aparecimento de casos suspeitos”, ressalta o médico veterinário ao informar que a Cidasc vem fazendo campanha de orientação para vacinação do rebanho através dos meios de comunicação local e regional, além da distribuição de folders e realização de palestras. “Também são realizadas ações de controle da população de morcegos hematófagos e visitas para diagnóstico e coleta de material para confirmação laboratorial”, relata o médico veterinário.

Em Timbó, a Comissão Municipal de Saúde Agropecuária – Comusa realiza amanhã, dia 30 de maio, uma palestra sobre a Raiva Herbívora. O objetivo é esclarecer o surto da doença em Timbó e região e alertar sobre os cuidados que se deve ter para evitá-la. A palestra, que tem o apoio da Prefeitura de Timbó, será realizada no Auditório do Samae, às 14h30.

 

Cuidados com a vacinação:

* Manter a vacina entre 02º e 08 ºC e sempre transportar em caixa de isopor com gelo até o momento da aplicação, não congelar;

*Usar seringas pequenas e com agulha fina para aplicar para evitar refluxo da vacina uma vez que a dose é só de 2 ml;

* A vacina deve ser repetida após 30 dias;

* Revacinar anualmente, lembrar que os jovens que estão recebendo a vacina pela primeira vez devem ter mais uma dose de reforço após 30 dias;

* A dose é a mesma independente da idade e peso dos animais e não tem carência para o consumo de carne ou leite;

* A vacinação é de responsabilidade do proprietário.

 

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